A barbaridade na democracia da informação

demoDesde o surgimento da internet que o livre circular de informação vem reconfigurando a vida social. Todos os dias, por exemplo, um torrencial de informação é disseminado pela rede, discussões que antes ficariam apenas no âmbito acadêmico, político, ou sequer teriam espaço para serem discutidas, hoje, com o advento da internet, são colocadas à disposição de todos. E, vale reforçar que às novas tecnologias que convergem em técnicas de produção – também têm contribuindo substancialmente para este fenômeno da democratização da informação. Por exemplo, todas essas ferramentas: internet, computador, máquina fotográfica, celular, smartphone, tabletes, entre outras, não atendem mais apenas a uma função especifica; organizativa, administrativa, ou de lazer, elas possibilitam que as pessoas as usem com fins de criação, comunicação, interação, autoafirmação e expressão de liberdade, de modo que criam um cenário onde as pessoas se tornam produtoras de conteúdo. Cientes, ou não, percebemos que cada vez mais, as pessoas estão utilizando essas tecnologias para atuar ‘politicamente’, seja fotografando, ‘tuitando’, ou gravando uma determinada situação que será compartilhada pela internet para gerar debate ou denúncia.

Com isso, a rede infla e torna-se um buraco negro de informações soltas onde temos que juntar cacos para analisar a veracidade. Entretanto, esse novo paradigma de produção de conteúdo contribui para a democratização da informação, além de fazer surgir novos protagonistas da comunicação (apesar do acesso à internet e às tecnologias não estarem dispostas de forma justa), pois não se trata apenas de criar possibilidades, mas sim, de estimular o exercício do direito natural: de falar, de questionar, de discordar… Além de visibilizar situações, pessoas, questões que são silenciadas em nossa sociedade. Portanto, fundamental para o exercício da democracia.

Cantagalo IIPorém, nesta caminhada, muitas barbaridades também serão reveladas, a exemplo, os vídeos de ‘tortura caseira’, que mostram pessoas apanhando, e neste caso vale destacar que, a maioria destes vídeos contém mulheres sendo espancadas:

– pai surrando a filha porque fazia sexo virtual,
– homem batendo e queimando com pontas de cigarro a namorada,
– a população espancando uma mulher na rua “supostamente acusada de algum crime”.
Como ocorreu na cidade do Guarujá que chegaram a matar uma mulher inocente. (leia aqui) Porém, mesmo que fosse ela a responsável. Espancar alguém em praça pública é fazer justiça?

Este é o ponto crucial desta democracia da informação, ela escancara a sociedade da intolerância e do sacrifício, cuja violência perpetrada é assustadora, não somente pela tortura de quem pratica, mas de quem aplaude, apoia, condena e acredita que, “corretivos” baseados em normas morais/religiosas/conservadoras/autoritárias são soluções para uma sociedade pacífica. Não é à toa que o candidato a Presidente da República Levy Fidélix vociferou sua intolerância em rede nacional, e parte das pessoas que assistiram no auditório acharam graça do discurso homofóbico e escroto do candidato, como se fosse um direito estimular o ódio. (debate da Rede Record) E por fim, nada acontece, Por quê? Bom lembrar, que de maneira mais sutil, outros também fizeram.

Temos que democratizar a informação, não a barbaridade, esta, deve ser repudiada. Quando uma violência é compartilhada ou tratada com escárnio, só estamos repetindo o fracasso de mais uma geração, além de reproduzir a violência de Estado internalizada e latente em todos nós.

Há sempre pesos e medidas. Quantos corruptos de colarinho branco roubam este país e nada acontece? Por que os grupos de extermínio só matam pobres? Cabe à reflexão o tipo de informação que compartilhamos e reproduzimos.

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Falta de água na cidade de Itu e a política eleitoral e do negócio.

Foto: Web

Foto: Web

Nesta última segunda-feira (22) a população da cidade Itu (interior de SP) foi às ruas reivindicar do poder público para que solucione o problema referente às constantes falta de água que tem ocorrido na cidade desde o mês de fevereiro deste ano, inclusive, uma comissão de moradores organizados têm se reunido com a prefeitura, porém até o momento de prático nada foi resolvido. O estopim foi deflagrado porque alguns bairros da cidade estão ficando até uma semana sem água, com isso as aulas foram suspensas, creches ficaram fechadas e a situação se tornou insustentável. De acordo com informações da prefeitura os reservatórios de água estão trabalhando com 2% de capacidade.

Revoltada, a população foi às ruas. A manifestação foi marcada pelas redes sociais, e o ponto de encontro foi em frente à câmara de vereadores. Em torno de duas mil pessoas compareceram e começaram a atirar ovos e pedras contra o edifício legislativo – daí a resposta da prefeitura de Itu, foi enviar a polícia para reprimir os manifestantes, que em boa parte era composta por senhoras (os) idosas (os), crianças e adolescentes. Como de praxe, a polícia resolveu o ‘problema’ com bombas e balas de borracha. Virou uma praça de guerra, e de acordo com as fotos que se espalharam pela internet, fez lembrar o caso de desocupação na Av. São João, centro de SP, neste último, 16 de setembro.

Foto: R7

Foto: R7

A cidade de Itu vive dias de calamidade, inclusive, esta é uma discussão posta pelo movimento ‘Itu Vai Parar’, para legitimar o pedido de ajuda ao estado e a federação, porém a prefeitura reluta em colocar desta forma, porque de acordo com discussões que surgiram, a cidade ficaria cinco anos sem poder abrir novos condomínios (com piscina), especulação ou não, o problema acirra-se e muitos moradores estão se organizando e financiando caminhão pipa de outras cidades, enquanto outros de bairros mais pobres recorrem às águas de um córrego e de uma mina de água cercada de mato e lixo.

Segundo o Sr Geraldo Alckmin (governador de SP) racionar água é uma irresponsabilidade, não haveria motivos para isso, porém na prática, já estão fazendo, e como é ano de eleição está tentando sufocar de todas as maneiras a discussão. Agora, vale questionar que, toda a região que abrange as cidades de Itu, Sorocaba, Votorantim, Alumínio… Sempre conviveram com racionamento de água devido a quantidade de fabricas que existem na região, por exemplo, na cidade de Sorocaba no bairro do éden, zona industrial da cidade que comporta fábricas como a Pirelli, a água sempre foi um privilégio, para as empresas, porém, nunca se ouviu falar que alguma dessas empresas tivesse que diminuir a produção por falta de chuva.

MAEDAA discussão que existe é sobre a péssima administração das prefeituras, porque os poços e represas dessas empresas são privados, portanto em nada influenciam na falta d’água nos bairros. Será? Mas podemos levantar algumas questões como, por exemplo, a fazenda Maeda de Itu que já foi monocultura de tomate e hoje comporta um dos maiores parques privados do interior e tem uma represa maior do que a que abastece a cidade.

Ou podemos citar que a segunda cidade do estado de São Paulo que mais gasta energia, é a cidade de Alumínio que conta com 17 mil habitantes, mas com a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) uma empresa de alumínio que consome toda a energia e água praticamente equivalente à cidade de São Paulo. De acordo com dados da Secretaria Estadual de Energia, enquanto todas as residências da cidade de São Paulo gastam 11.127.288.780 de KWh (dados de 2010), a área industrial de Alumínio, onde está instalada a CBA, gasta aproximadamente 5,46 bilhões de KWh. Esse consumo é bem superior, por exemplo, ao do município de Sorocaba que totaliza 1,87 bilhão de KWh, distribuídos em: residencial (0,106 bilhão de KWh), rural (0,0074 bilhão de KWh), comercial (0,003 KWh), e iluminação pública, poderes públicos, serviços públicos e consumo próprio (0,140 bilhão KWh). Segundo a CBA, por essa razão, a empresa produz 70% da energia elétrica que consome e acaba de investir R$ 16 milhões em um Centro Operacional do Sistema de Energia.

