Reflexão & Ação: Estado e Movimentos Sociais

O programa Reflexão & Ação, realizado em 03/03/2012, levantou o tema: Estado e movimentos sociais.
Um debate imperdível! Iniciou com uma explanação sobre a formação do Estado moderno, em seguida os pontos: autonomia dos movimentos frente ao Estado; papel dos movimentos sociais; limites da via institucional; horizontalidade, centralismo e vanguarda; experiências de luta no ‘hoje’; outtros, foram levantados pelxs compas Márcio Fernandes, advogado e Simone Maria, educadora popular, com apresentação e mediação de Fernando Rocha e estréia de Lila na técnica.

Confira na íntegra:

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Galeano vive!

Pronunciamento de movimentos sociais e alun@s brasileir@s da escuelita em apoio aos zapatistas; três ações de solidariedade acontecem em São Paulo

galeano“Os valorizo porque eles como que fizeram um compromisso. Dizem que o que aprenderam aqui vão compartilhar com seus companheiros que de alguma maneira não puderam chegar até aqui, e que vão compartilhar o que nós lhes mostramos, o que eles viram, o que eles aprenderam”

(Galeano – José Luís Solís López – sobre a escuelita, Revista Rebeldía Zapatista, n1)

Nós, participantes brasileir@s da escuelita La libertad según las y los zapatistas abaixo listad@s, encaramos a experiência que tivemos lá exatamente como disse o compa Galeano, assassinado recentemente em uma emboscada que feriu mais quinze pessoas no caracol La Realidad. Nos sentimos não só indignad@s com a violência cometida contra a comunidade como compelid@s a, além de plantar por aqui as sementes de autonomia que crescem por aí, estar ao lado d@s zapatistas nos momentos em que se fizer necessário, já que a nossa solidariedade supera a distância e as fronteiras.

E nós, organizações sociais, movimentos e coletivos organizados desde baixo e preocupados com a justiça e a liberdade, igualmente nos vemos na responsabilidade e na disposição de ajudar a somar e ampliar o coro d@s que se revoltam com cada injustiça cometida contra @s que lutam, ainda mais @s que o fazem de forma tão inspiradora vivendo na plenitude de sua autonomia.

Aqui, nesta outra geografia chamada Brasil, chega também a dor e a raiva que ressoa das montanhas do sudeste mexicano.

Os ataques armados que vitimaram Galeano no dia 2 de maio na comunidade La Realidad – onde está sediada uma das cinco Juntas de Bom Governo, estrutura de poder autônoma em relação ao Estado contruída desde baixo pel@s zapatist@s – vieram de grupos paramilitares que há tempos atuam na região. Além dessa morte, houve mais quinze pessoas feridas e a escola e a clínica que servem a toda comunidade, e não só aos zapatistas, foram destruídas.

Passados os tempos mais duros de conflito entre zapatistas e o mau governo após o EZLN declarar a autonomia de seus territórios em 1994, a estratégia estatal para combater o movimento tem sido estimular ataques e provocações paramilitares, numa guerra de “baixa intensidade” que se combina com projetos assistenciais e outras intervenções “sociais” que visam dividir as bases de apoio. A solidariedade internacional é um elemento importante para constranger e frear a ação do Estado, exigindo que ele deixe de fomentar conflitos, de maneira que a autonomia siga seu caminho.

Se vivemos por aqui, com o estímulo de junho passado, tempos de luta e esperança, de mudança e confrontação com a mesma brutalidade dos de cima que existe em Chiapas e no México em geral, buscamos agora, às vésperas da Copa,  construir um período em que mais e mais gente estará nas ruas, lutando por um mundo onde caibam muitos mundos assim como defende o EZLN e suas bases de apoio.

Atendendo ao chamado feito pelos zapatistas, entre os dias 22 e 31 de maio serão realizadas três atividades em solidariedade e demandando o fim das agressões aos territórios autônomos em Chiapas (clique nos links para saber mais e participar):

22/5 – Bate-papo sobre escuelita na Rádio Cordel Libertário
24/5 – Homenagem a Galeano durante Sarau do Fundão da M`Boi
31/5 – Dia de conversa e difusão do zapatismo na Comuna Aurora Negra – dia de solidariedade aos companheiros caídos – Rua Elias Martin, 11 – Rio Pequeno

Esperamos que nossa luta e solidariedade ressoem aí não como um alento, mas como um estímulo a seguir caminhando. Como comentou um compa ao sub Marcos, “não entendam mal nossas lágrimas, não são de tristeza, são de rebeldia”.

