Desrespeito policial à juventude periférica de São Vicente

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Domingo, 05 de maio de 2013. O que está ocorrendo por trás deste quiosque localizado na praia da biquinha em São Vicente SP, é algo que tem ocorrido frequentemente na cidade, principalmente aos fins de semana e feriados. ( e não é um fato isolado)

“Desrespeito policial à juventude periférica de São Vicente “.  

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A foto não mostra claramente, mas há em torno de seis jovens que foram abordados na ciclovia e levados para trás do quiosque, talvez para que não ficassem à vista das pessoas que passavam pelo calçadão e vissem o “esculacho”, sendo que este tipo de atitude policial além de inadmissível, demonstra  a tática do terror que é empregada contra jovens da periferia com finalidade de bani-los de áreas públicas de lazer, pois, após serem abordados, os jovens  ficaram por um tempo sendo “investigados” e logo após toda a revista, ao contrário de serem liberados, ficaram no local aguardando, enquanto os policiais ficaram indo e vindo de um lado para outro, criando toda uma situação tempestuosa inexistente, até que por fim, num tempo de doze minutos e trinta e um segundos (cronometrado por este vos escreve) foram liberados e obrigados a retornar no sentido contrário que vinham pela ciclovia.

Pra quê? E por que tudo isso? Exagero deste que escreve? Não!

É importante evidenciar que em tempos estritamente penais, a naturalização destes atos policiais é extremamente assustadora e perigosa, por isso, de forma alguma pode ser encarada como sinônimo de segurança, ainda mais quando essas ações trazem incutidas o recorte de classe que persegue jovens pretos, favelados, pobres e periféricos.

Dados do Ministério da Saúde  revelam que o homicídio é a principal causa da morte entre jovens de 15 a 29 anos, moradores das periferias e áreas metropolitanas dos centros urbanos, e que 53,3% das 49,9 mil vítimas de homicídios em 2010 no Brasil  eram jovens, dos quais 76,6% pretos e pardos e 91,3% do sexo masculino.

A relevância destes dados tem que romper a barreira do silêncio social, pois é numa ação descabida como essa promovida pela policia que se inicia o processo de higienização que a luz do dia esculacha e na calada na noite mata.

OBS: As fotos estão distantes porque foram tiradas de celular e não havia condições de aproximação.

O esculacho nosso de cada dia: Jovem voltando de uma entrevista de emprego leva geral da polícia

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A quantidade de policiais por metro quadrado na cidade de São Paulo é sinal de segurança ou de puro controle social?

Oras, quem vive em São Paulo já deve ter notado a quantidade de policias que estão pelas ruas garantido a segurança da população, principalmente no centro. Interessante salientar que algumas bases policiais instaladas são bem estratégicas, na Av Paulista por exemplo, frente ao Museu de Arte Moderna (MASP) onde sempre ocorre  diversas manifestações, (que inclusive a policia marca presença pra reprimir) tem lá uma base em atenção.

Foto-0183Curioso né? Pois bem, no dia 4 de janeiro a Rádio da Juventude esteve participando do Ato em Solidariedade aos Presos Mapuches no Chile que ocorreu exatamente no Masp, (vide matéria sobre no link) e infelizmente presenciou um jovem sendo esculachado pela PM em plena luz do dia ( por volta das 14h).

Segue o bate papo rápido que fizemos com o rapaz e tirem as conclusões de como a onda de violência direcionada à juventude não para. Sendo que, importante refletirmos sobre toda essa militarização das cidades, por que isso? Copa? Olimpíada? Será uma espécie de domesticação da população para tempos obscuros que virão? (continuaremos com esse assunto)

Bate papo:

Foto-0209Rádio da Juventude: E aí cara o que houve ali com a Polícia? Pareceram bem agressivos com você?

Jovem: Tranquilo é assim mesmo… só geral

Rádio da Juventude: Tranquilo como? Desculpa te encher, mas, a forma como te trataram não é legal não.

Jovem: To ligado, mas eles queriam saber se tava passando algo, ou ia fumar… eu tava lá de boa acabei de vim de uma entrevista e só tava dando um tempo, mas ali é osso, cola muita molecada pra fumar, aí tem uns nóia, tá ligado?

Foto-0208Rádio da Juventude: Sei… Quantos anos você tem?