Ok. Mas diminuir a produção nem pensar…

Enfim, são essas discussões que são importantes e fundamentais de serem questionadas, e que muitos grupos políticos e empresariais irão contrapor com números injetados na economia e com discursos desenvolvimentistas, que, aliás, servem para quem? Afinal, a falta d’ água não é tão somente o resultado da falta de utilização consciente por parte da população, como quer insistentemente nos fazer acreditar os governos, mas de uma lógica capitalista de consumo desenfreado que está destruindo todos os recursos naturais. E vamos colocar aqui, que o Brasil é um país privilegiado com 12% de água doce do mundo disponível em rios e ainda abriga o maior rio em extensão e volume do planeta, o Amazonas. Ainda assim a distribuição de água é irregular, ou seja, a distribuição é desigual, graças aos fatores elencados.

É preciso chamar a atenção que este modelo capitalista de produzir e consumir de modo alienado são os principais fatores pela falta d’ água.

Curiosidade. Alguém por acaso questiona a quantidade de água desperdiçada num Aqua Park?

OBS: Ocorreu outro ato ontem (25) no centro da cidade de Itu, os manifestantes decidiram ir até a sede do partido do prefeito Tuize, e foram recebidos com bombas de gás e balas de borracha, inclusive, por bombas lançadas de dentro da sede do PSD.

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O racismo, o machismo e a homofobia nos estádios de futebol.

latuff-violencia-estadiosEstádio de futebol é um dos locais mais preconceituosos que existe. Onde as exposições do machismo, da homofobia, do racismo e da intolerância se fazem presentes e de modo naturalizado. Um local perpetrado pela violência das torcidas e legitimado pelo silêncio da hipocrisia e das quantias milionárias que movem o espetáculo futebolístico.

Quando o goleiro Aranha levantou a voz contra a discriminação racial que estava sofrendo, abriu mais um precedente para uma intensa discussão sobre a questão do racismo internalizado há quinhentos e quatorze anos em nossa sociedade. Mesmo que muitos não aceitem ou não acreditem nisso, racismo existe sim. E ainda não foi resolvido! Do mesmo modo como a homofobia e o machismo – porém estes, a justiça ainda não entende como crimes. Por isso a resposta ao caso de racismo evidenciou também a misoginia da nossa sociedade, e poucas são as vozes que têm coragem de questionar a miopia que se instaurou – graças também a mídia burguesa e calhorda que, num recorte tendencioso, colocou toda a responsabilidade do racismo na conta da torcedora do Grêmio, que foi racista e está respondendo judicialmente. Entretanto, a personificação dela neste caso só atende ao espetáculo, não resolve nada. Pior, escancara o patriarcado existente que, como o racismo, precisa urgentemente ser colocado em discussão. Dados divulgados pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica

Aplicada), 17 mil mulheres foram mortas vítimas de agressões, entre 2009 e 2011. É um óbito a cada hora e meia, em decorrência de conflitos de gênero. Por isso a própria lei Maria da Penha é tratada por muitos com escárnio, juristas inclusive, decorre disso que sua aplicabilidade encontra diversas dificuldades. Ah! Mas não é bem assim… Como não? Se você ainda não viu machismo neste caso, somente o racismo, desculpe, mas você é machista! E como privilegiado não irá querer discutir isso. Mas nós vamos. Machistas, racistas e homofóbicos não passarão “batidos” nesta história.

Uma constatação que a maioria da população brasileira concorda é a de que nossa sociedade é racista. Certo? Porém, todos esses indivíduos se negam a admitir que eles próprios sejam racistas. Isso ocorre devido aos critérios utilizados para classificar “brincadeira” e “coisa séria”. O mesmo pode ser aplicado ao machismo e a homofobia. Hoje em dia vivemos uma proliferação de comediantes que destilam seu preconceito em horário nobre sob a manta da “brincadeira” e da “liberdade de expressão”. Muitos políticos, líderes religiosos e pessoas com grande influência na sociedade fazem o mesmo. Assim, esse tipo de conduta acaba sendo socializada na escola, no trabalho e em todos os meios sociais. As crianças muitas vezes tecem esse tipo de comentário de forma inocente, apenas reproduzindo o que é constantemente convencionado na sociedade ou no seu círculo familiar. O caso de racismo envolvendo torcedores do Grêmio e o goleiro Aranha do clube santista é emblemático. As provocações entre as torcidas sempre tiveram um fundo preconceituoso para humilhar ou ofender os torcedores adversários quando não se podia vencer por meio do futebol. Por isso criou-se o estigma do pó-de-arroz, do bandido, etc.

Constatamos a barbárie quando, nesse caso, ao rebater os gritos racistas de uma torcedora do Grêmio que chamou o goleiro do Santos de macaco, torcedores lançaram mão do machismo para castigá-la, incentivando que um negro deveria estuprá-la como forma de punição. Agora, ela foi a única no campo que teve uma atitude racista? E quem a chamou de vadia, entre outros absurdos, estava certo (a)? E chamar jogador de veado também não é homofobia? Está mais do que na hora de tratarmos tudo isso como crime. São essas questões que precisam ser discutidas com lucidez.

REPÚDIO às atitudes racistas, machistas e homofóbicas!

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Camelô morto em SP na ‘Operação Delegada’ é o resultado de uma política de opressão e de exploração do Estado

Foto: Web

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O projeto Operação Delegada foi criado pelo ex-prefeito de SP, Gilberto Kassab (PSD) para combater o comércio informal na cidade de São Paulo, e desde março deste ano, o projeto vem sido estendido a outros municípios do estado com a falácia proposta pelo Sr Geraldo Alckmin (PSDB) (governador de SP), de combater os altos índices de criminalidade, criando operações pontuais em locais considerados de periculosidade. Para isso, foi previsto que seria necessário aumentar o efetivo policial, e deste modo, foi brilhantemente pensado e aprovado pelo governador como solução: dar o direito aos policiais militares trabalharem nos dias de folga num espécie de “bico oficial” onde o estado arca com as horas extras. Segundo o Sr Alckmin, além do combate ao crime, o estado estaria garantindo melhores condições de trabalho ao policial, que poderá receber em torno de R$ R$ 1.500 em um mês pelas horas extras. Na prática, nada mais é que o aumento obrigatório da jornada de trabalho do policial, o que obviamente só irá resultar no aumento de estresse, consequência: uma policia ainda mais violenta.

Outra coisa, referente este projeto, seu objetivo real é banir os trabalhadores informais da cidade, pois não é de hoje que os trabalhadores informais são considerados um problema – e o estado incapaz de criar uma solução justa, acirra ainda mais as condições. Contudo, o trabalho destes ambulantes de rua, apesar de considerado ilegal perante a justiça, é a forma como milhares de pessoas asseguram o pão e o leite, e de modo muito mais honesto comparado ao de políticos profissionais que só criam leis para segregar a população.

Um tiro acidental, um ‘caso isolado’ segundo o prefeito Fernando Haddad (PT).

Foto: Web

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A quantidade de disparo acidental ou por legitima defesa efetuado pela Polícia Militar mata cinco pessoas por dia no Brasil, de acordo com o Relatório Mundial sobre Direitos Humanos, divulgado 21 de janeiro deste ano pela organização não governamental (ONG) Human Rights Watch (HRW). (disparo acidental ou por legitima defesa são sempre as alegações da PM)

A morte do camelô Carlos Augusto Muniz, 30, na Lapa, SP, nesta última quinta-feira (18) foi exatamente por um policial que estava em Operação Delegada, (trabalhando em dia de folga) e que já matou um morador de rua por legitima defesa, sabiam?

Foto: Web

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Os vídeos que se espalharam pela internet mostram que o policial estava num nível de estresse elevado, ao retirar a pistola do coldre e mantê-la em punho apontando para a população, dá uma ideia de que algo ali poderia acontecer a qualquer momento, aí o camelô noutro nível de estresse, resolve confrontar e tenta tomar o spray de pimenta e acaba por levar um tiro na cabeça.