L@s zapatistas no están sol@s!

Galeano vive!

La lucha sigue y sigue!

Assinam:

Alun@s da Escuelita Zapatista la Libertad:

Adriana Moreno
Ana Luisa Queiroz
Ana Paula Morel
Breno Zúnica
Bruna Bernacchio
Camila Jourdan
Cândida Guariba
Elisa Matos Menezes
Felipe Addor
Felipe Mattos Johnson
Frederico Luca
Gabriela Moncau
Júlio Delmanto
Léa Tosold
Leonardo Cordeiro
Luiza Mandetta
Maria Aguilera
Marianna Fernandes Moreira
Matheus Grandi
Pedro Rosas Magrini
Rafael da Costa Gonçalves de Almeida
Renata Bessi

Movimentos sociais:

Biblioteca Terra Livre – http://bibliotecaterralivre.noblogs.org
Casa Mafalda – http://casamafalda.org/
Centro de Mídia Independente – São Paulo – http://www.midiaindependente.org
Coletivo DAR – coletivodar.org
Comboio
Comitê Popular da Copa SP – http://comitepopularsp.wordpress.com/
Desinformémonos Brasil – http://desinformemonos.org/
Instituto Praxis
Margens Clínicas
Mídia Negra – www.midianegra.noblogs.org
Moinho Vivo
Movimento Mães de Maio – http://maesdemaio.blogspot.com.br/
Movimento Passe Livre – São Paulo – http://saopaulo.mpl.org.br/
Organização Anarquista Terra e Liberdade – http://terraeliberdade.org/
Rádio da Juventude – http://radiodajuventude.radiolivre.org
Rede 2 de Outubro – http://rede2deoutubro.blogspot.com.br/
Rede Extremo Sul – http://redeextremosul.wordpress.com/
RIZOMA – Tendencia Libertaria e Autonoma – http://rizoma.milharal.org
Zapatistas Milharal – http://zapatistas.milharal.org
Rádio Várzea Livre  107,7 fm  http://varzea.radiolivre.org/

 

[versión en español]

Galeano vive!

Pronunciamiento de los movimientos sociales y alumn@s brasileñ@s de la Escuelita en apoyo a los zapatistas; tres acciones de solidaridad tendrán lugar en São Paulo

 “Además los valoro porque ellos como que hacen un compromiso. Dicen que lo que han aprendido aquí va a ir con sus compañeros que de alguna manera no pudieron llegar hasta acá, y que sí van a compartir lo que nosotros les enseñamos, lo que ellos vieron, lo que ellos aprendieron.”

(Galeano – José Luís Solís López – sobre la escuelita, Revista Rebeldía Zapatista, n1)

Nosotr@s, participantes brasileñ@s de la escuelita La libertad según las y los zapatistas abajo listad@s, encaramos la experiencia que tuvimos allá exactamente como dijo el compa Galeano, asesinado recientemente en una emboscada que hirió a más quince personas en el caracol La Realidad. Nosotr@s estamos no solamente indignad@s con la violencia cometida contra la comunidad, también sentimos la necesidad de plantar las semillas de la autonomía que crecen por todas las partes y estar al lado de l@s zapatistas en este momento, ya que nuestra solidaridad supera distancias y fronteras.

Y nosotr@s, organizaciones sociales, movimientos y colectivos organizados desde abajo y preocupados con la justicia y la libertad, igualmente sentimos la responsabilidad y la disposición de ayudar a sumar y ampliar el coro de l@s que están indignad@s con cada injusticia cometida a l@s que luchan, especialmente a l@s que lo hacen de manera tan inspiradora viviendo en plenitud de su autonomía.

Aquí en esta otra geografía llamada Brasil llega también el dolor y la rabia que resuena desde las montañas del sureste mexicano.