Jovem: Vinte

Rádio da Juventude: Tu é daqui de SP?

Jovem: Sou lá do Boa Vista

Rádio da Juventude: Eles mexeram na tua bolsa né?

Jovem: É cara, mas, eles não tão nem aí, vê só quantos “homi” tem na rua, ficar dando mole, eles pensam mal de você e já querem te enquadrar e levar pro esculacho, é normal, fazer o quê? To acostumado…

Rádio da Juventude: Entendi, é que pra mim isso é maior violência, eu vi eles sacudindo sua bolsa, te revistando, isso não é certo não, tá ligado, não quero te encher, mas sou de uma rádio lá da Baixada Santista e queria divulgar isso, eu tirei fotos do que aconteceu.

Jovem: Tranquilo cara, mas não quero que apareça meu nome não, beleza?

Rádio da Juventude:Tranquilo, escuta tinha um cara lá que eu vi que desceu pelo vão, o que foi aquilo?

Jovem: Então, ali perto de onde eu tava sentado, tinha um cara deitado, acho que mendigo, aí quando os homi veio, mandaram já o cara descer pelo vão, dizendo: “aí some daqui, vai desce por aí mesmo de onde tu saiu”. É assim mesmo…

Rádio da Juventude: Assim mesmo como?

Jovem: A geral cara…. policial é assim… e aqui no centro é foda! os cara tão sempre aí querendo enquadrar, mostrar serviço, aí, ali no Masp nem cola de ficar, porque já ficam de olho…

Rádio da Juventude: Mas o espaço ali é público não é? E tinha outro pessoal também e não fizeram isso?

Jovem: É que eu tava mais afastado, os homi já acham que tá na escama, mas é assim, na cidade é eles quem mandam e não dá pra fazer nada, é foda! Mas é isso aí…To acostumado, nem ligo mais..

Rádio da Juventude: Beleza cara, valeu! vai na paz!

Jovem: “Só”.

OBS: A naturalização de acontecimentos como este não podem ser tidos como naturais, ( ainda mais porque não são isolados, tem se tornado frequentes e propositalmente direcionados) mesmo que a juventude não perceba isso, afinal, ir atrás de um trampo e no caminho para casa ser humilhado, é muita violência e retira as esperanças de qualquer um. Precisamos subverter essa lógica!

A Encenação da fundação da vila de São Vicente: Legitimação e glorificação do holocausto indígena

Não bastasse a atual conjuntura de caos na administração municipal de São Vicente, herdeira da dinastia França, o novo prefeito Bili já começou a mostrar a que veio. Em meio ao tom populista, evidenciado pelo discurso de redução de gastos da máquina administrativa, destacam-se também as concepções nitidamente fascistas, marca registrada do atual partido do prefeito, o Partido Progressista (PP), legenda oriunda da antiga ARENA, que representava as forças repressoras durante a ditadura militar em nosso país.

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Declarações homofóbicas, defesa da “moral”, dos “bons costumes” e da “família” marcaram o inicio turbulento de sua administração, enquanto no outro lado da história, as creches continuavam com escasses de merenda, os salários dos servidores de diversas categorias continuavam atrasados, o lixo amontoava-se nas calçadas e as pessoas simplesmente morriam nos corredores do CREI (Centro de Referência Emergência e Internação).

Como uma cereja podre a “encenação da vila de São Vicente” veio para decorar um bolo mofado e cheio de vermes. Inicialmente a administração dava a entender que devido aos cortes no orçamento seria inviável garantir o “espetáculo” que acontece praticamente todos os anos desde 1982. Essa notícia deu brecha para que políticos oportunistas, como o deputado Luciano Batista, encontrasse uma maneira de se auto-promover. O deputado que é bastante próximo ao governador Geraldo Alckmin conseguiu a liberação da cifra de 1 milhão de reais para garantir a “festa”. Lembrando que o gasto total da encenação no ano anterior foi de incríveis 6 milhões de reais, dinheiro público utilizado para pagar cachês de galãs globais, encher o bolso de “diretores de teatro” super-egóicos e por fim distribuir entre os vereadores, deputados e gestores da máquina pública, personagens não tão famosos quanto os globais, mas que exercem um papel fundamental na trama da corrupção brasileira.