Foto: Web

Foto: Web

Quem é o responsável pela tragédia? O camelô? O policial? Irresponsabilidade houve de ambos, entretanto, o policial é um soldado treinado para saber agir em situações de conflito, além do mais, quando qualquer policial efetua um disparo, é o Estado que tem a responsabilidade por isso. Não dá para individualizar a questão, até porque a violência policial é uma realidade concreta que tem atingido níveis de violações de direitos humanos que são verdadeiros atentados à democracia – não são simples casos isolados de excessos de autoridade, por isso a discussão em torno da desmilitarização da polícia militar se faz necessária e urgente, pois a única eficácia da polícia hoje é defender o patrimônio privado, reprimir os movimentos de contestação e exterminar a população pobre, ou seja, representa um aparelho repressivo cuja atuação se pauta no uso da violência legítima a serviço do Estado, que há anos mata preto, indígena, sindicalista e trabalhador periférico. Portanto, o caminho para desmilitarizar a Polícia Militar, é mais um longo caminho de luta contra este Estado genocida, verdadeiro responsável por todos os problemas que afligem nosso cotidiano.

Porém, não devemos esquecer que aqueles que defendem este sistema assassino têm nome e sobrenome, partido, posição política e estão sendo coniventes com tudo isso, e podem acreditar, muitos querem o seu voto nestas eleições, e alguns nas próximas.

A Polícia Militar tem que acabar.

OBS: Antes do vídeo ter sido postada na internet a Polícia Militar tinha alegado que o policial agiu em legitima defesa e havia sido ferido em confronto. Com os inúmeros vídeos que desmascararam a mentira, ficou claro, o policial não foi ferido e a morte do camelô foi o resultado de uma ação policial desastrosa. O policial está solto.

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Para os magistrados R$ 4 mil de auxílio-moradia. Para o povo a polícia, as bombas, o Choque…

A brutal desocupação em São Paulo tem aval do Estado e de seus representantes

Foto: Jornal a Nova Democracia

Foto: Jornal a Nova Democracia

São Paulo, 16 de setembro de 2014, dia que ficará na memória de muitas pessoas. Dia este, que a segunda maior metrópole da América latina promoveu uma nefasta operação de guerra contra a população pobre, motivo: atender ao pedido de um proprietário pela reintegração de posse de um prédio abandonado há dez anos na Av. São João, no centro da cidade, que estava sendo ocupado há seis meses por cerca de trezentas famílias de sem-teto. (Segundo o movimento Frente de Luta por Moradia (FLM), a ocupação era parte da luta pelo direito à moradia).

Foto: Rede de Informações Anarquistas.

Foto: Rede de Informações Anarquistas.

A reintegração realizada de forma violenta foi mais um episódio em que o Estado brasileiro cumpriu sua função de defender a propriedade privada e varrer a população pobre para os confins, ignorando direitos e passando como um trator por cima de quem se opõe a um estado que não é de direito, e sim de garantias de privilégios a quem detém o poder econômico. A desocupação foi um espetáculo de horror, as fotos publicadas na web por meio de mídias independentes, e por pessoas solidarias com os sem-teto, confirmavam a forma desproporcional e absurda como a polícia agiu, de modo brutal, ignorando totalmente a vida das pessoas.

Foto: Rede de Informações Anarquistas.

Foto: Rede de Informações Anarquistas.

Em torno de 80 pessoas foram presas, duas pessoas foram indiciadas por agressão em policiais militares e uma moça de 19 anos responderá por incêndio. Ao término da noite todas as pessoas presas foram liberadas e o prédio já havia sido totalmente desocupado. De acordo com Silmara Fungo, coordenadora da FLM (Frente de Luta por Moradia) as famílias permaneceram pelas ruas, no momento não ficaram juntas, para evitar o assédio da polícia. A prefeitura disponibilizou uma unidade do Cras (Centro de Referência de Assistência Social) na Sé para as famílias que precisarem de atendimento, porém, os sem-teto se recusaram, pois não querem ser tratados como moradores de rua.

O Estado e seus representantes que não representam o povo

Um absurdo que revela as contradições deste Estado facínora em que vivemos, é que um dia antes da desocupação, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou em decisão liminar (provisória), o pagamento de auxílio-moradia a todos os juízes federais do país, inclusive àqueles que atuam na cidade de origem e que possuem residência própria. O valor será regulamentado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com base no valor hoje garantido aos ministros do Supremo que é bagatela de R$ 4.377,73. E vale ressaltar que o salário de um juiz federal é de R$ 29,4 mil. Outro absurdo, é que no Rio de Janeiro na terça-feira (09) foi enviada uma mensagem à Assembleia Legislativa (Alerj) pela desembargadora Leila Mariano, presidente do Tribunal de Justiça (TJ), prevê a concessão de uma bolsa de até R$ 7.250 mensais para financiar a educação de filhos e dependentes de juízes e desembargadores do Rio entre oito e 24 anos de idade.

Foto: Rede de Informações Anarquistas.

Foto: Rede de Informações Anarquistas.

São esses absurdos que evidenciam para quem este sistema funciona, pois essas são as faces de um mesmo Estado – capaz de conceder quantias que privilegiam determinados grupos, ao mesmo tempo em que despeja violentamente pessoas que apenas estão lutando por algo que a Constituição entende como direito social, mas que não é capaz de solucionar: o direito à moradia. Bom lembrar que segundo o senso do IBGE de 2012 a quantidade de imóveis abandonados (que não cumprem função social) principalmente no centro de São Paulo, está em torno de 290 mil (não habitados) para 130 mil famílias que não têm onde morar – ou seja, se existisse vontade política de quem governa em transformar esses imóveis em moradias populares, o déficit habitacional da cidade seria resolvido. Como não há. A ocupação é uma forma de conquista de direito num país onde a política de habitação historicamente sempre privilegiou muito mais o setor imobiliário e da construção civil do que propriamente a população. Onde os projetos governamentais de habitação estão totalmente ligados às políticas econômicas que transformam o direito social da moradia em mera mercadoria.

O que ocorreu neste dia 16 de setembro na metrópole paulistana, considerada o centro financeiro do país é o resultado de uma política de estado excludente, que existe apenas para legitimar interesses do capital financeiro. De modo que o povo pobre quando ousa interferir neste processo, sente na pele toda a força de um sistema ditatorial, antidemocrático e que na prática está se lixando pelos direitos dos excluídos.

Todo apoio a luta dos sem-teto. Organização popular!

OBS: A reintegração era para ter sido realizada no dia 27 de agosto, mas como a Prefeitura no momento não dispunha de carros suficientes para levar os pertences das pessoas que ocupavam o prédio, a data foi adiada, e até o dia 15 de setembro também por não haver acordos entre as partes, foi determinada pela 25ª Vara Cível do Foro Central a reintegração de posse.

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Audiência Pública do Transporte Público Municipal de São Vicente. O que é público e o que é privado?

Foto : Rádio da Juventude

Foto : Rádio da Juventude

Ocorreu nesta terça-feira (9) a terceira audiência pública sobre a padronização do sistema de transporte público na cidade de São Vicente. Estiveram presentes representantes do poder público vicentino, e os permissionários do serviço de transportes alternativos, (lotações) além de cidadãos interessados em discutir o serviço. A audiência teve um caráter didático de explicar desde o que era uma licitação, de que modo funcionava e como seria realizado o processo de padronização do serviço, e qual a finalidade de efetivar um serviço de transporte público municipal na cidade, que segundo o Secretário de Transportes Raimundo Oliveira, é uma exigência feita pelo Ministério Público do município.

Foto : Rádio da Juventude

Foto : Rádio da Juventude

A audiência foi bastante conturbada e confusa, o poder público pouco esclareceu o que irá acontecer com os trabalhadores que operam o serviço de lotações. Inclusive, o Secretário chegou a dar como resposta: “não tenho palavras” a um permissionário que expôs sua situação de ter comprado no ano passado um carro novo que estará pagando durante dez anos, com isso tem toda uma vida planejada em torno do serviço – fez mudanças, adaptações para melhor atender os usuários, ainda assim, precisa trocar de carro para atender uma padronização, senão será retirado do serviço. E aí? Não ter palavras é resposta? Durante os questionamentos, uma permissionária indagou sobre a legitimidade da Cooperlotação que supostamente seria um conglomerado (Corporação que controla várias empresas) fechado com o governo municipal, por isso não compartilhavam informação. Um representante de umas das Associações disse que discordava do projeto de licitação, em resposta ao Secretário de transporte que de modo incisivo disse que era melhor trabalhar todos juntos do que disputar em quebra de braço.