Los ataques armados que mataron a Galeano en el 2 de mayo, en la comunidad de La Realidad – donde está la sede de una de las cinco Juntas de Buen Gobierno, estructura de poder autónoma en relación al Estado construida desde abajo por l@s zapatist@s -, provenían de grupos paramilitares que operan en la región desde hace tiempo. Además de esta muerte hubo otras quince personas heridas y la escuela y la clínica que atienden a toda la comunidad, no sólo a l@s zapatistas, fueron destruidas.

Después de los momentos más duros y abiertos de conflicto entre zapatistas y el mal gobierno, y tras la declaración de la autonomía de sus territorios en 1994, la estrategia del mal gobierno para combatir el movimiento es estimular los ataques y provocaciones paramilitares, una guerra de “baja intensidad” que se combina con otras intervenciones “sociales” destinadas a dividir las bases de apoyo. La solidaridad internacional es importante para limitar y restringir la acción del Estado, exigiendo que deje de fomentar conflictos, de manera que la autonomía siga libremente su rumbo.

Si vivimos aquí, con el estímulo de junio pasado, tiempo de lucha y esperanza, de cambios y confrontación con la misma brutalidad de los de arriba que ocurre en Chiapas y en México en general, buscamos ahora, a la víspera de la Copa del Mundo, construir un periodo en que más y más gente esté en las calles, luchando por un mundo donde quepan muchos mundos, así como defiende el EZLN y sus bases de apoyo.

Respondiendo al llamado hecho por l@s zapatistas, entre el 22 y 31 de mayo tres actividades se llevarán a cabo en São Paulo, en solidaridad y para exigir el fin de los ataques a los territorios autónomos en Chiapas (haga clic en los enlaces para obtener más informaciones):

22/5 – Charla sobre la escuelita en la Rádio Cordel Libertário
24/5 – Homenaje a Galeano en el Sarau do Fundão da M`Boi
31/5 – Charla y difusión del zapatismo en la Comuna Aurora Negra – dia de solidaridad a los compañeros caídos

Esperamos que nuestra lucha y solidaridad resuenen ahí no como un aliento, sino como un estímulo para seguir caminando. Como dijo un compa al sup Marcos, “no entiendan mal nuestras lágrimas, no son de tristeza, son de rebeldía”.

L@s zapatistas no están sol@s!

Galeano vive!

La lucha sigue y sigue!

Firman:

Alumn@s da Escuelita Zapatista la Libertad:

Adriana Moreno
Ana Luisa Queiroz
Ana Paula Morel
Breno Zúnica
Bruna Bernacchio
Camila Jourdan
Cândida Guariba
Elisa Matos Menezes
Felipe Addor
Felipe Mattos Johnson
Frederico Luca
Gabriela Moncau
Júlio Delmanto
Léa Tosold
Leonardo Cordeiro
Luiza Mandetta
Maria Aguilera
Marianna Fernandes Moreira
Matheus Grandi
Pedro Rosas Magrini
Rafael da Costa Gonçalves de Almeida
Renata Bessi

Movimientos sociales:

Biblioteca Terra Livre – http://bibliotecaterralivre.noblogs.org
Casa Mafalda – http://casamafalda.org/
Centro de Mídia Independente – São Paulo – http://www.midiaindependente.org
Coletivo DAR – coletivodar.org
Comboio
Comitê Popular da Copa SP – http://comitepopularsp.wordpress.com/
Desinformémonos Brasil – http://desinformemonos.org/
Instituto Praxis
Margens Clínicas
Mídia Negra – www.midianegra.noblogs.org
Moinho Vivo
Movimento Mães de Maio – http://maesdemaio.blogspot.com.br/
Movimento Passe Livre – São Paulo – http://saopaulo.mpl.org.br/
Organização Anarquista Terra e Liberdade – http://terraeliberdade.org/
Rádio da Juventude – http://radiodajuventude.radiolivre.org
Rede 2 de Outubro – http://rede2deoutubro.blogspot.com.br/
Rede Extremo Sul – http://redeextremosul.wordpress.com/
RIZOMA – Tendencia Libertaria e Autonoma – http://rizoma.milharal.org
Zapatistas Milharal – http://zapatistas.milharal.org
Rádio Várzea Livre  107,7 fm  http://varzea.radiolivre.org/

 

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Pressão popular marca a 1ª Audiência Pública sobre o Túnel Santos – Guarujá

Ocorreu terça-feira, 12/11, na Arena Santos, a 1ª Audiência Pública sobre o Túnel que ligará Santos – Guarujá.