Alheios às cifras os grupos de teatro amador, os jovens, crianças e idosos participaram do “espetáculo” como “voluntários”. Nos ensaios era possível medir o amor que os “cifrados” nutriam pelos “voluntários”: “ – Olha, quem não ficar até o final não vai ganhar lanche! Corta o lanche deles!” berrava o diretor pedindo aos organizadores não deixarem que algumas crianças se ausentassem do local do ensaio.

Seria apenas “trágico” se isso fosse tudo, mas a indignação aumenta quando nos damos conta do conteúdo da encenação, esse ano apresentada no formato de um musical.

O 1 milhão de reais, dinheiro público (nosso) que poderiam ser utilizados para pagar os salários atrasados dos servidores e comprar merenda para as creches, por exemplo, foi gasto em um espetáculo legitimador de uma das maiores carnificinas da história do nosso continente: a invasão dos portugueses ao território dos povos originários e sua posterior dominação e dizimação.

Em meio a músicas que lembram as canções dos filmes da Disney, todo discurso dos “vencedores” e colonizadores era colocado sob a óptica nacionalista, ufanista e civilizatória do branco europeu, homem valente que cruzou os sete mares para levar os benefícios da “civilização ocidental” e “salvar as almas” dos povos bárbaros que aqui habitavam, através da sua conversão à fé católica.

Os índios, retratados como animais maléficos que comiam uns aos outros, representavam perigo aos bravos colonizadores, por isso deveriam ser escravizados. Usados como meros adereços exóticos e folclóricos (no mal sentido) o “espetáculo” passa a imagem de um índio passivo a sua própria destruição étnica.

Tudo isso em um momento no qual os povos indígenas que ainda resistem em nosso território sofrem numerosas perseguições, ameaças e assassinatos. Um exemplo é a situação dos Guarani Kaiowá.

Em meio aos gritos de fãs histéricas e uma grande queima de fogos de artifício o diretor cultua o status quo da sociedade capitalista de consumo, berrando constantemente o nome do ator global que interpretou Martim Afonso de Souza. Assim termina a encenação da fundação da vila de São Vicente. Todos saúdam a grande festa da “Primeira Câmara das Américas” a tal “Célula Matter da democracia brasileira”. Enquanto os espectadores saem satisfeitos, o locutor oficial do evento, contratado pelo Governo Alckmin trata de puxar a sardinha para o governador, destacando a liberação da verba milionária. O controlador do som, por sua vez, subalterno da administração municipal, trata de abaixar o som do microfone no exato momento em que o locutor discorria a bajulação ao Governo do Estado. Logo após o “incidente”, o locutor, agora em alto e bom som registra alegremente a presença de centenas de personalidades entre vereadores, deputados e apadrinhados políticos. Fim do pão e do circo.

Operação caça folião em São Vicente. Absurdo!

Foto-1633Uma das ações mais absurdas e truculentas vivenciadas na cidade de São Vicente. Chegamos ao ponto, onde até o carnaval no país do carnaval não é permitido, e para evitar que a população brinque o carnaval, uma ação fascista do Governo Municipal disponibiliza todo um efetivo policial com único intuito: reprimir.

Impossível não associar com uma ditadura. Impossível se calar quando nos pedem silêncio com cassetetes e cães.

A diversidade, a pluralidade e a liberdade em São Vicente andam com os dias contados. Reina a intolerância, o jogo politiqueiroFoto-1570s e as botas dos governantes sobre nossas cabeças.Foto-1633Foto-1629Foto-1651

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Carnaval em São Vicente: Uma ditadura particular

Foto-1587Neste domingo dia 10 de fevereiro, foliões vicentinos compareceram em massa no maior bloco de carnaval da cidade, o Ba-baianas. E também como prometido pela Prefeitura da cidade, a Força Tarefa marcou sua presença para coibir que o bloco saísse do bairro e passasse pelas vias do centro indo até a praia. Quem esteve presente pode conferir uma verdadeira operação de guerra que remetia ao regime ditatorial. (se é que não foi uma ditadura particular)

Foto-1565Foi por volta das 11h que o bloco das Ba-baianas saiu em direção oposta à de costume, circulou pelo bairro de forma contida, mas provocante, iniciou com um grito de guerra que mandava o Prefeito ir chupar. Porém, o som do trio elétrico estava baixo e como havia apenas um este ano, as pessoas que vinham acompanhando o trio numa distância maior de 60 metros, simplesmente não conseguiam ouvir nada.