Foto : Rádio da Juventude

Foto : Rádio da Juventude

No geral a audiência transcorreu de modo confuso, uma discussão envolvendo um serviço público que, em nenhum momento os representantes do poder público colocaram a necessidade de tornar realmente público o serviço, com gestão direta e popular. Ou seja, discutir o óbvio: que o serviço público de transporte não é uma mercadoria, mas um direito essencial. O que ficou evidente mais uma vez, foi a disputa política que norteia essas audiências, com a falácia de melhorar o transporte, mas cuja intencionalidade é entregar o serviço público para a iniciativa privada. Quando questionado sobre quem iria financiar a nova frota de carros, o Secretário, Sr Raimundo de Oliveira, simplesmente não respondeu nada! Daí podemos dizer que há muitos problemas no transporte público vicentino, e temos que evidenciar que a atuação de governos antigos e atuais de entregar o que é público à iniciativa privada cria condições extremamente difíceis de resolver em curto prazo, e isso, ocorre exatamente com as lotações, que é um problema, e dos grandes. Fica trabalhador (a) contra trabalhador (a).

Quem vai decidir no final das contas é o governo municipal.

1. Há uma concepção equivocada do que é público, e do é que é privado. E que não é esclarecido nas propostas da prefeitura.
2. Não existe interesse que este sistema mude. Retirar as lotações e colocar outro serviço é cortina de fumaça para enganar a população.
3. A maior parte dos permissionários não está empoderada sobre o serviço que presta.
4. A população não está sendo consultada, e também não está empoderada.

Foto : Rádio da Juventude

Foto : Rádio da Juventude

O que temos é um serviço ruim que precisa melhorar, mas temos que considerar que existem muitas (os) trabalhadoras (os) operando o serviço que não são empresárias (os) enriquecendo. São trabalhadoras (os) garantindo o pão e o leite. (O que não retira o olho no osso que têm esses conglomerados, disfarçados de amigos e representantes dos (as) trabalhadores (as)). E aí para resolver isso, não é nada fácil, ainda mais com discussões rasas que não vislumbram solução nenhuma. É preciso uma intensa discussão envolvendo toda a comunidade vicentina junto com esses trabalhadores, vamos colocar as cartas na mesa, o serviço é público, é necessária gestão popular sim! Vamos ter que resolver de uma forma que fique bom para todo mundo, mas fazendo política de verdade, olho no olho, com as planilhas de contas abertas, nada de amarrações e conchavos políticos, negociatas e que coisas afins.

Foto : Rádio da Juventude

Foto : Rádio da Juventude

Outra coisa: é inaceitável a proposta do grupo fechado entre a Prefeitura e a Cooperlotação – de ficar estudando durante doze meses como será este tal novo transporte, e depois colocar o que é bom e o que é ruim para (os) as usuárias (as) e para as (os) trabalhadoras (os) das lotações. Isso é imposição, totalmente antidemocrático. Esses doze meses devem ser usados para um intenso debate com toda a sociedade vicentina. Aliás, ficou sem resposta na audiência, e foi perguntada, mas o Secretário não respondeu; a seguinte questão: de onde irá sair o dinheiro que irá patrocinar essa padronização da frota, será da iniciativa privada ou dos cofres públicos? Transporte não é mercadoria. Transporte público é um direito.

audiênciaOBS: Ao término deste texto foi publicado no perfil do facebook da Cooperlotação um texto relatando de que modo transcorreu a audiência, no entanto, uma permissionária que fez duros questionamentos, não foi citada no texto, porém, os apontamentos dela foram os mais contundentes, ela quem fez o questionamento sobre a Cooperlotação ser um Conglomerado. O que vale a reflexão, pois, o texto de relato não compreende o que de fato ocorreu na audiência, apenas, “puxa a sardinha” para si, utilizando das vozes dissonantes em seu favor. Além de que a publicação de uma relatoria aberta foi uma das cobranças exigidas pelos permissionários.

Link do texto da Cooperlotação:

Logo mais, disponibilizaremos em vídeo partes da audiência.

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Manifestação contra a privatização em Santos. Saúde não é mercadoria!

Foto: Rádio da Juventude

Foto: Rádio da Juventude

Quem passou na quinta-feira do dia 21 de agosto pela Praça Mauá em Santos pôde conferir uma manifestação contra o desmonte dos serviços públicos que vem sendo arquitetado pelo governo municipal sobre o comando do Sr Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), prefeito de Santos, e com a conivência da maior parte dos vereadores da cidade que com a falácia de uma suposta eficiência na prestação de serviço, colocam em andamento um processo de desmonte dos serviços públicos na cidade – os colocando nas mãos de Organizações Sociais (as famosas OS) que disfarçadas de instituições do setor privado, sem fins lucrativos, atuam em parceria formal com o Estado, usurpando quantias enormes de dinheiro público e sucateando cada vez mais direitos essenciais da população. Inúmeros são os casos de denúncias dessas Instituições, envolvendo irregularidades, corrupção, entre outras coisas.

Foto: Rádio da Juventude

Foto: Rádio da Juventude

Puxado pela Frente em Defesa dos Serviços Públicos, Estatais e de Qualidade, o ato contou com o apoio de diversas organizações de luta: movimento de moradia, de saúde, sindicatos e partidos. Segundo a Frente o primeiro serviço público a ser entregue será o Hospital da Zona Noroeste, um hospital que já tem inúmeros problemas, principalmente em relação à falta de médicos. Com a privatização o processo de precarização do serviço prestado a população irá acirrar-se ainda mais.

OBS: Na sexta-feira (22) a Frente fez uma intensa panfletagem pela zona noroeste dialogando com a população sobre a situação, e disseram que irão panfletar por toda a cidade, convidando a população a participar deste debate.

Fotos aqui

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Mídia burguesa: A corrida pelo furo de reportagem e a repetição do vazio

cameraman-photographers-andA especulação em torno de uma tragédia por parte dos meios de comunicação burgueses revela uma mídia que precisa ser repensada, ou mesmo sepultada. A queda da aeronave na cidade de Santos nesta última quarta-feira é um belo exemplo para refletirmos sobre essa realidade. Por exemplo, a quantidade de meios de comunicação que ficaram pedindo (pelas redes sociais) informações sobre o acidente e solicitando fotos, vídeos e relatos, além de profissionais desesperados dizendo: estou correndo lá, me procurem, sou fulano de tal e blábláblá – foi infindável e dá uma ideia em como a mídia e parte destes profissionais, não só possuem uma tendência sensacionalista como também escatológica. Uma coisa é produzir conteúdo, insumo que possa contribuir para compreendermos um fato. Outra é gastar tempo especulando, como os meios de comunicação que foram no local um dia depois para gravar e fotografar os destroços (entre outras coisas) e mostrar que a aeronave, era uma aeronave.

Não é a toa que quase toda a mídia que compareceu no local no dia do acidente, caiu na lorota do cidadão que deu a entrevista dizendo que havia muitas pessoas mortas, crianças, idosos, e que, inclusive, viu o corpo do presidenciável e chegou a abrir os olhos dele. Piada? Não. O relato foi parar em rede nacional e muitas emissoras ao perceberem a gafe, tiveram que se explicar, mas claro, delegando a responsabilidade ao cidadão que inventou as mentiras. Mas, somente ele era o responsável por tal absurdo? Ou será que de algum modo, a mídia contribui para estimular a criação de personagens e histórias falsas que se misturam a realidade e se tornam verdades?

