Falta de água na cidade de Itu e a política eleitoral e do negócio.

Foto: Web

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Nesta última segunda-feira (22) a população da cidade Itu (interior de SP) foi às ruas reivindicar do poder público para que solucione o problema referente às constantes falta de água que tem ocorrido na cidade desde o mês de fevereiro deste ano, inclusive, uma comissão de moradores organizados têm se reunido com a prefeitura, porém até o momento de prático nada foi resolvido. O estopim foi deflagrado porque alguns bairros da cidade estão ficando até uma semana sem água, com isso as aulas foram suspensas, creches ficaram fechadas e a situação se tornou insustentável. De acordo com informações da prefeitura os reservatórios de água estão trabalhando com 2% de capacidade.

Revoltada, a população foi às ruas. A manifestação foi marcada pelas redes sociais, e o ponto de encontro foi em frente à câmara de vereadores. Em torno de duas mil pessoas compareceram e começaram a atirar ovos e pedras contra o edifício legislativo – daí a resposta da prefeitura de Itu, foi enviar a polícia para reprimir os manifestantes, que em boa parte era composta por senhoras (os) idosas (os), crianças e adolescentes. Como de praxe, a polícia resolveu o ‘problema’ com bombas e balas de borracha. Virou uma praça de guerra, e de acordo com as fotos que se espalharam pela internet, fez lembrar o caso de desocupação na Av. São João, centro de SP, neste último, 16 de setembro.

Foto: R7

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A cidade de Itu vive dias de calamidade, inclusive, esta é uma discussão posta pelo movimento ‘Itu Vai Parar’, para legitimar o pedido de ajuda ao estado e a federação, porém a prefeitura reluta em colocar desta forma, porque de acordo com discussões que surgiram, a cidade ficaria cinco anos sem poder abrir novos condomínios (com piscina), especulação ou não, o problema acirra-se e muitos moradores estão se organizando e financiando caminhão pipa de outras cidades, enquanto outros de bairros mais pobres recorrem às águas de um córrego e de uma mina de água cercada de mato e lixo.

Segundo o Sr Geraldo Alckmin (governador de SP) racionar água é uma irresponsabilidade, não haveria motivos para isso, porém na prática, já estão fazendo, e como é ano de eleição está tentando sufocar de todas as maneiras a discussão. Agora, vale questionar que, toda a região que abrange as cidades de Itu, Sorocaba, Votorantim, Alumínio… Sempre conviveram com racionamento de água devido a quantidade de fabricas que existem na região, por exemplo, na cidade de Sorocaba no bairro do éden, zona industrial da cidade que comporta fábricas como a Pirelli, a água sempre foi um privilégio, para as empresas, porém, nunca se ouviu falar que alguma dessas empresas tivesse que diminuir a produção por falta de chuva.

MAEDAA discussão que existe é sobre a péssima administração das prefeituras, porque os poços e represas dessas empresas são privados, portanto em nada influenciam na falta d’água nos bairros. Será? Mas podemos levantar algumas questões como, por exemplo, a fazenda Maeda de Itu que já foi monocultura de tomate e hoje comporta um dos maiores parques privados do interior e tem uma represa maior do que a que abastece a cidade.

Ou podemos citar que a segunda cidade do estado de São Paulo que mais gasta energia, é a cidade de Alumínio que conta com 17 mil habitantes, mas com a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) uma empresa de alumínio que consome toda a energia e água praticamente equivalente à cidade de São Paulo. De acordo com dados da Secretaria Estadual de Energia, enquanto todas as residências da cidade de São Paulo gastam 11.127.288.780 de KWh (dados de 2010), a área industrial de Alumínio, onde está instalada a CBA, gasta aproximadamente 5,46 bilhões de KWh. Esse consumo é bem superior, por exemplo, ao do município de Sorocaba que totaliza 1,87 bilhão de KWh, distribuídos em: residencial (0,106 bilhão de KWh), rural (0,0074 bilhão de KWh), comercial (0,003 KWh), e iluminação pública, poderes públicos, serviços públicos e consumo próprio (0,140 bilhão KWh). Segundo a CBA, por essa razão, a empresa produz 70% da energia elétrica que consome e acaba de investir R$ 16 milhões em um Centro Operacional do Sistema de Energia.

Ok. Mas diminuir a produção nem pensar…

Enfim, são essas discussões que são importantes e fundamentais de serem questionadas, e que muitos grupos políticos e empresariais irão contrapor com números injetados na economia e com discursos desenvolvimentistas, que, aliás, servem para quem? Afinal, a falta d’ água não é tão somente o resultado da falta de utilização consciente por parte da população, como quer insistentemente nos fazer acreditar os governos, mas de uma lógica capitalista de consumo desenfreado que está destruindo todos os recursos naturais. E vamos colocar aqui, que o Brasil é um país privilegiado com 12% de água doce do mundo disponível em rios e ainda abriga o maior rio em extensão e volume do planeta, o Amazonas. Ainda assim a distribuição de água é irregular, ou seja, a distribuição é desigual, graças aos fatores elencados.

É preciso chamar a atenção que este modelo capitalista de produzir e consumir de modo alienado são os principais fatores pela falta d’ água.

Curiosidade. Alguém por acaso questiona a quantidade de água desperdiçada num Aqua Park?

OBS: Ocorreu outro ato ontem (25) no centro da cidade de Itu, os manifestantes decidiram ir até a sede do partido do prefeito Tuize, e foram recebidos com bombas de gás e balas de borracha, inclusive, por bombas lançadas de dentro da sede do PSD.

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