Foto-1634Num passeio de uma hora e meia o bloco retornou ao seu ponto de partida e a pedido de Oficiais da Polícia Militar (PM), que de forma “delicada” disseram aos organizadores que era para acabar a festa ali, e deste modo, evitar problemas.

Pois é, como já diz o ditado “manda quem pode e obedece quem tem juízo”, lá se foi o carnaval de rua, deu para brincar um pouco, beber um pouco, xingar um pouco e se irritar muito! Pois, foi vergonhosa a forma como a população foi tratada num dos únicos momentos em que ela pode sair à forra e se divertir, depois durante o percorrer do ano,  enfrentar um CREI sucateado, uma Educação sucateada e toda uma cidade entregue aos vermes do Estado, que fizeram palanque, que fizeram uma São Vicente entregue ao descaso.

Foto-1569Vamos economizar as palavras, silêncio! Eles pedem com os cães para ficarmos em silêncio.

Está difícil de viver numa Baixada Santista policiada

Policia fazendo ronda

A ronda que não respeita calçada, praça, semáforo… Muito menos a população pobre.

Como já noticiado aqui no blog, é só chegar alguma data festiva que culmine num feriado prolongado que o efetivo policial na Baixada Santista aumenta espantosamente. Comandos pelas vias principais da cidade, batidas na ciclovia, helicóptero circulando pela areia da praia, motos cruzando praças e calçadas, é isso, a operação de guerra está armada num perverso recorte de classe.

Morador de rua convidado a circular

Morador de rua convidado a circular

É nestes dias que a higienização social acentua-se duramente, afinal, a Senzala não pode ir à Casa Grande sem ser convidada, ela existe apenas para servir e ser a mão de obra que garante a riqueza do sinhozinho e da sinhazinha, enquanto os jagunços mantém a ordem e a segurança.

Ontem dia 02 de fevereiro de 2013 a orla da praia de São Vicente parecia um desfile de sete de setembro, porque a quantidade de militares circulando era espantosa, uma verdadeira ação tarefa mobilizando a PM, a Rota, a Guarda Municipal e a CET. Será que isso garante segurança ou é só para provocar terror?

As duas coisas, segurança para turista e terror para a população pobre, quem não concordar, que fique à vontade para avaliar na prática, basta ficar alguns minutos observando as ações policiais que irá constatar em como a polícia é despreparada, e em suas ações realmente seguem uma cartilha igual aquela nota que o Comando da PM de Campinas apresentou, ” abordar  especialmente indivíduos de cor parda e negra entre 18 e 25 os quais estão sempre em grupo de 3 a 5.

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Policial enquadrando ciclista na ciclovia

Infelizmente o celular que estava sendo utilizado acabou a bateria e há poucas fotos ( mas, dá para ter uma ideia), senão iríamos fundamentar por meio da imagem, uma situação que ocorreu na Praia da Biquinha neste dia 2 de fevereiro em que um grupo de jovens que estavam sentados num banco do calçadão foi abordado por um bando de policiais armados que simplesmente desceram o esculacho em plena luz do dia.

Sendo que um destes jovens tinha 12 anos e ficou o tempo todo sofrendo o assédio dos policiais que o interrogavam perguntando “onde tá o bagulho”. Com a movimentação das pessoas que por ali passavam e queriam entender o que estava ocorrendo os jovens foram convidados a ‘circular” ( jargão da polícia) fomos atrás do garoto de 12 anos, e ele relatou à Rádio da Juventude que um dos policiais disse que não queria vê-lo mais por ali, porque ali não era o lugar dele. Ué, qual o lugar dele então? Ele estava num espaço público. (válido lembrar que esse garoto estava somente de bermuda, quer dizer, qual o perigo que os policiais identificaram  neste menino? Enfim, ele era preto, talvez essa fosse a temeridade)

Policial enquadrando ciclista.

Policial enquadrando ciclista.