31.05-CinegrafistaCabe à reflexão, afinal, como a mídia cai numa armadilha dessas? Correria do momento? Pode ser, mas a realidade é que a mídia quer tanto o furo de reportagem, que termina por não apurar nada, daí atropela todo o processo investigativo e vai colocando em fôrma notícias truncadas e superficiais, a questão ética então, passa longe. E neste ponto, o rapaz foi perfeito, colocou em xeque a credibilidade da mídia e a sua elaboração precária e prepotente, que produz como quer e ainda se acha a “rainha da cocada preta”. Quem acompanhou os noticiários pela televisão, por exemplo, pôde perceber o quanto os profissionais estavam perdidos, “mais que cego em tiroteio” – e quando a informação de que Eduardo Campos estava no avião surgiu, aí virou uma salada de informações e a pauta em torno do candidato se repetia num frenesi insano.

A exploração de uma tragédia

A comunicação é um negócio lucrativo quando tem tragédia, principalmente quando inclui gente famosa que está em evidência – todo mundo sabe, ninguém é bobo, nem o oportunista de momento e nem o intelectual que quer sair à frente fazendo análise. Por isso, a quantidade de textos que brotam com a foto do falecido presidenciável Eduardo Campos revela que há mais interesse em aumentar o fluxo de leitores (leitor = $$$) do que em produzir material realmente colaborativo para as discussões sociais. Primeiro porque não morreu apenas uma pessoa, segundo que a morte resguarda um tempo de silêncio a família, aos amigos e a memória do falecido, porém não santifica ninguém. Pra quem não sabe, Eduardo Campos no campo político liderou fraude aos cofres públicos num esquema que provocou prejuízos de R$ 3 bilhões aos cofres públicos. Só em Pernambuco foi um rombo de R$ 480 milhões. (pesquisem a respeito)

No entanto, as condolências políticas/partidárias vão se transformando em condecorações absurdas. Ora, transformar em herói e estadista brasileiro, um político habilidoso na arte da politicagem, que está envolvido em casos de corrupção, é demais! (claro que não é novidade, vindo da classe política que disputa poder) mas, na medida em que as especulações da mídia aumentam (construindo histórias e reafirmando o bom político), a legitimação de uma mentira se torna uma verdade, e poucas são às pessoas que ousam questioná-la, daí, mais uma vez a história sendo construída de forma deturpada, mais uma vez a criação e a glorificação de falsos heróis, (como se precisássemos deles) e isso, na linha da história só tem prejudicado a classe trabalhadora. Portanto, é muito problemático quando os meios de comunicação que exercem influência sobre a sociedade se tornam aparatos de reafirmação de uma farsa. Uma farsa que só contribui para afundar a todos num estado de letargia e miopia coletiva, numa alienação social sem limites.

De que adianta nos debruçarmos em teorias de como irá ficar a corrida eleitoral, e qual será o candidato com mais chance de vencer a disputa? Se o jogo político/partidário eleitoral está armado para o povo perder. Primeiro: que já foi decidido que o governo ficará nas mãos de algum dos três candidatos entre o PT, PSDB e PSB. Todos os outros presidenciáveis são ignorados e tratados simplesmente como se não existissem. (este é só um exemplo de nossa democracia). Segundo: dentre estes três partidos, todos sem exceção, receberam milhões da iniciativa privada, alguém acredita que ao assumir o governo irão trabalhar para a população? Terceiro: toda a estrutura funcional deste sistema está entrelaçada ao capital, além de ser uma política de arranjos e conchavos – mesmo que os presidenciáveis negligenciados tivessem voz e viessem a ganhar a eleição – o que fariam na atual realidade? Dificilmente arranhariam a blindagem dessa estrutura. Mudanças concretas para ocorrer precisa de organização, e só podem ser construídas pelo povo. Agora, a mídia traz essa discussão? Problematiza? Não. Seus interesses são outros, e sua função social é apenas manter tudo como está.

É preciso pensar outra comunicação, outros meios, estes que estão postos, servem ao capital, a lógica de produção não irá mudar.

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São Vicente: Professores em luta por direitos!

Foto: Do Perfil de Flavio Viana

Foto: Do Perfil de Flavio Viana

Cerca de cinquenta professores estiveram na Câmara Municipal de São Vicente nesta quinta-feira (07) para reivindicar vagas em concurso público realizado em 2012 pela Prefeitura Municipal de São Vicente. Pois, segundo informações divulgadas pela Prefeitura, está sendo realizado o estudo de um novo concurso.

A comissão de professores organizados esteve em reunião com A SEDUC (Secretaria de Educação) no período da tarde desta mesma quinta-feira e saíram da reunião apenas com a confirmação de que não há nada definido, porém, existe sim, a possibilidade de acontecer um novo concurso, daí não está claro o que ocorrerá com os professores que foram classificados no concurso anterior.

Durante a noite a comissão foi à Câmara Municipal pressionar o legislativo, que se disponibilizou a solicitar audiência com o Prefeito Luiz Claudio Billi, para propor prorrogação da validade do concurso, ao contrário, de abrir novo. (mais informações neste link com a nota dos professores).

De fato, o justo seria convocar os professores e empossá-los, que não são poucos, quase 700. Por que não fazem isso? Falta de interesse, ou concurso virou negócio? Jogada política. Enfim… Todo mundo sabe, não é novidade, que a profissão de professor nas últimas décadas tem sido sucateada, na verdade, demolida! E, diante dos olhos de toda a sociedade, não há nem respeito e nem solidariedade com estes profissionais.

As condições de trabalho que os professores estão sujeitos nas escolas públicas são precárias; salas de aulas superlotadas, falta de estrutura física, falta de tempo para aprimora-se, falta de tempo para planejar as aulas, submetidos a relatórios inúteis que precisam cumprir, enquanto o planejamento de aula e o aprimoramento pessoal se tornam cada vez mais mecânicos e esvaziados de conteúdo. E não por responsabilidade deles, mas por causa de administrações burocratas que estão mais preocupadas em apresentar números.

Para piorar, as Prefeituras com a justificativa de enxugar gastos (aumentam na verdade) não contratam professores concursados para preencher vaga, trabalham com uma parcela de profissionais dentro do “esquema” de “professor eventual”, e isso, somente acirra ainda mais o problema da precarização do trabalho, por exemplo, um professor eventual para compor um salário, tem que entrar num esquema perverso de competição de aula, além da correria de ter que estar numa escola, ou num horário diferente todos os dias para dar aula, e muitas vezes, lecionar uma matéria qual não é especializado.

Resultado: há sempre vagas a preencher, principalmente no período noturno de áreas periféricas, pois, há também a questão da segurança, em que professores preferem não dar aula em determinados locais, devido, o risco de assaltos, que, inclusive, há casos dentro da própria escola. Citamos como exemplo, o Colégio Pinho Rodrigues na Vila Margarida, que diversas vezes foi assaltado e professores tiveram seus pertences subtraídos. Portanto, eis a justificativa porque tantos profissionais se afastam por estresse, pois os caminhos são estes: ou enfrentam as condições precárias, ou mudam de profissão, ou buscam uma escola particular para ter um mínimo de instabilidade econômica.

A precarização das condições de trabalho dos professores reflete no sucateamento da educação e consequentemente na formação de cidadãos apáticos socialmente.

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Greve dos coletores de lixo X Empre$a$ de pre$tação de $erviço.

Foto: santaportal.com.br

Foto: santaportal.com.br

A greve dos coletores na Baixada Santista terminou após o “terrorismo” das empresas em “quarteirizar” o serviço. (contratar outras empresas para cumprir o serviço). Os coletores com medo de perder o emprego retornaram ao trabalho. E aí, temos que colocar como contribuição: O desserviço da mídia que insistentemente disseminou aos quatro ventos os prejuízos à população que estava causando a paralisação dos coletores.

Outra contribuição prejudicial: são os grupos partidários, que ficam apontando culpados num jogo político eleitoreiro de barganha de voto, ao contrário de colocar em pauta o cerne de questão que é as péssimas condições de trabalho; os salários baixos, os assédios (moral e sexual) denunciados pelos coletores – e aí podemos citar também os cabides de empregos, e as dividas que certas empresas públicas da região acumulam em muitos zeros… (E sai do bolso de quem?) Levam isso ao debate? Não! São peritos em atrapalhar, essa é a verdade.

