#1 Sarau Diz’Quina

A primeira edição do Sarau Diz’Quina – Atividade cultural organizada principalmente por moradores da Vila Margarida, SV – aconteceu mesmo debaixo de um quase dilúvio no domingo, 8 de Março.
Com a temática “Mídia”, o evento iniciou com a projeção do doc. Manual Radio Livre seguido de um debate sobre o monopólio da comunicação no Brasil e algumas formas de fazer frente a essa lógica avassaladora de culturas, ideias, resistências, diversidades, etc. Também foi levantada a questão da objetificação da mulher e o apelo machista utilizado pelos grandes Meios. Na sequência o mano William lançou algumas ideias sobre a Literatura e sua relação com a mídia. O Sarau seguiu animado com poesia, troca de ideias e intervenção musical feita por parte da galera organizadora do rolé. Enquanto tudo isso acontecia o mano Caio Cesar mandava um graffite que ao final se tornou um grande registro deste espaço de cultura e resistência.
O evento contou com xs compas da Trupe Olho da Rua, Sarau da Vila em Movimento, além do grande esforço e talento da galera, maioria do bairro, que se preocuparam com cada detalhe da ornamentação.

Arriba o Sarau Diz’Quina!
Arriba a cultura popular!
Arriba a comunicação livre!

E que venham os próximos .0/

 

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Rádio Feira – O voto realmente muda nossa vida?

No dia 04 de outubro de 2014 a Rádio da Juventude promoveu mais uma edição da Rádio Feira, fortalecendo a comunicação popular na feira livre da Vila Margarida – São Vicente. No dia que marcou véspera de eleições presidenciais a pergunta foi colocada para reflexão: O voto realmente muda nossa vida? Como realmente podemos mudar nossa realidade?

Além de reflexões a atividade contou com o lançamento da segunda edição do boletim informativo da Rádio da Juventude.

Fortaleça a comunicação popular!

Confira alguns registros:

Rádio Feira – Outubro 2014 (Rádio da Juventude)

Download: VBR MP3 (91.8 MB) | Ogg Vorbis (49.5 MB)

 

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Rádio feira e a Comunicação popular

Foto: Rádio da Juventude

Foto: Rádio da Juventude

A rádio feira é uma atividade realizada na feira da livre da Vila Margarida – SV, com intuito de produzir uma comunicação direta de povo para o povo, e com o povo participando e se apropriando dessa ferramenta chamada comunicação, de modo, a produzir coletivamente (grupo de comunicação da rádio e quem “cola” e quer participar) questionamentos sobre a realidade do bairro, da cidade e da vida. Por isso é um espaço aberto de interação e produção de ideias e de cultura, onde as pessoas podem falar, onde os artistas locais podem apresentar sua arte, tudo isso, sem ter que atender a uma determinada imposição, norma ou pagar um jabá.

Foto: Rádio da Juventude

Foto: Rádio da Juventude

A rádio feira é este momento em que as barreiras são quebradas e a população ganha voz, empoderamento e compartilha saber, seja de crítica social, ou não. Numa sociedade que silencia a todos por meio de regras e ordens feitas para controlar, escravizar e excluir, se sentir visibilizado às vezes pode significar muito, mesmo num espaço curto de tempo. Portanto, é neste momento que a comunicação popular ganha sentido “real”, quando ela subverte a lógica vertical e homogênea, e torna-se um espaço realmente aberto e horizontal que busca estimular a ressignificação da vida em sociedade, de modo que todas as pessoas tenham o direito de participar deste processo.

Viva a rádio Feira!!!

Todas as fotos aqui

Vídeos:

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[AUDIOS] 1º de maio no México 70 – Artístico e Classista!

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Confira alguns registros em audio da atividade de 1 de maio / Primeiro encontro de graffiti do México 70.

Leia a matéria completa, com as fotos do evento

Download dos audios aqui

Infelizmente não conseguimos registrar a intervenção musical dos companheiros Antônio do Pinho e Dionísio. Por isso, segue o link de uma das músicas que eles apresentaram:

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Mídia corporativa divulga informação falsa a respeito de interferência por parte da Rádio Muda

fonte: http://muda.radiolivre.org/node/246

A Rádio Muda vem recebendo acusações de veículos de comunicação como o Correio Popular que versam sobre a Rádio Muda interferir em comunicação de aeronaves.
Na página A4 de hoje (25/02/2014) do Correio Popular de Campinas e reportagens televisivas da EPTV são feitas afirmações a respeito de dezenas de registros de interferências em aeronaves, pois bem, a Rádio Muda opera em 88,5MHz, frequência distante da faixa de comunicação de aeronaves, que vai de 118 a 136MHz, excluindo portanto a possibilidade de interferência de canal adjacente.
Qualquer harmônico da frequência da Rádio Muda também não está dentro da faixa alocada para comunicação de aviões, e não existem emissoras FM próximas a Rádio Muda que permitam que ocorra a geração de frequências produto de intermodulação.
O transmissor utilizado e construído para a Rádio Muda usa filtro de harmônicos (passa-baixa) e tem emissão de expúrios em canal adjacente compatível com a máscara de emissão estabelecida pela Anatel, atestada por engenheiros elétricos da Unicamp utilizando analisador de espectro.
Não existe nenhuma medida de campo que comprove qualquer intereferência da Rádio Muda em aviões ou outras emissoras de rádio.
Gostaríamos de pedir que esses veículos de comunicação mostrem as fontes que supostamente comentam sobre interferências de emissoras FM em comunicações de aeronaves, e ficaremos felizes de saber que mais pessoas tomarão conhecimento que grande parte das interferências em comunicações de aeronaves provêem de grandes emissoras de rádio e TV, que operam em potência superior à potência permitida pela concessão além de operarem normalmente em localização distinta da localização especificada na outorga.
Nunca foi registrado nenhum acidente na história da aviação causado por interferência de emissora FM.
Segue anexo um documento de um engenheiro do CPqD desmistificando essa questão da interferência: http://muda.radiolivre.org/sites/muda/files/Interferencia%20radio%20FM.pdf
Piratas são os grandes meios de comunicação, a Rádio Muda não está atrás do ouro!

RESISTÊNCIA!

Após covarde invasão e saque do estúdio da Rádio Muda, com apoio da Unicamp, o coletivo da Rádio Muda e muitos apoiadores retomam o estúdio. Rádio Muda, no ar há aprox. 30 anos!

Solidariedade e Debate com outras rádios livres

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ATENTADO À RÁDIO MUDA: Os piratas da Anatel e da reitoria atacaram novamente!

ATENTADO À RÁDIO MUDA: Os piratas da Anatel e da reitoria atacaram novamente! (primeira nota)

fonte: http://muda.radiolivre.org/node/236

fotos da muda, 23 de fevereiro 2014

Na manhã de domingo, 23 de fevereiro de 2014, a Rádio Muda – que transmite diariamente há 3 décadas da caixa d’água da Unicamp, e conta com o apoio de estudantes, professores, funcionários e comunidade – foi saqueada novamente!

Diferente das últimas três vezes, onde foram removidos apenas os equipamentos de transmissão, desta vez a rádio foi completamente esvaziada, tendo inclusive a divisória do estúdio e a porta removidas. Além disso, foi instalada uma placa com os dizeres: “Vigilância do Campus”, indicando que o ataque partiu também, da reitoria, de maneira premeditada e sorrateira.

fotos da muda, 23 de fevereiro 2014

Substituindo uma rádio livre por um posto de vigilância, num local de histórica relevância para o movimento de comunicação livre, o pretenso “reitor do diálogo” mostra claramente sua posição em relação à liberdade de comunicação.

Convocamos todos os ouvintes, radiolivristas e apoiadores da liberdade a comparecerem à Rádio Muda (ao lado da caixa d’água do Ciclo Básico na Unicamp) para uma grande transmissão coletiva/ocupação/reunião/festa! Que terá duração até conseguirmos nosso espaço de volta!

Tragam música, poesia e disposição!

