Transporte público é um direito, não mercadoria! Alguém avisou a Prefeitura de Santos sobre isso?

Foto: Rádio da Juventude

Foto: Rádio da Juventude

A renovação do contrato da Piracicabana (Empresa que presta o serviço de transporte público) na cidade de Santos é neste mês de março de 2014. O Poder Público da cidade ignorou a população, não houve sequer alguma discussão ou divulgação, algumas vozes pelas redes sociais chegaram a citar a abertura de nova licitação para aumentar a concorrência, e no legislativo um pequeno eco, mas de fato nada de concreto foi articulado para fazer um enfrentamento ao modo submisso que o Poder Executivo de Santos coloca a questão, simplesmente; manter a empresa, e dentro de um acordo de não aumento da tarifa (como se ela fosse “barata”, e os usuários estivessem muito satisfeitos com o serviço).

Tem angu nesse caroço. 

No mês passado a Piracicabana entregou a documentação para renovação de contrato, com uma proposta de aumento de R$ 3,35, percentual de 15,5%, saiu no jornal a informação, adiantando que no dia 3 de abril, às 17 horas, na sede da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), na Vila Mathias, os documentos serão apresentados no encontro da Comissão Municipal de Transportes. Daí sabemos o resto; mais oito anos  de Piracicabana.

Nas redes a insatisfação foi geral, e a cortina de fumaça em torno do aumento foi levantada, de um lado a Prefeitura declarando que não permitirá o aumento, de outro, a insatisfação sendo discutida, (mais uma vez pela rede) deflagrando numa chamada à população para reivindicar na câmara municipal, (chamada aqui) ou seja, foco deturpado e, é bem capaz do Sr Prefeito Paulo Alexandre sair como herói nesta movimentação, como; “o cara que bloqueou o aumento da passagem”, e, no entanto, manteve o serviço – essa é a discussão que deveria ter sido feita e não foi, e nem está, afinal, no ano passado com as mobilizações de junho, foi feito uma acordo entre a Prefeitura e a Piracicabana para segurar o aumento, e que a posterior seria discutido. (na renovação do contrato) Quer dizer, um toma lá da cá, e a Piracicabana mais uma vez sairá no lucro, nos oferecendo uma merda de serviço.

imagesPasse livre é o direito ao acesso à serviços públicos essenciais 

Como o Movimento Passe Livre (MPL) junto com outras organizações colocam; o transporte público tem que ser entendido como um direito social, pois ele é essencial e está relacionado ao direito ao acesso aos outros serviços públicos básicos como saúde, educação, trabalho, cultura, lazer… É o direito a cidade, a locomoção com respeito e dignidade. Hoje e sempre o que existe é um modelo excludente, cuja finalidade é lucrar e lucrar – e os governantes que temos, seja em qualquer esfera de poder, a imensa maioria não está nenhum um pouco interessada em discutir o transporte público com profundidade, discutir o Tarifa Zero, por exemplo, preferem desqualificar o projeto por interesses escusos ou por tacanhez mesmo. Após as manifestações de junho alguns cederam por pressão, essa é a verdade, outros procuram alimentar determinados discursos, mas o que querem é alinhar-se, atualizar o discurso político eleitoreiro, brigar por um transporte público gestionado pela população passa longe. Os conselhos de mobilidade que são montados nas cidades, não tem poder de nada, são ignorados, quando não, aparelhados – as audiências públicas quando ocorrem, são jogos de cartas marcadas, não tem jeito… Se esgota a discussão institucional, batalha perdida.

O que temos que ter claro, é que não precisamos de um serviço de transporte público nestes moldes, onde a população não tem poder de decisão nenhum, onde o controle de um serviço essencial é tratado como mercadoria – não adianta levantar bandeira de aumento de concorrência para melhorar o serviço, isso é somente a lógica capitalista de usurpar em cima de dinheiro público, e o resultado é sempre um péssimo serviço prestado.

Essa luta é com radicalização, na rua e com organização popular.

TARIFA ZERO. NADA DE LICITAÇÃO !!!!

Assista ao vídeo e entenda como funciona a lógica do transporte público hoje  e como funciona o Projeto Tarifa Zero, que muitos políticos querem desqualificar porque não atende a lógica mercadológica que financia muita campanha.

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2 ideias sobre “Transporte público é um direito, não mercadoria! Alguém avisou a Prefeitura de Santos sobre isso?

  1. Privatização dos transportes que começou em 1994 nas mãos do governo petista de Capistrano, após o governo petista de Telma levar a empresa CSTC a falência. Jeito competente de governar ! E porque na época dela não existiu a tarifa zero todos os dias? Cobrar dos outros é fácil, dar o exemplo né? O PT e voces petistas fazem me rir.

    • A Rádio da Juventude não pertence e não apoia nenhum partido. Tarifa Zero será cobrado de qualquer governo, seja de partido A, B ou C.

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