Não se vence uma guerra sozinho

Os coletores pertencem a uma categoria de trabalho muito marginalizada, muito desrespeitada e esquecida, de modo que a legitimidade dessa luta merece todo apoio. Porém, sozinhos sem a solidariedade da sociedade em compreender os significados da greve, não há o mínimo de organização que segure a onda, ainda mais porque temos que colocar na balança, que o setor terceirizado é muito frágil, articular mobilização requer tempo, que nem sempre para quem vive com R$ 755,00 dá folego para resistir. Por isso, é preciso a integração de outros setores da sociedade, outras categorias, no Rio de janeiro, por exemplo, a greve dos coletores durante o carnaval atingiu seu objetivo não somente porque foi combativa, mas porque havia outras organizações que contribuiriam e fortaleceram, meios independentes de comunicação fizeram circular informação, nos piquetes outros movimentos foram contribuir como massa, grafiteiros, artistas de rua, professores e uma infinidade de pessoas se colocaram ombro a ombro na luta, claro, que no Rio a configuração é outra, mas é triste constatar que na Baixada Santista a informação pouco circula e a integração menos ainda. (tem gente que nem percebeu que estava ocorrendo greve, claro, que este não pertencia à periferia, porque era lá onde o lixo mais se acumulava)

A tática do cansaço.

Cansar para desmobilizar sempre foi tática adotada por essas empresas, até mesmo quando são obrigadas pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT-SP) a cumprirem com suas obrigações, como ocorreu no mês passado em que o TRT-SP decidiu pelo reajuste salarial de 12,5%; estabilidade de 90 dias para todos os trabalhadores; pagamento dos dias de atos. Entretanto, as empresas ignoraram, e descontaram os dias de greve e mantiveram sua postura de vencer pelo cansaço, desrespeitando a própria Constituição Federal que em seu artigo 9º e a Lei nº 7.783/89, assegura o direito a greve.

No último dia 15 deste mês em reunião conciliatória nada foi resolvido, as empresas não aceitaram a proposta dos trabalhadores de reajuste salarial de 12,5%; contrariando, inclusive, a decisão do TRT-SP, que já havia batido o martelo a favor dos trabalhadores, mas as empresas não concordaram e entraram na justiça contra a liminar do Tribunal, contestando embargo declatório, e propuseram 10%, os trabalhadores não aceitaram e mantiveram a greve, no final das contas, acabaram vencidos pelo cansaço e pelo terror.

Interessante ressaltarmos aqui em como essas empresas “pintam e bordam”, traduzindo: fazem o que querem, e passam por cima até mesmo de uma liminar, tudo bem que uma liminar é apenas uma ordem provisória, e ela pode ser revogada, porém, é interessante refletirmos em como a justiça pouco funciona a favor dos trabalhadores, tudo muito frágil, não tem TRT que resolva, por que será?

Radicalmente, porque essa é a lógica da exploração e do privilégio de uma sociedade individualista, que está muito mais preocupada com o lixo que ela mesma produz – em boa parte de forma irresponsável; não recicla; não composta; não diminui os materiais nocivos à natureza – do que com as péssimas condições de trabalho de quem quer apenas 12,5% de aumento de R$ 755,00. Triste, porém real.

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Documentário: Macuco: O túnel é o fim dos sonhos!

* Uma obra orçada em 2,4 bilhões, que irá remover aproximadamente 5000 pessoas entre as cidades de Santos e Guarujá.

* Um projeto que ignora questões sociais, culturais e ambientais.

É democracia favorecer corporações e grupos políticos partidários, deixando que um patrimônio histórico seja destruído?

O documentário “Macuco: O túnel é o fim dos sonhos!” aborda o impacto da construção de um túnel submerso na vida de moradores do bairro Macuco – Santos. O documentário apresenta os questionamentos dos moradores que não foram consultados e nem informados sobre a obra, simplesmente obtiveram a informação por meio de uma notícia de televisão, e deste modo, da noite para o dia tiveram que conviver com a ideia de que o local onde residem, havia sido instituído pelo Governo do Estado de SP como de utilidade pública.

OBS: Este vídeo é parte do documentário sobre o bairro Macuco.

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Prefeitura de São Vicente e o caso da creche Olinda Cury Gigliotti. Onde estão as verbas do FUNDEB?

Foto: Rádio da Juventude

Foto: Rádio da Juventude

No dia 25 de maio de 2014, divulgamos aqui no blog da Rádio da Juventude a informação que a Prefeitura de São Vicente não estava repassando a cerca de um ano as verbas do FUNDEB (Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica) para a Creche Olinda Cury Gigliotti (localizada no bairro do Japuí – SV), e por isso a Associação dos Funcionários e Amigos do Hospital São José (ASFA), que administra a creche, comunicou as mães e os pais que o serviço prestado por ela, seria encerrado, pois essa verba do FUNDEB garantia não só o pagamento da equipe, mas também a merenda escolar, material de limpeza e outros gastos, e com os constantes atrasos, não haveria como manter a creche funcionando – deixando transparente que, o equipamento, a Prefeitura provavelmente assumiria, não seria uma questão de fechamento, mas de mudança de gestão.

Dois dias depois do comunicado, as mães e os pais se reuniram e formaram uma Comissão, deliberando que não concordavam com a atitude da Prefeitura, pois consideraram que o serviço prestado pela associação era de excelência, e por isso, entrariam com uma ação coletiva no Ministério Público, fariam um ato no centro de São Vicente denunciando e arrecadando assinaturas num abaixo assinado para que a administração da creche não mudasse e para que a Prefeitura cumprisse com o seu papel e repassasse as verbas em atraso.

As mães e os pais por meio de organização terminaram por conseguir em torno de 800 assinaturas, pressionando a SEDUC (Secretaria de Educação) a receber a comissão, e numa reunião junta à Secretária de Educação Creuza Calçada foi firmado que não haveria o rompimento do contrato com a associação que administrava a creche, mas que os atrasados seriam resolvidos junto ao Ministério Público, já que havia uma ação movida pela associação, sobre a renovação do Convênio, a Secretária justificou que ocorreu um mal entendido entre as partes na renovação, porém, já estava tudo resolvido, de modo que a Secretaria de Educação estaria aberta à comissão para discutir quaisquer dúvidas ou sugestões. (assista ao vídeo logo abaixo e veja como foi à reunião)

No vídeo algumas explicações referentes ao repasse e a renovação foram pontuadas pela Secretária, por exemplo, a verba não ser oriunda do FUNDEB, a falta de documentos para renovação do Convênio. (Sobre os atrasos não quis comentar. Assista ao vídeo).

PrintColocamos aqui a réplica da Sr.ª Rose Hoyer, Presidenta da associação que ao assistir o vídeo no Facebook, deixou este comentário:

“1º- Fomos claras na reunião de pais, quanto ao motivo pelo qual iríamos encerrar nossa participação na Administração do Equipamento – A verba por nós guardada já estava acabando e seria injusto e irresponsável de nossa parte correr o risco de não termos o suficiente para o pagamento das merecidas e legais rescisões trabalhistas das colaboradoras; 2º – A documentação exigida para novo Convênio foi entregue mais de uma vez, conforme cópias que lhe encaminhei. Mas, a morosidade de alguns Departamentos do Executivo Vicentino fez com que vencessem os prazos das certidões negativas de debito, forçando- nos a reiniciar o Processo (está tudo documentado) 3º – O cerne da questão é o repasse e não de onde vem, muito embora, há nove anos ouvimos que é do FUNDEB na Secretaria; 4º – São 3 e não 1 ou 2 parcelas de 2014 e 12 parcelas no total, uma vergonha inexplicável ; 5º – até o momento não foi repassado mais nenhuma . Já encaminhei à Promotoria novo requerimento, solicitando um TAC ( termo de ajuste de conduta ), para garantir nosso sossego”.

Enfim, a mobilização e a pressão popular garantiu que a creche continuasse operando. Parabéns as mães e os pais que se organizaram e pressionaram o poder público! Pois se há algum mérito nesta história, pertence a eles. Esta é a prova que somente por meio de organização coletiva podemos conquistar e validar nossos direitos. A creche, além de uma necessidade de mães e pais trabalhadores e trabalhadoras é um direito social de toda a criança assegurado pela Constituição Federal e pelo ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).