A Rádio Muda não se cala! Em breve voltaremos ao ar, diretamente da caixa d’água e em 88,5 fm livre!

Apoiadores desta nota:

DCE - UNICAMP
CAF (Centro Acadêmico de Física)
CABS (Centro Acadêmico Bernardo Sayão)
CACH (Centro Acadêmico de Ciências Humanas)
CAIA (Centro Acadêmico do Instituto de Artes)
CAL (Centro Acadêmico de Letras)
STU (Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp)
Coletiva das Vadias de Campinas
Coletivo Para Fazer Diferente
Rádio da Juventude
ANEL

 

PROGRAMAÇÃO E OCUPAÇÃO CONSTANTE DA RÁDIO MUDA E CENTROS ACADEMICOS!

“nota dois ocupação rádio muda” – fonte: http://muda.radiolivre.org/node/240

Na manhã de 24 de fevereiro de 2014 o coletivo da Rádio Muda foi atendido
pelo chefe de gabinete da reitoria, Paulo Cesar Montagner, na ausência do
reitor Tadeu Jorge, que está de férias.

fotos da ocupação, 24 de fevereiro de 2014, segunda-feira

Segundo a reitoria, o Ministério Público Federal foi o responsável pela
invasão e confisco de todo o material presente no estúdio (equipamentos de
transmissão, móveis, parede divisória, quadros, tomadas, entre outros).
Apesar dessa afirmação, guardas da universidade foram vistos participando
da retirada do material do estúdio. Ainda, segundo Montagner (conhecido
como “Cesinha”, da Faculdade de Educação Física), a situação da Rádio Muda
se tornou “insustentável” para a Unicamp, justificando dessa forma a
tomada do espaço.
Na manhã de domingo, a Unicamp, reforçando seu caráter anti-democrático,
transformou o espaço da Rádio Muda em posto de segurança, instalando uma
placa na frente do estúdio “vigilância do campus”, com seus guardas
permanecendo 24 horas no local e impedindo a entrada dos programadores na
rádio. Não houve aviso prévio à comunidade acadêmica ou ao coletivo da
Rádio Muda.
Desde então, alunos e programadores da rádio, em protesto, estão acampados
ao redor da rádio.
Em reunião conjunta entre o Coletivo da Rádio Muda e entidades estudantis,
realizada na ocupação, foi deliberado pela ocupação permanente do espaço
até a rádio voltar ao ar.
Consideramos a tomada do espaço da Rádio Muda uma afronta da Unicamp aos
movimentos sociais e à comunidade acadêmica. A Rádio Muda é uma rádio
livre e projeto de comunicação existente no campus há aproximadamente 30
anos, com plena legitimidade dentro e fora do campus durante todas essas
décadas. Nas últimas décadas passaram pelos estúdios da rádio, milhares de
pessoas, aprendendo e disseminando conhecimento para outra universidades,
estados e países através da pesquisa na área de comunicação. A atual
gestão da universidade demonstra total desconhecimento dessa história, se
indispondo ao diálogo e sequestrando de forma agressiva um espaço
histórico de comunicação livre e organização estudantil e da comunidade de

Barão Geraldo. Não aceitamos isso. A Rádio Muda voltará ao ar!

Consulte a programação dia a dia no site da rádio: muda.radiolivre.org

SEGUNDA FEIRA 24/FEV

12h
Reunião da Xavant TV

TARDE
Programação conjunta Ocupação Rádio Muda e Calourada do IFCH (Instituto de
Filosofia e Ciências Humanas) a ser realizada na Ocupação Muda e no IFCH

14h
Roda de discussão: A política da reitoria de restrição dos espaços de
vivência, junto a almoço comunitário, para questionar a retirada da
cantina do ifch e agora da Rádio Muda!

16h Oficina de fotografia

17h Caça ao tesouro + roda de discussão legalização das drogas com
Coletivo Delta 9

18h- SARAU CALOURADA IFCH + OCUPA MUDA
Acústico com boa música brasileira (Du e Meire) + Traga seu instrumento
===========
TERÇA FEIRA 25/FEV

MEIO DIA: REUNIÃO CONJUNTA CENTROS ACADÊMICOS DA UNICAMP, NA OCUPAÇÃO

22H
Calourada da economia na Ocupação, com a exibição de “No”
============
QUINTA FEIRA 27/FEV

INDIVATIVO DE ASSEMBLÉIA GERAL DOS ESTUDANTES DA UNICAMP

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O que é Espectro Livre?

Post de origem: Portal Rádio Livre

O que é Espectro Aberto*?

“Espectro Aberto” se baseia na ideia de que a tecnologia pode reduzir ou mesmo eliminar a necessidade de os governos micro-gerenciarem as comunicações sem fio. Em diferentes contextos, pode ser interpretado como:

* um ideal de liberdade no uso de radiofrequências;
* uma crítica à gestão tradicional do espectro;
* uma proposta decorrente de tendências em design de rádio;

Na verdade, Espectro Livre é tudo isto, o que levou a diferenças de ênfase e de opinião entre os seus apoiadores. Um site pode não resolver estas diferenças, mas pode posicionar o nosso trabalho, esclarecendo algumas opções políticas.

Por quase um século, os governos têm imposto limites ao uso do rádio: quem pode transmitir ou receber, em que freqüências e formas de onda, com que potência, em quais localidades, com que finalidades. As licenças resumem essas restrições para usuários ou “estações” específicas. O controle do Estado no uso de rádio vai muito além do que é aceito em outros meios de comunicação (fala, texto, fotografia, Internet, etc.). A maioria das pessoas ainda aceita as regras estritas para o rádio porque se acredita que são necessárias para evitar o caos e interferência.

No entanto, durante os últimos 20 anos, rádios mais inteligentes foram desenvolvidos, o que tem trazido progressos significativos na solução de problemas que antes exigiam a intervenção do governo. Telefones sem fio podem mapear automaticamente a banda para selecionar um canal livre. As redes celulares GSM podem ser alocadas dinamicamente quando as freqüências celulares estão habilitadas, e definir os níveis de sinal ao mínimo necessário para a conexão adequada. Receptores inteligentes podem separar os sinais codificados de forma diferente, mesmo quando ocupam o mesmo canal. Os rádios inteligentes tendem a combinar a facilidade de uso com melhor qualidade e suporte para novas aplicações. A combinação destas características tem estimulado um grande crescimento na demanda por dispositivos sem fio. A disseminação desses dispositivos melhora significativamente o desempenho econômico, a produtividade, a segurança pessoal, a conveniência e a coesão social.

Mas a explosão da tecnologia sem fio também mostra que os regulamentos destinados a proteger o equipamento de rádio “tolo” de interferência cria uma escassez artificial de freqüências. Estudos recentes demonstraram que as atribuições de frequência estática podem resultar em valores de utilização de banda de apenas 5-10%. Alguns especialistas em rádio começaram a se preocupar com isso em meados dos anos 90, abrindo caminho para o Open Spectrum surgir como um modelo alternativo de gestão do espectro. Eli Noam, Yochai Benkler, Dave Hughes e Kevin Werbach estavam entre os primeiros a argumentar em defesa do Espectro Aberto como uma opção política séria. Mas o que motivou esse desenvolvimento foi a decisão tomada pela Comissão Federal de Comunicação dos Estados Unidos, em 1985, autorizando o uso de novas tecnologias de comunicação nas bandas para dispositivos “Industriais, Científicos e Médicos” (ISM sigla), sem licença, que deram início a esta evolução.

A comunicação nas bandas ISM deve tolerar interferência. Isto contrasta com a gestão do espectro tradicional, em que o objetivo é evitar interferências. A proteção contra interferência normalmente é alcançada através da proibição de outros transmissores em usar um canal restrito (para uso somente com licença) dentro de uma “zona de proteção” geográfica. No entanto, o Wi-Fi, uma tecnologia desenvolvida para as bandas ISM, mostrou que um grande número de pessoas pode compartilhar a banda, sem haver canais atribuídos especificamente, se todos utilizam baixo consumo de energia e as formas de onda projetadas para minimizar os efeitos de interferência. Sem zona de proteção, não há justificativa técnica para licenciar Wi-Fi. Na verdade, como evidenciado em nossa pesquisa global, a maioria dos países não impõe atualmente nenhum licenciamento de tecnologias Wi-Fi.

