Mobilidade urbana na Baixada Santista

Foto-0229A mobilidade urbana na Baixada Santista tem se tornado uma questão seríssima. Percursos que deveriam durar em média 30 minutos chegam a levar três vezes mais tempo para serem concluídos. Quem reside em cidades como Praia Grande e São Vicente e trabalha em Santos ou Guarujá tem enfrentado longas filas no trânsito. Se depender do transporte público então, além de todo desperdício de tempo, tem de enfrentar coletivos lotados, longas esperas no ponto e preços altos.

Micro-ônibus sem acessibilidade para cadeirantes, o único circular que atende o bairro Japuí em São Vicente

Micro-ônibus sem acessibilidade para cadeirantes, o único circular que atende os bairros Japuí e Prainha – linha São Vicente/Santos. – Foto: Rádio da Juventude

Além disso, uma parcela significativa dos coletivos não possui acessibilidade. Resumindo: conseguir chegar ao trabalho no horário é mais fácil indo de bicicleta ou moto, fora isso, é preciso acordar bem cedo e enfrentar uma maratona de 1h30min para percorrer uma distância de 8 km, – absurdo. Quem tem carro pode utilizá-lo (se não se importar com o trânsito, mas quem não tem, (a maioria) o negócio é suportar um transporte inviável e um trânsito insuportável).

Como se não pudesse piorar…

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Foto: Rádio da Juventude

A cidade de São Vicente está com dois acessos principais bloqueados: a Ponte Pênsil está fechada para reforma e o Viaduto da Antônio Emmerick interditado para demolição devido às obras do VLT, o que tem prejudicado ainda mais o fluxo do trânsito em horários de pico. São obras importantes, no entanto, a falta de planejamento estratégico para a realização delas há de ser questionada, pois duas obras em pontos vitais da cidade ocorrendo concomitantemente e a passos lentos, irão causar muitos transtornos à população.

No viaduto há apenas tapumes de bloqueio embora a demolição em si não tenha começado – o que está previsto para ocorrer em até oito meses. Enquanto isso, a população está pagando um preço alto todos os dias no trânsito pela incompetência administrativa de todas as esferas de poder.

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Foto: web

Por causa do impacto urbano dessas obras, a prefeitura vicentina resolveu alterar o sentido de algumas ruas do centro e construiu uma ciclovia, na verdade, uma “ciclo-faixa” muito mal planejada que já provocou dois acidentes no centro, um deles em frente da própria prefeitura e outro na esquina das ruas Frei Gaspar e Campos Sales onde um casal de ciclistas foi atropelado por um carro na ciclovia

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Ciclovia ou local reservado para cadeirantes?
Foto: Rádio da Juventude

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Foto: Mônica Barreto/Arquivo Pessoal

Foto: Rádio da Juventude

Foto: Rádio da Juventude

Há cerca de um mês num típico fim de semana ensolarado, como de costume, vários turistas vieram para a região. Quem voltou do trabalho pra casa na sexta-feira à noite teve que enfrentar horas na fila, pois as ruas do centro de São Vicente ficaram bloqueadas reverberando nas Avenidas Nossa Sr. de Fátima e Presidente Wilson da cidade de Santos. Quem veio de Santos e Guarujá com destino à Praia Grande ou São Vicente teve que ficar horas numa fila, cujo espaço a ser percorrido é risório levando em consideração o tempo de espera, resultado do “desplanejamento” urbano.

Foto: Rádio da Juventude

Foto: Rádio da Juventude

Com todo esse caos, a prefeitura vicentina ainda teve a tacanhez de colocar faixas pela cidade pedindo aos motoristas que façam rotas diferentes por causa da “ciclo-faixa”, só há dois acessos para quem está em São Vicente indo rumo à cidade de Santos: Av. da orla da praia ou a Av. Nossa Senhora de Fátima, ao que parece a prefeitura quer que as pessoas vão para o trabalho voando ou nandando, será?

A maior preocupação são as datas festivas de fim de ano e carnaval em que a baixada recebe muitos turistas: como vai ficar?

Ouça o depoimento de moradores de São Vicente sobre o trânsito;

Veículo Leve sobre Trilhos (VLT)

Como solução para a caótica mobilidade urbana nossa de cada dia, temos o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) que após 12 anos de discussão está em sua primeira fase de implantação. Contudo parte da obra já foi questionada pelo Ministério Público, num encontro que reuniu representantes da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) e do Ministério Público no dia 09 deste mês. Segundo os “entendidos”, parte do itinerário qual ele percorreria precisa ser alterado, mais precisamente na Av. Francisco Glicério entre os bairros do Campo Grande e Gonzaga, devido aos impactos ambientais e possíveis remoções de imóveis. (justamente onde está o Mendes¹ Coincidência?).

Interessante que há pesos e medidas diferentes na avaliação dos impactos e das desapropriações, pois, “os imóveis localizados no município de Santos, no trecho Conselheiro Nébias-Valongo (5,5km de extensão) – por onde circulará o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) da Baixada Santista – foram considerados de utilidade pública para fins de desapropriação total ou parcial. O decreto foi assinado pelo governador Geraldo Alckmin. A EMTU/SP vai informar os proprietários sobre o processo de desapropriação, incluindo os documentos necessários para recebimento da indenização”. Fonte: Governo do Estado de São Paulo.

Esperamos que este meio de transporte (VLT) realmente possa contribuir de forma eficaz com o caos que a população da baixada está tendo que enfrentar. Pois em 2010, a Viação Piracicabana, empresa de ônibus que atua na Baixada Santista, entrou com um mandado de segurança contra a EMTU, responsável pela licitação, pedindo a suspensão da licitação e alegando serem ilegais as exigências de garantia de proposta no valor R$ 7 milhões. O juiz de Direito da 7ª Vara de Fazenda Pública do Foro Central de São Paulo, Emílio Migliano Neto, concedeu a suspensão da licitação em 2012. A Piracicabana disse também na época que as linhas de ônibus na Baixada Santista seriam alteradas e reduzidas se o VLT fosse implantado.

O VLT tem estimativa de atender uma demanda de 70 mil usuários/dia útil nos dois trechos que percorrerá: Barreiros – Conselheiro Nébias e Porto – Conselheiro Nébias – Valongo. Sua implantação irá contribuir muito, principalmente no trânsito. Contudo, diminuir a circulação de ônibus só fará migrar os problemas de um meio de transporte para outro.

Com um custo de R$ 313.505.850,90 há de se questionar e cobrar que este meio de transporte público possa garantir o direito à cidade. Chega de horas na fila!

1. Grupo Mendes – grupo do setor imobiliário que controla quase todo setor de imóveis, construção civil e hotelaria de alta classe na Baixada Santista, além de possuir duas casas de show e uma rádio.

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2 ideias sobre “Mobilidade urbana na Baixada Santista

  1. Muito boa matéria, parabéns galera! Mas é preciso fazer uma correção: o VLT é um projeto de 19 anos! – e não apenas 12, como dito na matéria. Na verdade, ele existe desde 1994, quando o TIM – Trem IntraMetropolitano, que fazia o percurso entre Samaritá, na área continental de São Vicente, e a estação da Ana Costa, em Santos. Outras promessas históricas para melhorar o trânsito: túnel/ponte entre Santos e Guarujá, e o túnel entre as zonas Noroeste e Leste, em Santos. Será que tudo isso vai sair do papel?

  2. Correto a promessa é de 1994 com o Mário Covas. É que nos baseamos quando foi pronunciado e assinado o contrato oficialmente pelo mesmo em 2000. Valeu!

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