Porém, muitas vezes devido à forma como o serviço público é tratado e gerido, mais parece um favor prestado, no qual mendigamos pelo serviço, e nessa condição de reféns, não conseguimos nem questionar com medo de sermos retaliados.

A Creche Olinda Cury Gigliotti continua com seu trabalho, porém, já tivemos a informação que até agora os pagamentos, (atrasados e do mês sequente a renovação do Convênio) quase dois meses depois da mobilização, ainda não foram feitos. Fica pergunta, onde estão às verbas do FUNDEB? Voltaram para a União? Ou, foram gastos de forma indevida? A ação está no Ministério Público. E, qual o futuro do equipamento diante desta instabilidade?

O triste, mas real, é que a maioria desses equipamentos; creches, escolas, entre outros estão sempre sobre a gerência de algum grupo social de interesses políticos e econômicos, aí quando muda a administração do município, as disputas começam, e quem paga é o povo. Neste mesmo bairro, Japuí, há outro equipamento que segundo informações dos próprios pais e mães, a Prefeitura assumiu o serviço, daí a Sr.ª Primeira-Dama Valéria Lins, “amadrinhou”. ( Como assim? Enfim…)

É isso, enquanto a população não estiver organizada para assumir sobre suas rédeas seus direitos, a disputa política e a deturpação dos equipamentos continuará operando desta forma. Porque uma coisa é certa, nem Primeira-Dama é cargo público, nem Associação por mais boa vontade e honestidade que tenha, deveria estar gestionando um equipamento público.

Vídeo com a Secretária Creuza  Calçada

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Eleições 2014. A corrida eleitoral começou faz tempo.

A partir de hoje, domingo, dia 06 de julho de 2014, está permitido à propaganda eleitoral de acordo com a lei nº 9.504/97. Data a qual partidos, coligações podem realizar comícios, divulgar suas propostas por carro de som, (das 8 às 22 horas) fazer propaganda na internet, entre outras coisas.

75705_456894151030023_1936871453_nNa prática,

O burlar da lei não é nenhuma novidade, há tempos que os candidatos fazem suas campanhas antes do tempo permitido; visitando cidades, comparecendo em eventos, congressos, seminários, inaugurações de obras, percorrendo comunidades, associações de bairro, tudo de maneira “informal” (cara-de-pau), mas já fazendo seu “trabalho de base”. Na internet ficou bem evidente tudo isso, a quantidade de cabos eleitorais fazendo propaganda de seus candidatos é infindável, frases de efeito com direito a hashtag e tudo, eram e são utilizadas aos montes; #Avançarsempre, #Avantelíder, #‎vamoquevamo,  #‎NovaPolitica, ‪#‎Renovação…

Discutir isso parece bobagem, mas não é, comprova que o jogo político, a disputa pelo poder é feita em sua maioria por pessoas que não respeitam o que está regulamentado. A lei seria exatamente para evitar abusos e garantir o mínimo de organização. Infelizmente, estes “propagandeiros” ignoram, pois se movem de acordo com seus interesses e da forma como lhes convém.

Na verdade, até mesmo esta lei eleitoral tem seus equívocos, (e muitos) citaremos como exemplo uma parte que só contribui para a poluição visual das cidades, o cargo de vereador, por exemplo, a lei permite que cada partido possa lançar candidatos até 150% do número de cadeiras em disputa, o que dá espaço para o surgimento de inúmeros candidatos, muitos sem a menor chance de vencer, mas estrategicamente os partidos julgam necessário. Pois querem construir discurso para uma próxima eleição; ganhar visibilidade; demostrar força para um acordo com outro partido; fortalecer uma coligação, entre tantas outras coisas que pensam como forma de ganhar o poder, ou se manter atrelado a ele. Para deputado é a mesma coisa, se a Unidade da Federação (UF) possuir mais de 20 deputados federais, então;

“cada partido, isoladamente, pode lançar o quantitativo de candidatos até 150% das vagas a serem preenchidas; cada coligação pode lançar até o dobro das vagas a serem preenchidas, Agora, se a UF possuir até 20 deputados federais, a regra é a seguinte: cada partido, isoladamente, pode lançar um número de candidatos até o dobro das vagas a preencher; cada coligação pode lançar até o triplo das vagas a serem preenchidas”. (Fonte) Resultado; é uma bagunça generalizada!

Convidada a participar da festa da democracia de dois em dois anos, a população é refém de um jogo de cartas marcadas.

Foi construída no cerne de nossa sociedade a ideia de que as mudanças são feitas por meio de eleições, precisamente do voto, da candidatura de um político, um líder, um representante que irá “protagonizar” a vontade popular, basta o povo votar com inteligência. Porém, essa é uma das maiores farsas que existe nesta democracia representativa.

Primeiro, porque o direito ao voto só garante uma suposta participação na democracia, todas as outras escolhas não dependem do povo. E sim, de candidatos eleitos. Por exemplo, o poder judiciário, é eleito, a maioria de seus representantes, por nomeações diretas do Presidente da República, após aprovação do Senado Federal, do mesmo modo o Ministro do Supremo Tribunal Federal, etc. Claro que há os concursados, como os juízes de carreira. Mas é esta forma a principal e que se repete nas esferas estadual e municipal. Por isso, que alguns cargos são escolhidos “minuciosamente”, para que eles sirvam somente de simples aprovadores de projetos de governo, não há autonomia real de quem é responsável por alguma pasta, ou função. Sempre tem força política por trás direcionando, e não é a força do povo, nem de longe.

Segundo, a forma como o sistema político está organizado, nem tendo boa vontade política é possível realizar “reais” transformações, além de que, quase, senão todos os candidatos – estão nas mãos de grupos políticos que os financiam, (as corporações; empreiteiras, agronegócio… E em alguns casos grupos ideológicos; bancada evangélica) e por isso, suas realizações irão ser de acordo com os interesses de quem “pagou a conta”, é o “toma lá da cá”, daí, as “promessas” feitas ao povo vão para o ralo, afinal, os candidatos são instrumentos de quem os financiam.

Terceiro; as famosas coligações nem sempre são forças que estão na mesma direção, são apenas forças momentâneas que também possuem interesses econômicos e partidários. Portanto, quando se ganha uma eleição, é preciso “repartir o bolo”, e a parte que cabe ao povo, fica sempre sendo menor, ou nula.

Pra finalizar, ainda temos os candidatos que ao ganhar a eleição trocam de partido, e todo aquele projeto defendido nas campanhas, muda, mas o discurso permanece, discurso de candidato sempre permanece… A vida do povo que não muda. Porque mudanças só acontecem com luta e coletividade.

Eleições no contexto atual somente servem para legitimar o poder a um grupo político que tem interesses próprios. Interesses que não atendem a população.

Nessas eleições, não vote, se organize!

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Presidenta Dilma Rousseff na Baixada Santista, investimento pra quem?

Foto: http://www2.planalto.gov.br/centrais-de-conteudos/imagens/anuncio-de-investimentos-do-pac2-mobilidade-urbana-para-a-regiao-metropolitana-da-baixada-santista

Foto: http://www2.planalto.gov.br

A visita da Presidenta Dilma Rousseff à Baixada Santista na última quinta-feira (26) tem uma porção de significados políticos e econômicos, mas uma das coisas que passa despercebido e precisamos nos atentarmos, é como este país tem dinheiro, e dinheiro público! E gasta-se, a todo momento uma quantia, (que não é pouca) em algum serviço, equipamento, projeto… Contudo, os resultados nem sempre resolvem os problemas da população, por que será?

A Presidente anunciou investimento de 456,3 milhões para a mobilidade urbana, e ainda fez cobranças aos administradores da região para se municiarem de projetos, porque a ideia do governo ao que parece “é para o infinito e além!” Brincadeiras à parte, o problema de mobilidade urbana na baixada é uma realidade concreta de extrema urgência, e que não será solucionado num passe de mágica. Porém, difícil acreditar que dentro dessa lógica mercadológica alguma coisa seja resolvida.