A população marcou presença mesmo incerta da Audiência acontecer devido uma liminar do Ministério Público pedindo a suspensão. Porém a Dersa entrou com recurso e conseguiu reverter.

2Dentre os questionamentos levantados, além do já publicado neste mesmo site (leia aqui), tiveram: Falta de planejamento junto à CET; O projeto não possui o Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) e Urbano; Descumprida a lei que determina que todo projeto que causa impacto na cidade deve ser entregue e apresentado com 45 dias de antecedência; Pessoas com moradia comprometida; Várias outras necessidades mais prioritárias foram apontadas.3

Após várias intervenções e gritos de repúdio, correu um Abaixo Assinado de pedido de NULIDADE da Audiência Pública, a qual juntou um mínimo de 50 assinaturas com nomes e RGs.

 

Segue abaixo o audio com alguns momentos da Audiência:

Logo menos publicaremos mais informações.

Seguimos alertas!
Viva a pressão popular!

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Moção sobre Pinheirinho lida na 3ª Mostra de Teatro Olho da Rua – Santos (SP)

O manifesto sobre a invasão da polícia em Pinheirinho (São José dos Campos) foi lido na noite de sexta, dia 27/1/12, no Valongo (Santos), durante programação da 3ª Mostra de Teatro Olho da Rua, que tem a Rádio da Juventude como um dos parceiros.

SOMOS TODOS PINHEIRINHO!

Moção Pinheirinho – Mostra Olho da Rua – Santos.mp3

Moção de Repúdio dos Trabalhadores da Cultura à Política do Coturno em Pinheirinho

De um lado, pelo menos 1.600 famílias que lutam pelo direito de morar no bairro do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), ocupação que tem oito anos de existência. Do outro, mais de 2.000 policiais militares e civis cumprindo ordens da Justiça Estadual e da Prefeitura de São José dos Campos, em favor da massa falida da empresa Selecta, pertencente ao mega-especulador Naji Nahas.

Ainda que não houvesse outras circunstâncias agravantes no caso, já seria possível constatar que as instâncias dos poderes executivo e judiciário fizeram a opção, em Pinheirinho, pela lei que protege a especulação imobiliária, em detrimento do direito das pessoas à moradia.

Vence mais uma vez a política do coturno em prol do capital. De um lado, bombas, armas, gases, helicópteros, tropa de choque. Do outro, dois revólveres apreendidos. Não há notícia de que tenham sido usados. Uma praça de guerra é instalada – numa batalha em que um exército ataca civil.

Não há plano de realocação das famílias. As que não conseguiram ou não quiseram fugir, ou receberam dinheiro para passagens para outras cidades, ou estão sendo mantidas cercadas, com comida racionada, como num campo de concentração. A imprensa não pode entrar no local, não pode fazer entrevistas, e os hospitais da região não podem informar sobre mortos e feridos. O que se quer esconder?

O Governo do Estado lavou as mãos diante do caso, assim como o Superior Tribunal de Justiça. O Governo Federal tardou em agir. A chamada “função social da propriedade”, prevista na Constituição Brasileira, revelou-se assim como peça de ficção, justamente onde a ficção não deveria ser permitida.

Mais uma vez, o Estado assume o papel de “testa de ferro” para as estripulias financeiras da “selecta” casta de milionários e bilionários. A política do coturno em prol do capital vem ganhando espaço. Assim está acontecendo na higienização do bairro da Luz, em São Paulo , preparando-o para a especulação imobiliária; assim vem acontecendo na repressão ao movimento estudantil na USP, minando a resistência à privatização do ensino; assim acontece no campo brasileiro há tanto tempo, em defesa do agronegócio. Os exemplos se multiplicam. E não nos parece fato isolado que, hoje, a quase totalidade dos subprefeitos da cidade de São Paulo sejam coronéis da reserva da PM.

