Casa de Saúde Anchieta: Antiga casa dos horrores ainda carrega o peso das desigualdades sociais.

Foto: Rádio da Juventude

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Casa de Saúde Anchieta, fundada em 1951, em Santos, era um local de internação de pacientes mentais. E que praticava maus tratos, com superlotação e ausência de terapias. As pessoas eram torturadas, recebiam tratamentos de choques, humilhações, fazendo o local ser conhecido como “Casa dos horrores”. A Intervenção municipal na Casa de Saúde Anchieta foi feita na gestão da prefeita Telma de Souza (1989-1992), no seu primeiro ano de governo, no que ficou conhecido como o início da luta antimanicomial no Brasil.

A situação atual do antigo manicômio é de mais de 54 famílias que lá vivem, além de famílias pobres, o local é abrigo de muito descaso e cinismo das autoridades políticas.

Foto: Rádio da Juventude

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A assistência social faz o papel fiscalizador, ou seja, a prefeitura sabe quem são estas famílias e todas suas precariedades, mas mantém o estado da situação. É sabido pelo poder público que as famílias vivem neste local insalubre, sem infraestrutura e com riscos iminentes (rede elétrica, desmoronamento, infiltração de água). No ano passado, por exemplo, houve um incêndio em um dos apartamentos, e por sorte não houve morte. A antiga casa dos horrores ainda carrega o peso das desigualdades sociais.

O processo tramita no Judiciário, ou seja, pela desapropriação ou não do local, aos moradores apresentam apenas propostas de auxílio-aluguel, o que o município já vem praticando há algum tempo, e percebe-se que é uma prática falida.

A cidade de Santos não possui enquanto política pública uma estratégia concreta no que tange a questão de moradia – verifica-se isso nos muitos cortiços que a região central comporta. As famílias que residem nestes locais, chamados “quartinhos”, pagam aluguéis em torno aluguéis caros, moram em porões de antigas casas coloniais e dividem seu cotidiano com muitas outras famílias em situações de extremas violações de direitos humanos.

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Neste local funciona um brechó – Foto: Rádio da Juventude

Para se ter uma ideia, com todo o déficit habitacional na cidade, não há uma secretaria municipal de habitação, e os poucos projetos que existem foram arrancados com muita luta, como os prédios construídos em esquema de mutirão pela Associação dos Cortiços do Centro (ACC). Infelizmente a situação de muitos desses moradores é de grande precariedade, e até mesmo a organização deles próprios é dificultada pelo dia-a-dia e por um viés assistencialista, que interessa a quem lucra com essa situação.

Se a prefeitura quiser realmente que essas famílias permaneçam no Centro, e não acabem parando nas ruas, ou sendo empurradas para o esquecimento, deveria começar a efetivar projetos sociais, em vez de fomentar melhorias apenas para a iniciativa privada.

É urgente investir em alternativas que não sejam apenas as práticas higienistas.

Ouça os áudios com relatos dos moradores:

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Uma ideia sobre “Casa de Saúde Anchieta: Antiga casa dos horrores ainda carrega o peso das desigualdades sociais.

  1. Apoio esta atitude da Radio da juventude de mostrar a situação das famílias q moram neste lugar. Eu, como parente de alguns dos moradores sei de perto dos perigos que vivem os que lar residem, sei também que os governante fazem vista grossa para tal situação. Já que no nosso país alguns desses governantes tem um desvio para o lado de não cumprir suas promessas, cabe a nós, população e amigos , nos mobilizar e lutar para que ponham em pratica o que prometeram (de dar moradias aos que precisam ) . Creio que outros meios comunicação e também outras rádios deveriam copiar a atitude plausível que vocês tiveram , continuem assim.

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