Primeiro; não é preciso ser especialista para saber que a maior parte deste investimento irá se diluir no bolso de corporações que irão prestar o serviço.

Segundo; o problema da mobilidade urbana na baixada perpassa a construção de um túnel ligando as zonas Leste e Noroeste de Santos, ajuda no escoamento do trânsito, mas não resolve. Entretanto, o caminho que todos os governos estão tomando é o contrário, obras faraônicas de grande impacto social e ambiental, e pouquíssima, ou nenhuma discussão de alternativas realmente sustentáveis.

Terceiro; abrem um túnel de um lado para escoar o trânsito e colocam mais carros de outro. Como assim? Porque isso é o quê irá acontecer com a construção do outro (polêmico) túnel (submerso) que interligará as cidades de Santos e Guarujá, e que segundo o projeto da DERSA (Desenvolvimento Rodoviário S.A.) injetará 14 mil veículos por dia na cidade com projeção para 40 mil nos feriados. Entenderam?

Mobilidade urbana tem que tirar carro da rua, e não colocar mais, pra isso tem que ter transporte público de qualidade; tem que ter ciclovia; tem que ter planejamento de cidade e tratando-se de Baixada Santista tem que ter planejamento metropolitano, porém, o quê se vê é apenas bravatas, e obras sendo realizadas de qualquer forma, além de dinheiro público sendo gasto aos montes, servindo apenas para enriquecer empreiteiras e sustentar políticos. Enquanto essa lógica de colocar investimento direto nas mãos de corporações predominar, nada irá se resolver.

Em fevereiro deste ano o Governo Federal anunciou recurso de 143 bilhões, que seriam investidos nas cidades sede e subsede da Copa do Mundo. Vamos pensar sobre estes números e avaliar o que mudou, ou o quê irá mudar para a população, pois na prática (sem fatalismos) os transportes públicos continuam lotados e de péssima qualidade, o trânsito continua um caos, traduzindo; o serviço público continua sucateado e toda essa violação de direitos é sustentada com dinheiro dos trabalhadores, e não da Sr.ª Dilma que só veio à baixada demarcar território e fortalecer campanha política.

Sobre os 143 bilhões para mobilidade urbana

O Governo Federal declarou que este investimento é uma resposta as reivindicações das jornadas de junho, balela, o que está fazendo é colocar ainda mais dinheiro público no bolso de empresas mafiosas/que monopolizam os serviços públicos de transporte, de construção civil, de prestação de serviço, entre outros que vão se tornando alvos deste capitalismo selvagem, corporativo e parasitário.

Para termos uma ideia, as empresas de transporte público recebem fortunas anualmente, na cidade São Paulo em 2013 o município gastou em torno de R$ 1,25 bilhão para subsidiar empresas privadas de ônibus, em 2011, as empresas obtiveram de lucro cobrindo todos os custos, R$ 1,2 bilhão. Aí temos que citar que essas empresas de transporte entram no rol de empresas financiadoras de campanhas de partidos políticos. E citamos também as empresas (mais conhecidas como empreiteiras) que prestam dos mais variados serviços, e colocamos como exemplo, Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez que de acordo com uma pesquisa do Instituto Mais Democracia;

“Entre as eleições de 2002 e 2012, juntas, as quatro empresas investiram mais de R$ 479 milhões em diversos comitês partidários e candidaturas pelo Brasil. No Estado do Rio de Janeiro, o PMDB é de longe o partido mais beneficiado, com R$ 6,27 milhões, mais que a soma dos quatro seguintes: PT, PSDB, PV e DEM. Porém os repasses podem ser ainda maiores em anos não eleitorais. Em 2013, por exemplo, somente a Odebrecht repassou R$ 11 milhões dos R$ 17 milhões arrecadados pelo PMDB.”

Por isso, reafirmamos, este país tem dinheiro, pertence à população, mas a forma como está sendo gerido nunca trará mudanças radicais para a vida da população.

Vivemos uma ditadura corporativa, ou a população se organiza coletivamente para mudar essa realidade e rompe também com essa lógica de acreditar num ser “bonzinho que vai lutar pelo povo”, ou, continuaremos vivendo esta farsa democrática, onde uns têm privilégios e outros a exclusão social de direitos.

OBS: Indicamos esta matéria sobre as corporações financiando campanhas partidárias, produzida pelo Instituto Mais Democracia do Projeto Quem são os proprietários do Brasil. Vale a pena ler!

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A seleção brasileira venceu apertado do Chile, mas venceu…

julio667A seleção brasileira venceu apertado do Chile, mas venceu, e o goleiro Júlio Cézar tornou-se o novo herói do Brasil, legal! Porém todos sabemos que a seleção não vai tão bem, mas como temos que nos livrar do complexo de vira-latas e acreditar que na Copa das Copas “santo de casa faz milagres sim,” e ganha caneco, vamos comemorar este espetáculo todos juntos, vamos?

Ora,

É esse mesmo o pensamento que temos que ter? Dentro deste futebol negócio onde os clubes de futebol não passam de grandes empresas capitalistas que lucram quantias exorbitantes? Onde todo o investimento (seja qual for o valor) pra construção de estádios (com dinheiro público) é um enorme desrespeito em comparação as necessidades reais deste país? Por isso, está correto nos vestirmos de verde amarelo e gritarmos gol com tanta energia?

O futebol é um esporte que faz parte da cultura popular; elemento de integração social, de sociabilidade, e não só do povo brasileiro, é patrimônio da humanidade, porém, o que temos hoje é uma grande indústria futebolística que faz circular e concentrar bilhões nas mãos de poucos, o passe do Neymar, por exemplo, para o Barcelona saiu à bagatela de 57 milhões de euros – o Ministério Público da Espanha investiga uma denúncia de que o valor chegou aos 74 milhões de euros – enfim, dá pra termos uma ideia da força dessas corporações. E aí? A “parada” é futebol mesmo, ou dinheiro? Sacaram o porquê da FIFA impor suas regras por onde passa.

Pois é,

Mas o povo nas ruas em sua maioria está arrebatado pelo sentimento de Copa do Mundo, como previsto, mesmo com todas as manifestações contra a copa, e até mesmo devido certa insatisfação que se manifestava de forma livre e sem comprometimento, por exemplo, não era (ainda não é) difícil encontrar alguém no ônibus, na fila do mercado ou em qualquer outro lugar, reclamando dos gastos excessivos com a copa, enquanto os serviços sociais estão sucateados. Contudo, a copa iniciou, e essa insatisfação foi sufocada parcialmente pelo torrencial de informações sobre a Copa do mundo. A mídia; jornal, TV, rádio, web, outdoor… Bombardeiam nossas cabeças 24h, é quase impossível fugir. E, aí obviamente que a massa que ver gol, e entregar-se ao simulacro de emoções, e que se dane qualquer discurso (realmente a energia é empolgante, senão fossem os custos).

Daí,

Comunidade removida em Mangueira. No foi construído um estacionamento e um centro automotivo entregues à iniciativa privada.

Comunidade removida em Mangueira – RJ. No local foi construído um estacionamento e um centro automotivo entregues à iniciativa privada.

Não podemos esquecer que para ter este espetáculo sendo realizado o custo é irreparável; é preciso registrar que segundo estudo da Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa, entre 170 a 250 mil pessoas foram removidas para se construir essa copa. Além de que, todo este processo de violência com as remoções representa para a história do povo pobre brasileiro, uma das maiores atrocidades promovidas pelo Estado.

É grito de gol nos estádios e borrachada nas ruas, é alegria alienante pelo entretenimento e tristeza por tudo que foi feito contra a população pobre. Não dá pra fingir! Se a angústia de uma decisão por pênaltis é tão real e coloca corações à mil, imaginem a dor de quem perdeu a casa. Sem contar as outras infinidades de violações.

Copa do Mundo com ou sem vitória da seleção, o legado é vergonhoso.

Futebol teu nome é negócio!

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