Greve dos coletores de lixo X Empre$a$ de pre$tação de $erviço.

Foto: santaportal.com.br

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A greve dos coletores na Baixada Santista terminou após o “terrorismo” das empresas em “quarteirizar” o serviço. (contratar outras empresas para cumprir o serviço). Os coletores com medo de perder o emprego retornaram ao trabalho. E aí, temos que colocar como contribuição: O desserviço da mídia que insistentemente disseminou aos quatro ventos os prejuízos à população que estava causando a paralisação dos coletores.

Outra contribuição prejudicial: são os grupos partidários, que ficam apontando culpados num jogo político eleitoreiro de barganha de voto, ao contrário de colocar em pauta o cerne de questão que é as péssimas condições de trabalho; os salários baixos, os assédios (moral e sexual) denunciados pelos coletores – e aí podemos citar também os cabides de empregos, e as dividas que certas empresas públicas da região acumulam em muitos zeros… (E sai do bolso de quem?) Levam isso ao debate? Não! São peritos em atrapalhar, essa é a verdade.

Não se vence uma guerra sozinho

Os coletores pertencem a uma categoria de trabalho muito marginalizada, muito desrespeitada e esquecida, de modo que a legitimidade dessa luta merece todo apoio. Porém, sozinhos sem a solidariedade da sociedade em compreender os significados da greve, não há o mínimo de organização que segure a onda, ainda mais porque temos que colocar na balança, que o setor terceirizado é muito frágil, articular mobilização requer tempo, que nem sempre para quem vive com R$ 755,00 dá folego para resistir. Por isso, é preciso a integração de outros setores da sociedade, outras categorias, no Rio de janeiro, por exemplo, a greve dos coletores durante o carnaval atingiu seu objetivo não somente porque foi combativa, mas porque havia outras organizações que contribuiriam e fortaleceram, meios independentes de comunicação fizeram circular informação, nos piquetes outros movimentos foram contribuir como massa, grafiteiros, artistas de rua, professores e uma infinidade de pessoas se colocaram ombro a ombro na luta, claro, que no Rio a configuração é outra, mas é triste constatar que na Baixada Santista a informação pouco circula e a integração menos ainda. (tem gente que nem percebeu que estava ocorrendo greve, claro, que este não pertencia à periferia, porque era lá onde o lixo mais se acumulava)

A tática do cansaço.

Cansar para desmobilizar sempre foi tática adotada por essas empresas, até mesmo quando são obrigadas pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT-SP) a cumprirem com suas obrigações, como ocorreu no mês passado em que o TRT-SP decidiu pelo reajuste salarial de 12,5%; estabilidade de 90 dias para todos os trabalhadores; pagamento dos dias de atos. Entretanto, as empresas ignoraram, e descontaram os dias de greve e mantiveram sua postura de vencer pelo cansaço, desrespeitando a própria Constituição Federal que em seu artigo 9º e a Lei nº 7.783/89, assegura o direito a greve.

No último dia 15 deste mês em reunião conciliatória nada foi resolvido, as empresas não aceitaram a proposta dos trabalhadores de reajuste salarial de 12,5%; contrariando, inclusive, a decisão do TRT-SP, que já havia batido o martelo a favor dos trabalhadores, mas as empresas não concordaram e entraram na justiça contra a liminar do Tribunal, contestando embargo declatório, e propuseram 10%, os trabalhadores não aceitaram e mantiveram a greve, no final das contas, acabaram vencidos pelo cansaço e pelo terror.

Interessante ressaltarmos aqui em como essas empresas “pintam e bordam”, traduzindo: fazem o que querem, e passam por cima até mesmo de uma liminar, tudo bem que uma liminar é apenas uma ordem provisória, e ela pode ser revogada, porém, é interessante refletirmos em como a justiça pouco funciona a favor dos trabalhadores, tudo muito frágil, não tem TRT que resolva, por que será?

Radicalmente, porque essa é a lógica da exploração e do privilégio de uma sociedade individualista, que está muito mais preocupada com o lixo que ela mesma produz – em boa parte de forma irresponsável; não recicla; não composta; não diminui os materiais nocivos à natureza – do que com as péssimas condições de trabalho de quem quer apenas 12,5% de aumento de R$ 755,00. Triste, porém real.

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