Esta é a realidade que explode para essa juventude da periferia e quanto mais adjetivos essa sociedade lhe empurra, em piores condições ela se encontra, ou seja, ser preto, favelado, funkeiro, pobre… Mais perseguido será, pois esses esteriótipos sustentados, infelizmente, para a maioria das pessoas são sinônimos de bandido, ladrão e mau caráter. Não é à toa, que mesmo quando algumas pessoas que passaram e se indignaram com a situação, comentaram: “ah! vai procurar bandido na favela”, enquanto o correto seria: vai procurar bandido em Brasília, é lá que está!

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Feriado e violência policial em São Vicente

Mais uma abordagem truculenta da Polícia Militar em São Vicente

 

Alckmin em São Vicente: Confetes, pontes, blábláblá e R$ 1 milhão para encenação?

O governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, esteve nesta última terça-feira dia 15 de janeiro de 2012 em São Vicente para assinar os protocolos de abertura de licitação para efetivar obras na Rodovia dos Imigrantes. O objetivo dessas construções é resolver definitivamente o problema do trânsito que liga a Capital Paulista com a Baixada Santista, mais precisamente no litoral sul – entre as cidades de Peruíbe, Itanhaém, Mongaguá, Praia Grande e São Vicente (mas o transporte público continua caro e deficiente).

Lembrando que no ano passado, no dia 21 de dezembro, o governador também esteve na região (na cidade de Santos) para anunciar a compra de 22 Veículos Leves sobre Trilhos (VLT) para a Baixada Santista. (sem querer se aprofundar no tão sonhado VLT que já tem data marcada para iniciar – março de 2014 – após uma década de promessas) Enfim, a vinda de Alckmin na Baixada novamente é mais uma estratégia propagandística para as eleições de 2014, onde prefeitos jogam confetes para abocanhar um quinhãozinho aqui e outro ali, do que para trazer soluções de fato.

Infelizmente os horários desses eventos são sempre em momentos em que os trabalhadores estão trabalhando, por isso, pouco ou nada se vê em relação a alguma manifestação de repúdio (pelo fato também da Baixada ter pouca organização popular), principalmente por este ser um dos governos mais reacionários da história do Estado de São Paulo, que vem promovendo massivamente uma higienização social descarada e violenta contra a população pobre, vide: “Pinheirinho”, ” Cracolândia”, e a lista não para, se formos elencar tudo que vem ocorrendo. Para se ter uma ideia, um dos motivos vociferados por Alckmin em relação à construção dos viadutos, não tem nada a ver com o trânsito, mas, disse ele: controlar o índice de marginalidade nos trechos da Rodovia, e acrescentou, quando lhe fizeram uma pergunta sobre a onda de violência no Estado de SP, que uma de suas propostas é a redução da maioridade penal. Esta aí o cara que desceu à baixada e foi recebido com confetes.

Pois bem, 2014 é ano de eleição, e é costurando alianças que se projetam pontes e viadutos. E no que se diz respeito à cidade de São Vicente, cheia de problemas de ordem econômica e administrativa – e com um novo prefeito que prometeu o Paraíso, mas que começou cortando gastos atingindo a população covardemente – evidente, que ao contrário de uma manifestação, o novo prefeito (Bili) levou a sua cordialidade, para assim, garantir sobrevivência, solicitou por um hospital, expôs as dificuldades da cidade e blábláblá – negócios. (não há porque esperar algo de um governante profissional, oras.)

E como quem não chora não mama, quem não libera não ganha!

Roendo o ossinho e jogando o confetezinho, o Governador se alegrou e liberou R$ 97 milhões para os oito municípios que têm direito à verba do Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias (Dade) na região, exceto Cubatão. Só para São Vicente, liberou R$ 50 milhões para a construção de uma nova ponte sobre o Canal dos Barreiros e mais 3,5 quilômetros de pista.

Agora é só aguardar o edital e os trâmites da lei 8.666 de Licitações, que muita gente reclama de burocrática, mas que na verdade garante à iniciativa privada mamar no dinheiro público, exemplo disso, no que se trata de obras do Governo do Estado, trazendo um pouco para a realidade vicentina, temos o Viaduto Mário Covas, que corta a Rodovia dos Imigrantes, ligando os bairros Parque Bitarú e Vila Margarida, cuja obra é extremamente mal planejada e principalmente há de se colocar que a população que mora ao redor não foi consultada, muito menos indenizada com os problemas que o viaduto trouxe, pois derrubou o valor das casas que ficam ao redor, há algumas que simplesmente ficaram sitiadas pelo viaduto.