Nós, trabalhadores artistas, expressamos nosso repúdio veemente a esse tipo de política. Mais 1.600 famílias estão nas ruas: a lei foi cumprida. Para quem?

ENTIDADES E MOVIMENTOS PARTICIPANTES:

Avoa! Núcleo Artístico
Brava Cia de Teatro
Buraco d’Oráculo
Cia Antropofágica de Teatro
Cia Estável de Teatro
Cia Ocamorana de Teatro
Grupo Teatral Parlendas
Cia São Jorge de Variedades
Cooperativa Paulista de Teatro
Dolores Bocaaberta Mecatrônica
Estudo de Cena
Kiwi Companhia de Teatro
Movimento de Teatro de Rua
Movimento dos Trabalhadores da Cultura
Núcleo Pavanelli de Teatro de Rua e Circo
Roda do Fomento
Trupe Olho da Rua – Santos – SP
Karina Martins
Núcleo do 184
Trupe Sinhá Zózima
A Jaca Est
Grupo Redimunho de Teatro
Coletivo Núcleo 2
Juliana Rojas (Filme: Trabalhar Cansa)
Atuadoras
Rede Brasileira de Teatro de Rua

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Caos no atendimento à saúde indígena. Um crime burocrático?

O atendimento estatal à saúde indígena parece que já nasceu moribundo, e a cada instante uma parte do corpo deixa de funcionar. Tempos atrás, ao perguntar sobre a situação da saúde em uma aldeia, ouvi a seguinte brincadeira “A saúde tá boa… pra quem tem”. Essa foi pra mim uma frase simples e marcante, pois conseguiu resumir para mim de forma irônica: não podemos depender de médico, enfermeiro, dentista, transporte de emergência, assim, o jeito é não ficar doente. De lá pra cá só tenho visto a crescente omissão do poder público. O jogo de empurra durante o ano de 2011 entre Funasa (Fundação Nacional da Saúde) e Sesai (Secretaria de Saúde Indígena) só fez com que esta ação moribunda terminasse realmente de definhar.

A Funasa durante mais de dez anos foi usada e abusada por uns tantos esquemas de corrupção como quase todos os setores da saúde do país. O próprio modelo de gestão já dava desde o início toda a abertura para que isto acontecesse, espirrando o dinheiro da saúde indígena nos municípios e no terceiro setor sem o devido controle público. Os protestos das comunidades indígenas foram constantes, mesmo com as seguidas investidas dos envolvidos nos esquemas políticos no sentido da cooptação de lideranças, no que muitas vezes fracassaram. Tudo isto fez com que este serviço básico afundasse ainda mais e a relação com as comunidades fosse cada vez mais desgastada. Foram mais de dez anos sem que se tenha visto um programa sequer de nível nacional atendendo às reivindicações das comunidades para a valorização da medicina tradicional indígena, que sequer era respeitada, ou para o combate à dependência química, principalmente do álcool, nem houve qualquer programa em nível nacional para a promoção de sistemas de saneamento adequados à realidade indígena e rural. Enfim, elementos básicos para se vislumbrar um atendimento à saúde diferenciado. A Funasa, com o corpo de funcionários afogado na burocracia e equipes de saúde terceirizadas, muitas vezes se resumiu a repassar verbas nem sempre utilizadas de forma correta e a disponibilizar veículos e motoristas para levar os indígenas para serem atendidos na cidade pelo SUS, no que sempre houve muita inconstância. Só nos últimos cinco anos em que a saúde indígena esteve sob responsabilidade da Funasa foram desviados mais de meio bilhão de reais.

Passamos o ano de 2010 com a perspectiva de que a ação de saúde indígena iria ser transferida da Funasa para a nova Secretaria de Saúde Indígena a ser criada. Em 2011 a transferência da ação de saúde indígena da Funasa para a Sesai foi mais de uma vez protelada, e muitas vezes não se sabia a quem recorrer, se à Funasa, que alegava estar encerrando suas ações de saúde indígena, ou à Sesai, que alegava estar ainda em processo de estruturação e por este motivo ainda não havia assumido a ação.