O Wi-Fi é frequentemente citado como prova de conceito do Espectro Aberto, dando validade ao “commons sem licença” como um paradigma prático para gestão de freqüências. É por isso que estamos nos concentrando na remoção de licenças do Wi-Fi como uma medida para promover a harmonização regulatória para começar o caminho do acesso livre e público ao rádio. No entanto, também deve ser notado que Espectro Aberto é um conceito muito mais amplo do que o Wi-Fi. Além disso, o Wi-Fi funciona bem para a ampla aceitação do padrão IEEE 802.11b, e porque os processos obrigatórios de “Aprovação do modelo” (em que os órgãos reguladores aprovam a venda e o uso irrestrito de equipamentos que estiverem de acordo com determinados parâmetros, particularmente sobre a energia de radiação e a frequência de utilização). Portanto, sem licença não é o mesmo que não regulamentado. Apoiadores do Espectro Aberto parecem estar divididos por esta distinção, alguns são a favor da completa desregulação, enquanto outros (como nós) aderem ao modelo de aprovação do modelo como preferível ao licenciamento.

O acesso não autorizado a bandas licenciadas é outro assunto polêmico. Os sinais de banda UltraLarga (UWB sigla), por exemplo, podem ser usados em potências muito baixas – de fato, abaixo do que já é permitido para emissões UWB involuntárias -, tanto é assim que, na verdade, a maioria das pessoas acredita que interferências UWB sobre serviços licenciados são impossíveis. Por outro lado, alguns licenciados, que pagaram milhões de dólares para as suas frequências, não querem que os outros tenham a possibilidade de usar as mesmas freqüências sem pagar. Uma abordagem diferente é a do “rádio cognitivo”. Dispositivos cognitivos reconhecem a presença de outros sinais em seu ambiente, resintonizando rapidamente para canais gratuitos e desocupando o canal quando o licenciado primário começar a usá-lo. Na realidade, um acesso dinâmico e oportuno como este poderia favorecer a utilização da banda em níveis muito elevados. Porém, seria o risco de interferência de rádios cognitivos realmente mínimo? Esta é uma questão que requer mais testes em uma ampla variedade de condições. No entanto, a abertura de uma banda licenciada para compartilhar o uso com equipamentos não licenciados é mais fácil que limpar uma banda para usuários licenciados. Então, se você acha que o Espectro Aberto é algo que pode ser introduzido gradualmente, esta é uma alternativa importante.

Serviços “passivos” de rádio, como radioastronomia e “downlinks” de satélites representam um problema especial. As estações terrestres não emitem sinais que podem ser detectados por rádios cognitivos e estes têm que ser capazes de receber sinais muito fracos sem interferência. É possível que as bandas para os serviços passivos precisem de ser protegidas, tais como reservas naturais e, portanto, excluídas do uso não autorizado. Para nós, isso não seria um problema, mas outros defensores espectro aberto acreditam que todas as bandas de rádio deve ser commons sem licença reguladas apenas por “regras mínimas necessárias para permitir o sucesso do commons sem fio”.

Apesar dos problemas e riscos, algumas pessoas acreditam que a tecnologia wireless está evoluindo inevitavelmente em direção a um futuro em que as formas tradicionais de regulação serão impossíveis. Bilhões de etiquetas de identificação por radiofrequências (sigla RFID) estarão se espalhando por todo o mundo na próxima década; e serão tão difíceis de controlar como uma epidemia. Outro desafio é o de “rádio controlado por software”. Mais e mais funções de rádio que eram executadas no hardware podem ser implementadas em software no futuro. Se este software é open source, ou pode ser modificado ou substituído depois de ser adquirido, o processo de “modelo aprovado” vai cair.

Então, o que vai acontecer? Otimistas vislumbram um futuro pós-regulação onde a competição darwiniana no mercado vai produzir aparelhos “finíssimos”, imunes a interferências e capazes de encontrar automaticamente e explorar qualquer vestígio de espectro subutilizado quando necessário. Assim como os animais maiores são geralmente plácidos vegetarianos, os usuários de equipamentos poderosos de rádio podem optar por não causar interferência, para o benefício comum. Normas e protocolos amplamente aceitos para automatizar a cooperação e a “polidez” parecem essenciais para o sucesso neste campo. Se se pudesse criar um sistema que, espontaneamente, se auto-organizasse e impusesse rapidamente multas por interferência, estaríamos também todos mais seguros no futuro.

Nossos objetivos são mais modestos. Queremos eliminar o atual papel do governo em conceder licenças a indivíduos e organizações para o uso inofensivo do rádio, particularmente em países em desenvolvimento. Para afirmar isso de forma positiva, destacam-se os benefícios da comunicação sem fio para o desenvolvimento social e econômico em áreas que podem ganhar mais com isso. Como diminui a necessidade de abordar o rádio com especial rigor para combater as deficiências de tecnologia, a regulamentação do rádio deveria se convergir rumo aos padrões que se aplicam ao meio mais comum – que é a capacidade dos seres humanos em falar. Pode demorar um pouco para chegar a esse ponto, mas o progresso ao longo do caminho será marcado pelo crescimento econômico e melhoria da qualidade de vida.

fonte: http://openspectrum.info/

*Nota da Tradução: O termo Espectro Aberto se refere a uma liberação do uso das frequências sem licenciamento. O termo que alguns preferimos é o Espectro Livre, referindo-se a uma faixa onde o uso seria previsto para emissões “livres do poder e livres do dinheiro”.

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Subindo a serra e fortalecendo o poder popular!

Neste fim de semana que marca a nossa volta (finalmente!) às transmissões de sábado, depois de umas semanas de muito trabalho de organização, a Rádio da Juventude também estará presente na Grande São Paulo, pra duas atividades, sábado e domingo. Assim, ajustando nossos calendários e nossas geografias com nossas e nossos compas, procuramos estar juntas e juntos em todas as quebradas, fortalecendo com quem realmente tá comprometido com o poder popular.

A atividade de sábado é a Inauguração do Espaço Povo Forte, em Suzano. Como tá escrito no evento do facebook, o lugar é um espaço é libertário, anticapitalista, político e cultural, totalmente independente, apartidário e autônomo. Estaremos lá a convite dos compas do Ktarse, que desde o ano passado tão com a gente na luta. Além dos vários coletivos presentes, também vai colar o Eduardo, do Facção Central, que vai trocar uma ideia sobre o livro dele. Segue aí o cartaz, só clicar que ele abre:

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O segundo evento, no domingo, é o “Odeia a mídia? Seja a mídia!”, na Casa de Cultura Marginal, em Sampa (Rua Silva Bueno, 1257, no Ipiranga – num sobradão em cima de uma igreja evangélica!). A entrada é 5 reais, e lá vai rolar o seguinte:
* Bate-papo com a Rádio da Juventude e oficina de rádio livre;
* Bate-papo com Frequência daMata;
* Palestra com Claudia da Rádio Heliópolis

+ Apresentação dos grupos Liberdade e Revolução e FRN (Rap), e Infernal Noise (Grindcore)

+ Venda de rango vegan

Todas e todos estão convidados a colar junto nessas duas atividades. Só com a união entre os movimentos e coletivos, sem sectarismos nem vanguardismos, construindo espaços e iniciativas concretas, conseguimos acumular forças pra derrotar nossos inimigos.

Bora então?

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Brecht e a “Teoria do rádio”

Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142007000200017&lng=en&nrm=iso

Celso Frederico

“Não existe nenhuma possibilidade de evitar o poder da
desconexão mediante a organização dos desconectados?”

