O racismo, o machismo e a homofobia nos estádios de futebol.

latuff-violencia-estadiosEstádio de futebol é um dos locais mais preconceituosos que existe. Onde as exposições do machismo, da homofobia, do racismo e da intolerância se fazem presentes e de modo naturalizado. Um local perpetrado pela violência das torcidas e legitimado pelo silêncio da hipocrisia e das quantias milionárias que movem o espetáculo futebolístico.

Quando o goleiro Aranha levantou a voz contra a discriminação racial que estava sofrendo, abriu mais um precedente para uma intensa discussão sobre a questão do racismo internalizado há quinhentos e quatorze anos em nossa sociedade. Mesmo que muitos não aceitem ou não acreditem nisso, racismo existe sim. E ainda não foi resolvido! Do mesmo modo como a homofobia e o machismo – porém estes, a justiça ainda não entende como crimes. Por isso a resposta ao caso de racismo evidenciou também a misoginia da nossa sociedade, e poucas são as vozes que têm coragem de questionar a miopia que se instaurou – graças também a mídia burguesa e calhorda que, num recorte tendencioso, colocou toda a responsabilidade do racismo na conta da torcedora do Grêmio, que foi racista e está respondendo judicialmente. Entretanto, a personificação dela neste caso só atende ao espetáculo, não resolve nada. Pior, escancara o patriarcado existente que, como o racismo, precisa urgentemente ser colocado em discussão. Dados divulgados pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica

Aplicada), 17 mil mulheres foram mortas vítimas de agressões, entre 2009 e 2011. É um óbito a cada hora e meia, em decorrência de conflitos de gênero. Por isso a própria lei Maria da Penha é tratada por muitos com escárnio, juristas inclusive, decorre disso que sua aplicabilidade encontra diversas dificuldades. Ah! Mas não é bem assim… Como não? Se você ainda não viu machismo neste caso, somente o racismo, desculpe, mas você é machista! E como privilegiado não irá querer discutir isso. Mas nós vamos. Machistas, racistas e homofóbicos não passarão “batidos” nesta história.

Uma constatação que a maioria da população brasileira concorda é a de que nossa sociedade é racista. Certo? Porém, todos esses indivíduos se negam a admitir que eles próprios sejam racistas. Isso ocorre devido aos critérios utilizados para classificar “brincadeira” e “coisa séria”. O mesmo pode ser aplicado ao machismo e a homofobia. Hoje em dia vivemos uma proliferação de comediantes que destilam seu preconceito em horário nobre sob a manta da “brincadeira” e da “liberdade de expressão”. Muitos políticos, líderes religiosos e pessoas com grande influência na sociedade fazem o mesmo. Assim, esse tipo de conduta acaba sendo socializada na escola, no trabalho e em todos os meios sociais. As crianças muitas vezes tecem esse tipo de comentário de forma inocente, apenas reproduzindo o que é constantemente convencionado na sociedade ou no seu círculo familiar. O caso de racismo envolvendo torcedores do Grêmio e o goleiro Aranha do clube santista é emblemático. As provocações entre as torcidas sempre tiveram um fundo preconceituoso para humilhar ou ofender os torcedores adversários quando não se podia vencer por meio do futebol. Por isso criou-se o estigma do pó-de-arroz, do bandido, etc.

Constatamos a barbárie quando, nesse caso, ao rebater os gritos racistas de uma torcedora do Grêmio que chamou o goleiro do Santos de macaco, torcedores lançaram mão do machismo para castigá-la, incentivando que um negro deveria estuprá-la como forma de punição. Agora, ela foi a única no campo que teve uma atitude racista? E quem a chamou de vadia, entre outros absurdos, estava certo (a)? E chamar jogador de veado também não é homofobia? Está mais do que na hora de tratarmos tudo isso como crime. São essas questões que precisam ser discutidas com lucidez.

REPÚDIO às atitudes racistas, machistas e homofóbicas!

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