Recapitulando com maiores detalhes: durante o ano de 2011, houveram inúmeros casos de falta de medicamentos, dificuldade das equipes de saúde em se deslocar para as aldeias, inacessibilidade dos indígenas ao serviço de transporte dos enfermos, principalmente em casos de urgência, omissão no controle da qualidade da água nos sistemas de abastecimento, falta de água causada por omissão na manutenção e reposição de materiais, morosidade ou mesmo inoperância na instalação e manutenção de sistemas de saneamento.

Um caso emblemático é o da aldeia Tangará, em Itanhaém – SP, onde entre 2010 e 2011 vieram a óbito quatro crianças. Em uma delas foi feita biópsia e foi constatado forte indício de que a anemia profunda que sofria foi causada por contaminação da água e levou à morte da criança. Uma servidora pública que vinha acompanhando com preocupação a situação desta comunidade e pretendia investigar inclusive a qualidade da água foi vetada por pessoas da Funasa de prosseguir com suas visitas à aldeia.

Entretanto, uma dúvida: Foi a crise permanente da Funasa na ação de saúde indígena que motivou a criação da Secretaria de Saúde Indígena – SESAI? Será que devemos ser otimistas em relação às decisões dos mesmos governantes que tantas provas nos deram do amor que têm pelo povo? Hoje, em 2012, a responsabilidade da ação de saúde indígena está toda na Sesai, porém, simplesmente iniciamos o ano sem qualquer ação na área da saúde: as equipes não têm condições de serem transportadas, pois os carros estão parados; os agentes de saúde indígena de São Paulo estão sem receber seus honorários, situação que possivelmente deve estar ocorrendo também em outros Estados; além disto os problemas de 2011 persistem.

Apesar de haver se passado um ano da criação da Sesai, será que não houve tempo hábil para a transição? Será a falta de contratos, licitações para combustível, manutenção de veículos? Não existe uma série de argumentos jurídicos e administrativos que tratam da emergência no atendimento à saúde com os quais se dispensam de licitação até mesmo ambulâncias e equipamentos caríssimos, frequentemente utilizados para o desvio de verbas? Por outro lado, vemos argumentos referentes às mudanças na gestão da saúde indígena, no sentido da otimização dos recursos públicos. Pergunto: Será ótimo para quem? Otimizar para reduzir as verbas realmente aplicadas na ponta e continuar a alimentar a máquina burocrática e o desvio? Otimizar o clientelismo político?

Toda minha ingenuidade ainda me permite acreditar que haveremos de ver uma verdadeira reestruturação do atendimento público à saúde indígena, onde os altos recursos que hoje são sugados pela máquina e pela corrupção sejam investidos realmente em saúde, e na qual haja o apoio à medicina tradicional, à fitoterapia e às formas indígenas próprias de curar enfermidades de ordem mental, espiritual, que venham a contribuir até mesmo no tratamento de casos como a dependência química dentre outros problemas advindos do contato com a sociedade não-indígena. Para que isto aconteça estou certo da necessidade primordial da organização das comunidades indígenas neste sentido e dos trabalhadores que com elas atuam, pois isto não será realizado por nenhum governante. Pretendo com estas palavras não apenas a denúncia, que por si não tem a capacidade de transformar a realidade, mas conclamar a sociedade, indígena ou não, que conscientes do direito fundamental à saúde, viremos o jogo a nosso favor por meio da organização, da prática e da luta.

Jaguanharõ

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3° Ato contra o aumento do busão! Praça da Independência – Gonzaga – Santos

Documentário sobre as manifestações que estão ocorrendo na baixada Santista em relação ao aumento das passagens nos coletivos.

Quem não grita quer tarifa!

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=flU38StbnqU&w=300&h=255]

3º Ato: 10h30 – Praça da Independência – Gonzaga – Santos

Levem cartazes, apitos, protestos e indignação contra esses aumentos abusivos!

Apoio: JOC BrasilCES, Juventude e Luta, Ideia Quente, Opcional TV, Diga a Verdade e Saia Correndo, Passa Palavra e demais compas de luta!

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