AS REFLEXÕES pioneiras de Brecht sobre o rádio estão sintetizadas num conjunto de breves artigos sobre esse então novo meio de comunicação, escritos entre 1927 e 1932, no mesmo período das “peças didáticas”.1 Em ambas as intervenções encontram-se o apelo à participação, o incentivo para que o mundo do trabalho tome a palavra. Os conhecimentos teóricos do teatro épico, diz Brecht, podem e devem ser aplicados à radiodifusão.

O novo teatro e o novo meio de comunicação caminham juntos para realizar o imperativo de interatividade, deixando para trás o antigo conceito que via a cultura como uma forma que “já está constituída” e, portanto, “não carece de qualquer esforço criativo continuado”.

O “esforço criador”, tanto no teatro como na radiodifusão, não se contentava com o “aprimoramento” dessas entidades, de abastecê-las com bons produtos, mas visava à sua transformação radical. Vale aqui lembrar a famosa passagem de “Notas sobre Mahagonny”, escritas em 1930:

a engrenagem é determinada pela ordem social; então não se acolhe bem senão o que contribui para a manutenção da ordem social. Uma inovação que não ameace a função social da engrenagem […] pode por ela ser apreendida. Mas as que tornam iminente a mudança dessa função e procuram dar à engrenagem uma posição diferente na sociedade […] é renegada por ela. A sociedade absorve por meio da engrenagem apenas o que necessita para sua perpetuação. (Brecht, 1967, p.56)

Brecht não tinha ilusões sobre a capacidade de cooptação e neutralização do sistema, e, como marxista, observou muito antes de Adorno o primado da produção sobre o consumo dos bens simbólicos ao afirmar que “é a engrenagem que elabora o produto para consumo”.

As radicais e muito criativas teses brechtianas sobre o rádio e o teatro exprimem, como não poderia deixar de ser, o momento histórico vivido pelos intelectuais alemães, ainda marcado pelo entusiasmo provocado pela revolução russa de 1917 e pela certeza de que a revolução, abortada na Alemanha em 1919, em breve triunfaria.

A agitação política do período foi acompanhada de uma intensa fermentação cultural em que se discutiam o esgotamento das formas tradicionais de se fazer arte e a busca de novas formas de comunicação. Nesse sentido, os alemães reproduziram em boa parte o debate russo sobre o novo papel da arte na sociedade a ser construída.2

 

 

Um novo público

Na Alemanha, o teatro engajado tinha como único respaldo o forte movimento operário. A partir de 1928, a esquerda obtém uma expressiva votação e o Partido Comunista Alemão passou a apoiar com entusiasmo a movimentação teatral que vinha se desenvolvendo durante toda a década de 1920.

A transferência de Brecht para Berlim, em 1924, coincide com o movimento ascensional do teatro político. Brecht trabalha com Piscator e, graças a ele, convence-se da necessidade de fazer um teatro político. As influências de Piscator e, também, da vanguarda russa fizeram-no refletir sobre a necessidade de revolucionar a forma do teatro, reflexão que o acompanhou pelo resto da vida.

O encontro da intenção política com o espírito vanguardista manifesta-se inicialmente nas chamadas peças didáticas. Essas peças não foram escritas para serem encenadas; consistiam basicamente em exercícios para os atores. O vôo sobre o oceano – peça didática radiofônica para rapazes e moças é, talvez, a mais interessante delas. Brecht encena a façanha de Lindbergh que, pela primeira vez na história da humanidade, cruzou o oceano num avião. A peça apresenta uma utilização inédita do rádio: foi feita para o rádio e o rádio é “personagem” da peça, pois é ele que narra a epopéia do herói.

Na época, Paul Claudel, que havia passado muitos anos no Japão, encenou uma peça influenciada pelo teatro Nô. A peça, chamada Cristovão Colombo, retrata a descoberta do Novo Mundo em nome da religião. Brecht, aproveitando a idéia, retratou a “redescoberta do Velho Mundo em nome da nova tecnologia” (Willet, 1967, p.146).

Como os construtivistas russos, Brecht expressava o seu entusiasmo com o progresso técnico. O socialismo era a própria promessa do progresso social, avanço das forças produtivas rebelando-se contra as relações de produção. O teatro, nesse momento, é invadido pela técnica: esteiras rolantes, palco giratório, introdução de filmes etc. Nos textos teóricos do período, Brecht usa constantemente termos como montagem, processo, máquina, instrumento, experimento, ciência, produção etc.

O ativismo cultural do período deve-se à formação de um novo público, produtor e consumidor de arte, que exige a renovação do fazer artístico. Quando se fala da arte na República de Weimar, a atenção volta-se exclusivamente para as expressões da “alta cultura”, o expressionismo e a nova objetividade, e tende-se a ignorar o movimento cultural subterrâneo que se desenvolveu em torno do movimento operário.3

Em primeiro lugar, vale lembrar a existência da imprensa operária que serviu de referência para as novas práticas teatrais. Alguns dados são esclarecedores. Uma das publicações, o Jornal Ilustrado do Trabalhador, chegou a ter uma tiragem de 350 mil exemplares.4 Esse e outros jornais tinham uma orientação totalmente diferente da imprensa burguesa e que não se restringia apenas à posição política. Havia um empenho em fazer que o leitor operário se identificasse com o jornal. Procurava-se, para isso, “transmitir a idéia de coletividade, de pertencer a um conjunto maior, portanto, de quebra de isolamento e do anonimato, características dos meios de comunicação burgueses e da ‘imprensa operária tradi-cional’” (Marcondes, 1982, p.33). Um das formas era o envolvimento do leitor e sua participação direta por meio de artigos e cartas, gerando amplo material a ser aproveitado pelo teatro político.

A participação do público ocorreu também por meio da federação dos corais operários ligados à social-democracia. A federação dos corais reunia mais de quatorze mil conjuntos vocais, totalizando 560 mil participantes, em sua maioria operários.5

O grande meio de comunicação de massa do período era o cinema, que atraía milhões de pessoas fascinadas pela nova arte às salas de projeção que proliferaram em toda a Alemanha. Em 1924, dois milhões de entradas foram vendidas, para sessões que tinham início de manhã e se estendiam até de madrugada (Richard, 1992, p.226-30).

Em 1925, os comunistas alemães fundam a firma Prometheus, para a criação e divulgação de filmes. Analisando a filmografia partidária, uma estudiosa observou:

A contraposição entre a cultura burguesa decadente, sentimental e individualista, e a cultura proletária, rica de sentimentos viris, expressões da força, da combatividade e da solidariedade do movimento operário, se estende ao cinema. À “dramaturgia da ficção”, oferecida pelo cinema oficial, tenta-se opor uma “dramaturgia da realidade”, que coloca em evidência a capacidade documentária do novo meio… (Ascarelli, 1981, p.86)

Priorizando o aspecto documental do cinema e sua utilidade política, não se levava em conta a especificidade da linguagem cinematográfica. Coube aos pensadores de vanguarda, como B. Balász e Brecht, fazerem as primeiras teorizações sobre as possibilidades revolucionárias da linguagem cinematográfica. Em 1932, Brecht, Eiler, Ottwalt e Dudow produziram o filme Kuhle Wampe em que exploraram as possibilidades técnicas do novo meio. No mesmo período, Walter Benjamin escreve sobre as possibilidades abertas pelo rádio (Benjamin, 1987).6

Os filmes políticos, entretanto, ficaram restritos aos documentários russos e à produção local centrada nas reportagens sobre a condição operária. A tentativa de criar um cinema alternativo ao oficial para conquistar a audiência popular fracassou com o advento do cinema falado, que encareceu o custo da produção a tal ponto de torná-lo inviável para os partidos de esquerda e sindicatos. Em 1930, a firma Prometheus fecha suas portas.

A disputa para conquistar os corações e mentes teve no rádio um campo de batalha com características originais.

