A barbaridade na democracia da informação

demoDesde o surgimento da internet que o livre circular de informação vem reconfigurando a vida social. Todos os dias, por exemplo, um torrencial de informação é disseminado pela rede, discussões que antes ficariam apenas no âmbito acadêmico, político, ou sequer teriam espaço para serem discutidas, hoje, com o advento da internet, são colocadas à disposição de todos. E, vale reforçar que às novas tecnologias que convergem em técnicas de produção – também têm contribuindo substancialmente para este fenômeno da democratização da informação. Por exemplo, todas essas ferramentas: internet, computador, máquina fotográfica, celular, smartphone, tabletes, entre outras, não atendem mais apenas a uma função especifica; organizativa, administrativa, ou de lazer, elas possibilitam que as pessoas as usem com fins de criação, comunicação, interação, autoafirmação e expressão de liberdade, de modo que criam um cenário onde as pessoas se tornam produtoras de conteúdo. Cientes, ou não, percebemos que cada vez mais, as pessoas estão utilizando essas tecnologias para atuar ‘politicamente’, seja fotografando, ‘tuitando’, ou gravando uma determinada situação que será compartilhada pela internet para gerar debate ou denúncia.

Com isso, a rede infla e torna-se um buraco negro de informações soltas onde temos que juntar cacos para analisar a veracidade. Entretanto, esse novo paradigma de produção de conteúdo contribui para a democratização da informação, além de fazer surgir novos protagonistas da comunicação (apesar do acesso à internet e às tecnologias não estarem dispostas de forma justa), pois não se trata apenas de criar possibilidades, mas sim, de estimular o exercício do direito natural: de falar, de questionar, de discordar… Além de visibilizar situações, pessoas, questões que são silenciadas em nossa sociedade. Portanto, fundamental para o exercício da democracia.

Cantagalo IIPorém, nesta caminhada, muitas barbaridades também serão reveladas, a exemplo, os vídeos de ‘tortura caseira’, que mostram pessoas apanhando, e neste caso vale destacar que, a maioria destes vídeos contém mulheres sendo espancadas:

– pai surrando a filha porque fazia sexo virtual,
– homem batendo e queimando com pontas de cigarro a namorada,
– a população espancando uma mulher na rua “supostamente acusada de algum crime”.
Como ocorreu na cidade do Guarujá que chegaram a matar uma mulher inocente. (leia aqui) Porém, mesmo que fosse ela a responsável. Espancar alguém em praça pública é fazer justiça?

Este é o ponto crucial desta democracia da informação, ela escancara a sociedade da intolerância e do sacrifício, cuja violência perpetrada é assustadora, não somente pela tortura de quem pratica, mas de quem aplaude, apoia, condena e acredita que, “corretivos” baseados em normas morais/religiosas/conservadoras/autoritárias são soluções para uma sociedade pacífica. Não é à toa que o candidato a Presidente da República Levy Fidélix vociferou sua intolerância em rede nacional, e parte das pessoas que assistiram no auditório acharam graça do discurso homofóbico e escroto do candidato, como se fosse um direito estimular o ódio. (debate da Rede Record) E por fim, nada acontece, Por quê? Bom lembrar, que de maneira mais sutil, outros também fizeram.

Temos que democratizar a informação, não a barbaridade, esta, deve ser repudiada. Quando uma violência é compartilhada ou tratada com escárnio, só estamos repetindo o fracasso de mais uma geração, além de reproduzir a violência de Estado internalizada e latente em todos nós.

Há sempre pesos e medidas. Quantos corruptos de colarinho branco roubam este país e nada acontece? Por que os grupos de extermínio só matam pobres? Cabe à reflexão o tipo de informação que compartilhamos e reproduzimos.

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