E aí, a culpa é de quem? Com certeza se formos aprofundar, chegaremos a uma conclusão: O dinheiro público, da forma como é usado, pouco faz para o bem comum das pessoas, ele só financia empresas que vão entrar nesse edital, superfaturar, explorar trabalhadores e construir problemas.

Continuando com o dinheiro público liberado…

Para apoiar o maior espetáculo do mundo em areia de praia ao ar livre (como se isso quisesse dizer alguma coisa), o governador decidiu liberar a bagatela de R$ 1 milhão para a 31ª edição da Encenação da Fundação da Vila de São Vicente. Segundo o novo prefeito vicentino, o espetáculo deste ano será uma apresentação teatral de volta à sua origem histórica (lembrando que no final do ano passado o novo prefeito disse que cortaria gastos e faria uma versão menor da apresentação). E agora, José? Com R$ 1 milhão nas mãos, como vai ser?

Para quem ainda não sabe, a entrada do espetáculo este ano é um ato solidário, ou seja, custará 800 gramas de achocolatado ou um leite em pó integral, que será repassado para o Fundo Social, que destinará às escolas e às creches de São Vicente. Eis o ponto: no final do ano passado, houve denúncia de falta de alimentos nas escolas e nas creches, que resultou em reportagens por meio da mídia corporativa e da mídia independente. Em resposta à denúncia, a supervisora da SEDUC disse que não havia problemas, apenas atrasos, porém, os pais denunciaram e disseram que houve e ainda há problemas sim, o que vem a se confirmar com esse pedido de solidariedade.

Mas e aí, que fazer? Esperar que Geraldos e Billis resolvam nossos problemas?

Apelo de solidariedade às famílias do assentamento Milton Santos

Reproduzimos abaixo comunicado do setor de comunicação do assentamento Milton Santos, que vive um momento delicado nos últimos dias. Como não poderia ser diferente, nos colocamos ao lado dos companheiros nessa luta.

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A comunidade do assentamento Milton Santos vive uma situação urgente e extremamente delicada.

O assentamento Milton Santos é uma comunidade consolidada há 7 anos, por 68 famílias que batalharam na luta pela reforma agrária e construíram suas casas e suas vidas mantendo plantação e produção de alimentos na região de Americana, São Paulo. No entanto, desde julho de 2012, os moradores do Milton Santos vêm sofrendo pressões para saírem das terras nas quais foram legalmente assentados pelo presidente Lula e pelo Incra, em 23 de dezembro de 2005.

Em meados do ano passado, o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) foi intimado a cumprir uma reintegração de posse solicitada pela pela família Abdalla, antiga proprietária do terreno que teve parte de sua propriedade confiscada, na década de 1970,  por conta de dívidas que mantinha com o Estado. Ignorando o longo e doloroso processo de consolidação da comunidade de pequenos agricultores – que conta inclusive com apoio de diversos programas governamentais – o Desembargador Federal Luiz Stefanini autorizou a ordem de despejo.

Desde então, várias tentativas se seguiram no sentido de reverter a situação. Conversas com representantes do governo e ações de protesto foram realizadas, mas nenhuma delas trouxe a garantia que as famílias precisam para voltarem às suas vidas e continuarem a sua produção.

No início desse ano, no dia 09 de janeiro, o Incra foi oficialmente comunicado da decisão judicial, que estabelece o prazo de 15 dias para as famílias se retirarem do terreno. Conforme o documento, a partir do dia 24 de janeiro a ação de despejo pode ser executada com o uso da força policial. E, de acordo com o histórico da região, é muito provável que esta ação seja feita de forma altamente truculenta.

Os assentados não têm nenhuma alternativa, por isso prometem lutar até as últimas consequências para que possam continuar vivendo tranquilamente em suas casas, com suas plantações, na comunidade onde já estão há 7 anos e pela qual empenharam toda a vida. Por isso, reivindicam que a presidenta da república, Dilma Rousseff, assine o decreto de desapropriação da área por interesse social, a única medida que resolveria o problema de forma definitiva.

A situação no local é extremamente tensa. É urgente difundir o que está acontecendo com o assentamento Milton Santos e apoiar a luta dessas famílias que correm o risco de serem jogadas na rua a partir do dia 24 deste mês. Apelamos para que apoiadores da causa, jornalistas e observadores de direitos humanos voltem a sua atenção para o caso e não deixem que outra barbárie se repita.