Em sua origem, o rádio surgiu como um substituto do telégrafo, sendo, por isso, conhecido inicialmente como “sem-fio”. Esse aparelho rudimentar era usado nos navios para transmissões telegráficas em código. Em 1916, houve uma revolta pela independência da Irlanda e os revoltosos, de forma pioneira, usam o “sem-fio” para transmitir mensagens. Essa foi a primeira utilização que se conhece do rádio moderno. Marshall McLuhan (1979, p. 342 – grifo nosso), comentando o episódio, observou:

Até então, o sem-fio fora utilizado pelos barcos como “telégrafo” mar-terra. Os rebeldes irlandeses utilizaram o sem-fio de um barco, não para uma mensagem em código, mas para uma emissão radiofônica, na esperança de que algum barco captasse e retransmitisse a sua estória à imprensa americana. E foi o que se deu. A radiofonia já existia há vários anos, sem que despertasse qualquer interesse comercial.

O rádio nasce, assim, para permitir a interação entre os homens e não para ser o que depois veio a se tornar – uma aparelho de emissão controlado pelos monopólios e a serviço de sua lógica mercantil.

Os estudos sobre a história do rádio na Alemanha mostram, a propósito, que esse meio de comunicação teve a sua origem também ligada a uma rebelião – a revolução operária de 1918-1919.7

À semelhança da Revolução Russa, o movimento operário alemão organizou-se em soviets. Durante essa breve experiência revolucionária, o rádio faz sua estréia, servindo como meio para coordenar o movimento nas várias regiões do país e manter contato com o regime revolucionário da Rússia. O rádio surge, pois, como um instrumento de mobilização política, e, só depois de cinco anos, com a revolução derrotada, é que se estabeleceu a “radiodifusão pública da diversão”, ou seja, passou a ter uma função comercial e a monopolizar o “comércio acústico”, segundo a feliz expressão de Brecht.

 

 

Ao lado das emissoras comerciais, contudo, proliferam as rádios ligadas ao movimento operário. Inicialmente, os trabalhadores fazem aparelhos de emissão em larga escala, com o objetivo de divulgar informações políticas e concorrer com as emissoras oficiais que permaneciam distantes da vida da classe trabalhadora. Paralelamente, criaram-se as “comunidades de ouvintes”: instalavam-se amplificadores nas ruas para ouvir e debater as notícias veiculadas.

Esses grupos que construíam rádios reúnem-se em abril de 1924 na Arbeiter-Radio-Klub Deutschland. Segundo informes da polícia, a associação agrupa, em 1924, quatro mil sócios, e em 1926, de oitocentos a 1.500 (Dahal, 1981, p.29).

É nesse contexto que Brecht intervém com sua “Teoria do rádio”, respaldado pela existência do movimento das rádios operárias que, entretanto, a cada dia vai conhecendo a presença sufocante da censura. Quando o tempo fecha de vez, os ativistas passam a interceptar as emissoras oficiais para fazer discursos políticos.

Com a repressão crescente, os grupos econômicos monopolizaram finalmente esse meio de comunicação, apossaram-se da transmissão e transformaram o público em mero receptor. E isso, afirma Brecht, não ocorreu por razões técnicas: uma simples modificação pode transformar qualquer aparelho de rádio num instrumento que, ao mesmo tempo, recebe e transmite mensagens. Mas as possibilidades da técnica, ou melhor, o desenvolvimento das forças produtivas encontrava-se bloqueado pelas relações de produção e sua expressão jurídica – as relações de propriedade. Brecht reivindica a transformação desse aparelho de distribuição num verdadeiro instrumento de comunicação.

 

 

O monopólio dos meios de comunicação, por um lado, e a existência de um outro tipo de público produtor e consumidor, por outro, delimitam o espaço em que Brecht se debate. Pode-se, então, entender o paradoxo brechtiano: a luta contra o monopólio da fala coexistindo com “a tentativa inédita de utilização dos recursos do rádio”. Comentando O vôo sobre o oceano, Brecht (1992b, p.184) observa que a peça “não deve servir-se da radiodifusão atual, mas que deve modificá-la. A concentração de meios mecânicos, assim como a especialização crescente na educação […] requerem uma espécie de rebelião por parte do ouvinte, sua ativação e reabilitação como produtor”. E acrescenta: “Esta não é certamente a maneira mais importante de utilização do rádio, mas sem dúvida se insere em toda uma série de experiências que caminham nesse sentido”.

 

Um texto profético

Os escritos de Brecht sobre o rádio não mereceram ainda a devida atenção. São poucos os estudos dedicados àquela intervenção feita no calor da hora e com uma antevisão que ainda hoje surpreende.8

A argumentação brechtiana é bastante simples: a comunicação é um processo interativo e o rádio, como um substituto do telégrafo, foi feito para permitir a interação entre os homens. Mas não foi isso que aconteceu: os grupos econômicos monopolizaram esse meio de comunicação, apossaram-se da transmissão e, desse modo, transformaram todos em meros receptores, e o rádio tornou-se um mero aparelho de emissão.

E isso não ocorreu por razões técnicas: uma simples modificação transforma qualquer aparelho de rádio num instrumento que, ao mesmo tempo, recebe e transmite mensagens. De repente, o rádio sofre uma brutal limitação em sua capacidade. O invento revolucionário, ao ser apoderado e monopolizado pelos grupos econômicos, transforma-se rapidamente numa velharia, “um descobrimento antediluviano”. A atrofia do rádio é, assim, mais um capítulo da história da contradição entre o desenvolvimento das forças produtivas e as relações de produção.

Já naquela época, Brecht critica os apologistas do rádio que costumavam valorizar tudo o que contivesse “possibilidades” sem se preocupar nunca com os “resultados”. O rádio, diz Brecht, tinha “a possibilidade de dizer tudo a todos, mas, pensando bem, não havia nada a ser dito”. O rádio comercial não nasceu porque era necessário: “não era o público que aguardava o rádio, senão o rádio que aguardava o público”. Um vez inventado, o rádio saiu atrás do público. Onde está o público? Há um público para o jornal, outro para o esporte, outro para a música etc. O que fez o rádio? Foi atrás do público “alheio”. Passou a transmitir notícias para atrair os leitores de jornal; esporte, para concorrer com os estádios esportivos; música, para laçar os freqüentadores das salas de concerto; peças teatrais, para atingir os amantes do teatro etc.

Assim, o rádio não criou nada de novo, apenas reproduziu os procedimentos próprios dos meios anteriores. Cada novo meio de comunicação parece condenado a representar o papel de vampiro que se alimenta das invenções anteriores.9

Brecht, escrevendo no início da radiodifusão foi profético: o que ele diz sobre o rádio vale também para a televisão e a internet. A televisão, também, ao surgir, vampirizou os antigos meios de comunicação. Basta lembrar aqui sua relação vampiresca com o cinema e com o teatro. A mesma coisa nos dias de hoje vem ocorrendo com a internet e promete se repetir com a televisão digital. A internet, além de vampirizar os meios de comunicação anteriores, segue os seus passos: o que foi inventado para ser um novo instrumento de comunicação para os usuários está se desvirtuando. Esses cada vez mais são meros receptores e consumidores. Receptores de propaganda comercial de produtos que podem ser comprados sem precisar sair de casa. E consumidores “ativos” que trabalham de graça para o capital toda vez que utilizam o computador para fazer transações bancárias.

Essas novas formas de desvirtuamento dos meios de comunicação, contudo, expressam também a nova etapa da contradição entre o desenvolvimento das forças produtivas e as relações de produção (e sua expressão jurídica: a propriedade privada). Uma vez mais, as possibilidades atrofiadas dos novos meios de comunicação e seus pífios resultados chamam a atenção para o caráter arcaico das relações de propriedade. A antiga queixa do direito de propriedade autoral do livro, solapado pelas fotocopiadoras, tornou-se rapidamente superada pelos recursos da internet, que, a cada novo dia, fazem aflorar a irracionalidade das relações de produção bloqueando o progresso social e o nascimento de um novo mundo.

Brecht não queria apenas “democratizar” o acesso dos consumidores à radiodifusão, mas “abalar a base social deste aparato”. Não queria também contribuir com inovações, mas impulsionar as inovações “à sua missão básica”.

Com a derrocada do movimento revolucionário, colocou-se, na Alemanha, a questão do controle do rádio. Quem deve controlar o rádio? A Telefunken e a Lorenz, duas gigantes da indústria de radiodifusão, além de fabricarem os aparelhos, queriam ter o monopólio da emissão. O Estado, porém, logo percebeu a importância estratégica do rádio e quis mantê-lo sob o seu exclusivo controle. Depois de muita discussão, chegou-se a um acordo: o Estado mantém o controle, mas fornece concessões para os grupos interessados. O movimento operário alemão, apesar de afastado do poder, também pleiteou uma concessão, pois, afinal, ele já tinha uma experiência de radiodifusão. O Estado, evidentemente, não concedeu e o rádio passou a ser um instrumento político diretamente voltado contra o movimento operário e a serviço da ascensão do nazismo.

Quando Brecht amargou o exílio, o rádio o acompanhou, mas sua função era bem diferente de suas possibilidades emancipatórias:

– Você, pequena caixa que trouxe comigo
Cuidando para que suas válvulas não quebrassem
Ao correr do barco ao trem, do trem ao abrigo
Para ouvir o que meus inimigos falassem

Junto ao meu leito, para minha dor atroz
No fim da noite, de manhã bem cedo
Lembrando as suas vitórias e o meu medo:
Prometa jamais perder a voz! (Brecht, 2000, p.272)

 

Notas

1 São cinco os artigos que compõem a “Teoria do rádio”: o mais importante deles é “O rádio como aparato de comunicação”, publicado neste número de estudos avançados em cuidadosa tradução de Tercio Redondo, revista por Marcus Vinicius Mazzari. Os demais textos são: “O rádio: um descubrimento antediluviano?”, “Sugestões aos diretores artísticos do rádio”, “Aplicações” e “Comentário sobre O vôo sobre o oceano” (cf. Brecht, 1984), edição preparada por Werner Hecht. O último texto, extraído do caderno I dos Versuche, foi traduzido para o português por Fernando Peixoto em Brecht (1992a, p.184).

2 Uma extensa documentação sobre o teatro operário encontra-se reunida nos quatro volumes da obra Le théâtre d’agit-prop de 1917 a 1932 (Lausanne: La Cité – L’age d’homme, 1978). Os dois primeiros tratam da presença desse movimento teatral na Rússia e os demais na Alemanha, França, Polônia e nos Estados Unidos. Agradeço a indicação bibliográfica e a generosidade de Claudia Arruda Campos e Iná Camargo Costa. Ver também, Storch (2004).

3 Um dos exemplos dessa omissão é o livro de Peter Gay (1978).

4 Cf. o importante estudo de Ciro Marcondes (1982, p.35).

5 Cf. E. Schumacher, Die dramatischen Versuche Bertolt Brechts 1918-1933 (Berlin: Rüten und Loening, 1955) (apud Koudela, 1991, p.50).

6 Tempos depois, Adorno, em seu exílio nos Estados Unidos, foi convidado por Paul Lazarsfeld para participar de uma pesquisa sobre a audição de música no rádio. Escreve, então, para Benjamin perguntando sobre os modelos de audição que ele havia desenvolvido na Alemanha no início dos anos 1930 (cf. Müller-Doohm, 2003, p.370). O autor esclarece que esses modelos de audição foram desenvolvidos em analogia com o teatro épico de Brecht: “seu objetivo era didático e queria combater a mentalidade de consumo frente ao novo meio de comunicação”.

7 Ver, a propósito, Marcondes (1982), Ascarelli (1981) e Dahal (1981).

8 Uma honrosa exceção é Hans-Magnus Enzensberger (1978). Ver, também, o interessante trabalho do jornalista Leão Serva (1997), que retoma as idéias de Brecht para pensar temas contemporâneos.

9 O jornalista Leão Serva (1997, p.23-4), um dos primeiros a divulgar a “Teoria do rádio” de Brecht entre nós, escreveu um belo livro em que comenta esse processo de vampirização: “O jornal publicava trechos de livros e decretos. Os primeiros fotógrafos reproduziam os retratos em óleo. O cinema mostrava pequenas cenas da vida cotidiana e de mercados, de circo etc. O rádio emite concertos, para ocupar espaço das sinfônicas, e notícias, para ocupar os espaços dos jornais. A TV chega fazendo tudo o que o rádio e o cinema faziam, também jornalismo, concertos etc. Repete-se sempre a mesma rotina: meios novos ‘fagocitam’ os procedimentos anteriores simplesmente para ter seu público. Ao mesmo tempo, esta cópia parece banalizante ao que cede os procedimentos e precede no tempo”.

 

Referências bibliográficas

ASCARELLI, R. Comunicazioni di massa e movimento operaio. In: Critica marxista, Roma, n.1, Riunite, 1981.        [ Links ]

BENJAMIN, W. Deux formes de vulgarisation. In: Trois pièces radiophoniques. Paris: Chiristian Bourgois Éditeur, 1987.        [ Links ]

BRECHT, B. Teatro dialético. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1967.        [ Links ]

_______. El compromisso en literatura y arte. 2.ed. Barcelona: Península, 1984.        [ Links ]

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________. O vôo sobre o oceano. In: ___. Teatro completo. 2.ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992b. v.3.        [ Links ]

BRECHT, B. Ao pequeno aparelho de rádio. In: ___. Poemas. 1913-1956. Trad. Paulo César de Souza. São Paulo: Editora 34, 2000.         [ Links ]

DAHAL, P. Detrás de tu aparato de radio está el enemigo de clase (Movimiento de radios obreras en la República de Weimar). In: BASSETES, L. (Org.) De las ondas rojas a las radios libres. Barcelona: Editorial Gustavo Gili S.A., 1981.        [ Links ]

ENZENSBERGER, H.-M. Elementos para uma teoria dos meios de comunicação. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1978.        [ Links ]

GAY, P. A cultura de Weimar. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978.        [ Links ]

KOUDELA, I. D. Brecht: um jogo de aprendizagem. São Paulo: Edusp, Perspectiva, 1991.        [ Links ]

MARCONDES, C. O discurso sufocado. São Paulo: Loyola, 1982.        [ Links ]

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RICHARD, L. Uma distração de massa: o cinema. In: ___. A República de Weimar. São Paulo: Cia. das Letras, 1992. p.226-30.         [ Links ]

SERVA, L. Babel. A mídia antes do dilúvio e nos últimos tempos. São Paulo: Mandarim, 1997.        [ Links ]

STORCH, W. O teatro político na República de Weimar. In: CARVALHO, S. de. (Org.) O teatro e a cidade. São Paulo: Prefeitura do Município de São Paulo, 2004.        [ Links ]

WILLET, J. O teatro de Brecht. Rio de Janeiro: Zahar, 1967.        [ Links ]

Texto recebido em 12.1.2007 e aceito em 26.1.2007.

Celso Frederico é professor da Escola de Comunicações e Artes da USP e bolsista do CNPq. @ – celsof@usp.br

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Mães de Maio lançam livro na Rádio da Juventude (ouça o programa!)

A periferia de São Vicente foi a primeira região na Baixada Santista a receber o lançamento do novo livro das Mães de Maio, chamado “Mães de Maio, Mães do Cárcere – A Periferia Grita”.

Nós da Rádio da Juventude tivemos a satisfação de falar em primeira mão sobre o livro, lançado em Sampa três dias antes, e que é mais um esforço do Movimento em dar visibilidade aos crimes cometidos pelo Estado brasileiro (principalmente o de São Paulo), a partir de 2006. Neste sábado, dia 08 de dezembro, o programa Vozes do Gueto recebeu a coordenadora do movimento, Débora Maria da Silva, e o poeta Armando Santos, onde conversamos por mais de duas horas.