Saiba mais sobre o caso:

www.assentamentomiltonsantos.com.br

http://www.facebook.com/AssentamentoMiltonSantos

 

Entre em contato pelo email:

assentamentomiltonsantos@gmail.com

Mães de Maio lançam livro na Rádio da Juventude (ouça o programa!)

A periferia de São Vicente foi a primeira região na Baixada Santista a receber o lançamento do novo livro das Mães de Maio, chamado “Mães de Maio, Mães do Cárcere – A Periferia Grita”.

Nós da Rádio da Juventude tivemos a satisfação de falar em primeira mão sobre o livro, lançado em Sampa três dias antes, e que é mais um esforço do Movimento em dar visibilidade aos crimes cometidos pelo Estado brasileiro (principalmente o de São Paulo), a partir de 2006. Neste sábado, dia 08 de dezembro, o programa Vozes do Gueto recebeu a coordenadora do movimento, Débora Maria da Silva, e o poeta Armando Santos, onde conversamos por mais de duas horas.

Parceiras e referência de luta para nós, as Mães de Maio já tinham passado pela Rádio da Juventude neste ano. Agora, voltaram em transmissão que rolou ao vivo só para os moradores da região da Vila Margarida, periferia de São Vicente. O livro, inclusive, além da palavra de vários parceiros, traz nosso manifesto: “A luta por mudanças se faz além das urnas”.

CLIQUE AQUI E OUÇA O PROGRAMA NA ÍNTEGRA

Transcrevemos aqui algumas falas dos convidados:

Armando

“Não adianta trocar secretário (…) Tem que mudar o sistema de segurança pública (…) E tem que desmilitarizar mesmo!”

Débora:

“Eu paguei a bala que matou meu filho. (…) Essa bala que matou meu filho teve uma direção certa: o pobre, o negro, o periférico.”

“Em 2006 trocaram o comando, todo o aparato corruptor, mas só pra inglês ver. Porque a política continua a mesma, talvez pior.”

“[o atual secretário de Segurança Pública de SP] Grella foi um dos procuradores com quem tivemos conversando, e ele foi um dos que se exaltou quando eu falei que era necessário a federalização dos crimes, e ele rapidamente mandou o Ministério Público fazer uma investigação interna para poder blindar o pedido de federalização que nós fizemos em 2010.”

“Que se faça a desmilitarização, porque a gente não precisa de duas polícias: uma polícia que mata e uma que não investiga”

“A mídia, por trás dela, vive o capitalismo”

“A gente não precisa de mais partido. A gente precisa de mais vergonha na cara por parte deles!”


Lançamento: Mães de Maio, Mães do Cárcere – A Periferia Grita

MÃES DE MAIO, MÃES DO CÁRCERE – A PERIFERIA GRITA (Nós por Nós, São Paulo, 2012)

(Evento no facebook)

Coletiva de Imprensa + LANÇAMENTO nesta Quarta-Feira (05/12), a partir das 15:30hs no Sindicato dos Jornalistas (Rua Rêgo Freitas, 530 – Sobreloja – São Paulo)

Mais informações: 13-8124-9643 (Débora Maria) ou 11-98708-7962 (Danilo Dara)

Coletiva de Imprensa nesta Quarta-Feira (05/12) a partir das 15:30hs no Sindicato dos Jornalistas (Rua Rêgo Freitas, 530 – Sobreloja)

Seguiremos, no mesmo dia, a partir das 18:00hs, ali do lado para o SESC Consolação – Teatro Anchieta (Rua Dr. Vila Nova, 245 – Consolação, São Paulo), junto ao lançamento do Relatório Anual de DH da Rede Social de Direitos Humanos.

Ao longo das próximas semanas ocorrerão diversas outras atividades de lançamento/apresentação do livro (CONFIRAM ABAIXO).

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Direito à Memória e à Verdade: ditadura nunca mais!

Nos dias 22 e 23 de novembro de 2012 e 05 e 10 dezembro de 2012 ocorrerá, em celebração ao “Dia Internacional da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o evento: “Direito à Memória e à Verdade: ditadura nunca mais!”, composto por mesas de debate, oficinas, exposições, sessões de cinema dialogadas e atividades culturais.