Parceiras e referência de luta para nós, as Mães de Maio já tinham passado pela Rádio da Juventude neste ano. Agora, voltaram em transmissão que rolou ao vivo só para os moradores da região da Vila Margarida, periferia de São Vicente. O livro, inclusive, além da palavra de vários parceiros, traz nosso manifesto: “A luta por mudanças se faz além das urnas”.

CLIQUE AQUI E OUÇA O PROGRAMA NA ÍNTEGRA

Transcrevemos aqui algumas falas dos convidados:

Armando

“Não adianta trocar secretário (…) Tem que mudar o sistema de segurança pública (…) E tem que desmilitarizar mesmo!”

Débora:

“Eu paguei a bala que matou meu filho. (…) Essa bala que matou meu filho teve uma direção certa: o pobre, o negro, o periférico.”

“Em 2006 trocaram o comando, todo o aparato corruptor, mas só pra inglês ver. Porque a política continua a mesma, talvez pior.”

“[o atual secretário de Segurança Pública de SP] Grella foi um dos procuradores com quem tivemos conversando, e ele foi um dos que se exaltou quando eu falei que era necessário a federalização dos crimes, e ele rapidamente mandou o Ministério Público fazer uma investigação interna para poder blindar o pedido de federalização que nós fizemos em 2010.”

“Que se faça a desmilitarização, porque a gente não precisa de duas polícias: uma polícia que mata e uma que não investiga”

“A mídia, por trás dela, vive o capitalismo”

“A gente não precisa de mais partido. A gente precisa de mais vergonha na cara por parte deles!”


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1 ano sem Redson, do Cólera – a última entrevista!

Há um ano morria Redson Pozzi, vocal do Cólera, banda precursora do punk no Brasil. Dez dias antes, 17 de setembro de 2011, a banda vinha à Baixada Santista, onde tocou no Bar e Café Santista, em um show histórico e muito foda, com sua formação original. Infelizmente seria o último show da banda com Redson nos vocais.

Antes mesmo do show, naquele sábado histórico, a Rádio da Juventude conseguiu levar o Redson pra Vila Margarida, em São Vicente, onde ele participou do programa Punk’ada, ao vivo (da meia noite à 1 da madruga!). Só a gente sabe a treta que foi conseguir levar ele até a rádio, e depois ainda conseguir assistir o show, naquele sabadão histórico que durou até a manhã de domingo.

Ganhamos ali um grande amigo, que acabou nos deixando muito cedo. Ao Redson, nossas mais sinceras homenagens.

Assista abaixo à última entrevista feita com Redson, do Cólera. No final do programa, ele fala sobre um novo disco que estava sendo preparado, o “Acorde! Acorde! Acorde!”, até hoje inédito:

Clique aqui para baixar o programa

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[Manifesto] A luta por mudanças se faz além das urnas

São Vicente, 29 de julho de 2012

O período eleitoral começou, e a disputa político-partidária vai se acirrando, em busca do maior número possível de eleitores e eleitoras. Candidatos/as e partidos políticos apresentam propostas, trocam acusações, distribuem santinhos e pedem nossos votos, até o dia 7 de outubro, quando acontece a “festa da democracia”, como gostam de falar os grandes meios de comunicação.

Nós da Rádio da Juventude, coletivo de comunicação popular da periferia de São Vicente, consideramos ter amadurecido nosso posicionamento em relação às eleições, e por conta disso, declaramos:

– Não acreditamos que as mudanças reais de que o povo necessita será obra deste ou daquele candidato ou candidata, muito menos do partido A ou B. Não duvidamos que haja partidos comprometidos com a classe trabalhadora, e partidos comprometidos com a classe dominante, porém temos a plena convicção de que o sistema político-econômico não sofrerá mudanças efetivas pela via institucional, muito menos que o Estado, seja que comando tiver, irá trazer a igualdade de direitos e oportunidades a todos e todas.

– Temos companheiros e companheiras em legendas partidárias do campo da esquerda, que em muitas ocasiões estão juntos conosco na luta, e não negamos a importância da união de forças nas lutas sociais, principalmente nos momentos em que o Estado e o Capital se fazem ainda mais presentes. Porém, acreditamos que a democracia vai muito além das eleições, e só será plena quando o povo, organizado politicamente, tiver em suas mãos o poder de decidir sobre a própria vida.

– Acreditamos que as conquistas institucionais, que também têm sido importantes em nossa história, não foram fruto do trabalho de representantes eleitos, mas de nossa luta como classe trabalhadora, do povo oprimido em resistência e à esquerda. A História já nos mostrou que, a partir do momento em que partidos, movimentos e pessoas envolvidas com a causa sobem ao poder institucional, por conta dos compromissos com o sistema as lutas sociais dão lugar à disputa de palanque, às pequenas conquistas, às negociações com antigos inimigos de classe, enfim, a todo o “jogo político” que passa a se tornar a paixão (e profissão) de muitos ex-militantes. Acreditamos que o atual sistema político-econômico está posto de forma que as regras do jogo são as regras da classe dominante, promotoras das desigualdades econômicas, da violência e do caos social, e não acreditamos que se possa reformar o inferno.

Dito tudo isso, inspirados no movimento zapatista, que desde o México nos traz um grande exemplo de como organizar-se localmente e agir globalmente, a Rádio da Juventude trabalhará A Outra Campanha, proposta que já vem se articulando em algumas regiões do Brasil. Estamos mobilizados na construção dessa forma de luta em que o povo tenha de fato o poder nas mãos, arrancando das elites dominantes o máximo de conquistas possível, rumo a uma sociedade livre, justa e solidária. É na luta que se cria o poder popular, e só quem sofre a exploração na pele tem legitimidade para decidir o que fazer para mudar o rumo da sua vida.

Nossas urgências não cabem nas urnas!
Pela política além do voto, pelo poder popular!
Viva A Outra Campanha!

Rádio da Juventude

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RepressãoNaPulga

Post de origem: Radiolivre.org

Rádio Pulga, 21 anos de rádio livre contra o dragão do Coronelismo Eletrônico!

Rio de Janeiro, 3 de outubro de 2011.

O que acontece quando pessoas começam a se conectar em torno a um transmissor de rádio, e nessa comunicação cultivam a autonomia e não reconhecem nenhuma hierarquia? Nenhuma voz tem mais peso, nem modelo de beleza, não há um conhecimento superior? O que se passa quando as trocas são humanas, não financeiras, e solidárias, não buscam lucro? Quando buscam apoiar e se comunicar com outros grupos sem aceitar a arbitrariedade das usurpações econômicas dominantes travestidas de Estado? Ligam-se a outros movimentos sociais autônomos que buscam libertar igualmente os espaços da economia, dos territórios, da vida?

Que caminhos se abrem quando este coletivo radiofônico toma como princípio a liberdade de experimentar, errar, ser feia, barulhenta, calada, liberdade de acelerar e de parar, de não ter rítmo? Não se trata de disputar com os meios de comunicação dominantes em seu próprio terreno, seguindo as regras do mesmo jogo de poder. Mas de eliminar todo tipo de propaganda de igrejas e ganâncias comerciais. Eliminar a censura e a edição centralizada. Permitir outros usos, onde quem escuta também pode falar, cantar, dialogar, deixar falar palavras pequenas. Permitir a diversidade de criação, criação em comunicação horizontal. E aí?

Vidas se renovam em uma rádio livre!

São experiências insuportáveis e perigosas para quem pruduz lucro e poder, operando a máquina da miséria da vida. E então, o que acontece?

Bem, nós vamos contar…

No dia 22 de setembro de 2011 funcionários da ANATEL invadiram a Rádio Pulga, alegando autorização do reitor para entrar na UFRJ. O equipamento estava desligado, descaracterizando a possibilidade de um flagrante. Diante da resistência de mais de 50 apoiador@s que se juntaram em frente à rádio, chamaram os Piratas Federais que, fortemente armados, faziam sinais ameaçadores com suas armas e algemas. Representantes da Defensoria Pública, ao chegar, ressaltaram que a lei que dava poder à ANATEL para fazer ações de busca e apreensão foi considerada inconstitucional pelo STF. Mesmo assim a ANATEL e a PF fizeram o roubo à mão armada do transmissor.

A rádio Pulga tem 21 anos de luta, é uma das rádios pioneras da prática de liberdade de expressão em ondas eletromagnéticas no Brasil. Durante todos esses anos vem garantindo o acesso livre, gratuíto e sem censura à produção radiofônica, à criatividade artística, ao debate democrático e à integração entre universidade e sociedade: conecta entre si e com o mundo as comunidades do centro do Rio de Janeiro como as ocupações urbanas, os camelôs, e quem mais desejar. Isso é possível porque não possui fins comerciais, não permite proselitismo de igrejas ou partidos e nem qualquer tipo de discriminação. Seus microfones e suas reuniões são abertas e tod@s podem participar da comunicação horizontal que faz as ondas voarem e a autogestão da rádio. Não tem programadores e ouvintes, diretores e dirigidos, todos podem tomar a palavra!

Não é ilegal, é super legal, é uma RÁDIO LIVRE!

A repressão à Pulga não foi isolada. Nas últimas semanas nossos irmãos da rádio Interferência, também na UFRJ, e da rádio Muda em Campinas foram atacados, mas felizmente conseguiram barrar o saque. A ANATEL vem fechando uma média de 60 rádios sem concessão por mês e, no Piauí, mais uma vez a repressão fez uma vítima fatal: ao saber da usurpação contra a rádio comunitária Verona, a líder comunitária Esmeralda Fernandes teve um ataque cardíaco e faleceu.

A ESMERALDA FERNANDES dedicamos este momento de luta!

O Coronelismo Eletrônico é o clientelismo entre o Estado e os grupos políticos e econômicos dominantes, num jogo de barganhas que garante a continuidade do monopólio dos meios de comunicação e suas oportunidades de lucro, poder e manipulação dos corações, mentes e sonhos dos nossos povos. Um terço dos senadores e mais de 10% dos deputados eleitos para o quadriênio de 2007 a 2010 controlam rádios ou televisões, contando-se aí apenas os que o declaram na maior cara de pau. Mas a tecnologia gera sucatas que fogem ao seu controle, e sempre estão surgindo milhares de rádios e TVs livres e comunitárias, emergindo um poder popular sobre os meios de comunicação.

A lei das rádios comunitárias, “conquista” de um setor do movimento de rádios comunitárias, acabou tornando-se um tiro no pé. As restrições para operar e as condições para se conseguir a concessão – o apadrinhamento político -, de um lado, e a repressão às rádios sem concessão, por outro, são a estratégia do Coronelismo Eletrônico para assumir o controle das rádios de baixa potência. A pesquisa de Venício de Lima prova que mais de 50% das rádios com concessão de “comunitária” pertencem a políticos. Isso é ilegal, como muitas outras irreguralidades dos grupos dominantes à luz de sua própria lei, mas isso a ANATEL não fiscaliza.

O Coronelismo acusa as rádios sem concessão política de causarem interferência nas telecomunicações. Usam um argumento técnico – geralmente falsificado – para camuflar um critério político. Para um transmissor gerar interferência é preciso que ele esteja mal regulado, sem filtros e tenha potência para isso. Quanto mais potente uma rádio, como no caso das rádios comerciais, maior a probabilidade de causar interferência. Se realmente o problema das rádios de baixa potência fosse a possibilidade de causar interferências, então o trabalho da ANATEL deveria ser o de auxiliar a população, sobretudo os grupos mais excluídos de recursos científicos e tecnológicos, na manutenção e garantia da qualidade técnica dos seus transmissores.

O Coronelismo gera a versão brasileira da Indústria Cultural que, para acumular poder, busca altos índices de audiência através da produção de um certo senso comum, suprimindo a crítica e a diversidade: o consumismo que faz rodar a fortuna da miséria, a paranóia que impulsiona a militarização e construção de fortificações urbanas, os modelos nazistas de beleza que facilitam desde a especulação urbana até o roubo de terras de quilombos e aldeias, o apagamento da memória e das tradições dos povos acoados pela colonização e o capitalismo. O que ele faz não é comunicação, é a difusão do poder e da exploração. As rádios livres, consideradas ilegais, permitem que a pluralidade se comunique e a vida comum floresça.

O medo dos coronéis é que possamos instaurar a bagunça em seus planos políticos e empreendimentos corporativos, como tem acontecido em Chiapas e Oaxaca, no México, e em tantas outras lutas que se valem da comunicação!

No dia 28 de julho a rádio Pulga deu uma resposta contundente à repressão. Ao som ora sem ritmo, ora carnavalesco de panelas e latas, à luz de cartazes e fantasias negras e coloridas, mais de cem pulgas pularam um carnaval anti-capitalista no centro do Rio de Janeiro, chamando a atenção contra as remoções de moradias populares e transmissores livres. Desfilaram ao meio dia do Largo São Francisco à sede da ANATEL no prédio da Bolsa de Valores na Praça XV. Mais tarde saltaram ao som de jazz uma noite de luta.

A rádio Pulga não foi fechada! Longa vida à rádio Pulga!

As guerrilhas da comunicação lutam a guerra das pulgas, e seu inimigo militar sofre as mesmas desvantagens que o cachorro: muito a defender e um inimigo muito pequeno a enfrentar. Se a guerra continua por tempo suficiente o cão sucumbe ao cansaço e à anemia, sem nunca ter encontrado qualquer coisa em que cravar suas mandíbulas ou que rasgar com suas garras.

Somos tod@s pulguent@s, pulg@s e pulguerrilheir@s!

A Pulga passa a palavra!

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Domingão na Constituição!

Domingão na Constituição!

Domingão na Constituição!
23/10 – domingo – das 14 às 22 horas
Começa a construção de um novo espaço cultural alternativo e popular!!!

Casa da JOC – Rua da Constituição, 331 – Santos (próx. à Rua Sete de Setembro)
= Evento em prol do Intercâmbio Continental da JOC em SV – de 26 a 30 de setembro =

– Música boa
– Liberdade de expressão
– Luta social
– Vídeo-ataque
– Comes (opção vegana)
– Bebes
– Artesanato indígena
– Intervenção visual: Espaço Mira
– Banca Sebo Cultural
– Preços populares

Som com as bandas:
– The Janders (rock/brega)
– Chiapas Livre (rock)
– Em Chamas (rock)
– TxHxPx (rock)
– Tarja Preta (rap)
– Wattz 100 mil (rap)
– Fino Trato da Goiaba (mpb)
– Banda Lótus (mpb)
– Nóno Samba

Entrada Livre!
Pede-se a doação voluntária de um quilo de alimento não-perecível, para os indígenas da aldeia de Paranapuã

Realização:
Rádio da Juventude
JOC – Juventude Operária Católica

Apoio: D’Ozi Estúdios

Info: (13) 3029-7712
@radiojoc
face: Rádio da Juventude

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#Antiquário: cultura é solução sim!

A cultura adquire formas diversas através do tempo e do espaço. Essa diversidade se manifesta na originalidade e na pluralidade de identidades que caracterizam os grupos e as sociedades que compõem a humanidade. Fonte de intercâmbios, de inovação e de criatividade, a diversidade cultural é  para o gênero humano, tão necessária como a diversidade biológica para a natureza. Nesse sentido, constitui o patrimônio comum da humanidade e deve ser reconhecida e consolidada em beneficio das gerações presentes e futuras. (parte textual da declaração da Unesco sobre  cultura)

Por isso

Resgatar a memória cultural de um povo é fundamental para a construção de identidade e para fomentar também novas formas de produção cultural e intelectual.

Neste sentido o programa Antiquário vem ativamente cumprindo o seu papel de fortalecer a cultura da música popular brasileira.

Apresentado por Alex Silva o programa tem o objetivo de ser um revival de grandes obras que estão empoeiradas no báu do esquecimento.

Ouça matéria:

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