Programação

22/11/2012 – Quinta-feira
Abertura – 19hs
– Raiane Patrícia Severino Assumpção (CRDH Unifesp)
– Francisco Assis das Virgens Calazans (CDH Maria Dolores)
– Célio Nori (Fórum da Cidadania)
– José Ricardo Portela (CRP – subsede Baixada Santista)
– Mônica de Melo (Defensoria Pública do Estado de SP – Regional Santos/ Litoral)
– Renato Azevedo (OAB – Guarujá)
– Cheila Olalla (MNDH)
– Dep. Adriano Diogo – Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado de S. Paulo

Mesa Direito à Memória e à Verdade – 20hs
Amélia Teles – Profa. Doutora – USP
Noite Cultural: 21h30
MPB: Cultura de resistência à ditadura.
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23 de Novembro
Coral Clave de Sol
Mesa: Panorama sobre a tortura no período da Ditadura no Brasil – 19h15
Mirna Coelho – doutora pela USP
Carlos Gilberto Pereira – Grupo Tortura nunca mais

Noite Cultural: 21h30
Música e Revolução
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05 de Dezembro
Teatro: Um novo pedaço da nossa realidade – 19hs
Cinema e Direitos Humanos – Exibição do filme “Batismo de Sangue” e debate dialogado com as professoras da UNIFESP/ BS- Dra Andrea de Almeida Torres e a Dra Ana Maria Estevão – 19h30
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10 de Dezembro – 19hs
Oficina O tecido e o tear (no Laboratório de Sensibilidades) – 17hs
Atividade Vão Livre: microfone aberto às diversas entidades e organizações – 19hs
Mesa: Dia nacional de DH – desafios e desafios – 19h30min
– Ivan Seixas – Presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos – Fórum dos Ex-presos políticos e perseguidos pela Ditadura
– Raiane Patrícia Severino Assumpção (CRDH Unifesp)
– Francisco Assis das Virgens Calazans (CDH Maria Dolores)

Local: Campus da UNIFESP/ BS, sito à Av. Silva Jardim, nº 136 – Centro, Santos.
Os participantes receberão certificado.

Comissão Organizadora
CDHBS “Irmã Maria Dolores”
CRDH UNIFESP – Campus/Santos
OAB – Guarujá
Defensoria Pública do Estado de São Paulo – Regional Santos/ Litoral
Conselho Regional de Psicologia (CRP – subsede Baixada Santista)
Fórum da Cidadania de Santos.

Manifesto Guarani Kaiowá em Santos

Cerca de cinqüenta pessoas estiveram na praça da independência em Santos, neste último domingo dia 11 de novembro de 2012, manifestando-se em solidariedade a comunidade indígena Guarani Kaiowá. Faixas, cartazes e pinturas de protesto deram o tom do ato.

Frases de protesto como “Somos todos Guarani Kaiowá” embalaram a manifestação que seguiu da praça da independência até a orla da praia, onde os manifestantes começaram a convidar as pessoas que passavam pelo local para participarem e expressarem sua indignação em relação ao massacre que ocorre há quinhentos anos sobre as populações indígenas, e que nos últimos anos, tem se intensificado com a construção de hidroelétricas, barragens, ferrovias, especulação imobiliária, expansão do agronegócio e todo o modelo desenvolvimentista adotado pelos governos que passaram pela história do Brasil.

A organização do manifesto ocorreu de forma espontânea, sem que nenhum grupo específico o organizasse, apenas, foi disseminada a convocação para o ato solidário por meio das redes sociais como: twitter, bloggs e facebook. Resultado: estudantes, ativistas, militantes de diversas organizações sociais e simpatizantes que por ali passavam fizeram os seguintes apontamentos:

“Essa é uma realidade de quinhentos anos de massacre! Não podemos aceitar esses massacres calados, os povos indígenas são nossos irmãos”

“Não são somente os povos indígenas que estão sendo massacrados, são também as comunidades ribeirinhas, kilombolas, sem teto, sem terra […] a expansão desta política desenvolvimentista resulta em massacre de toda a população pobre […] A juventude da periferia está sendo exterminada”

“A construção de Belo Monte trará efeitos violentos tanto no aspecto ambiental, quanto social! Comunidades inteiras serão expulsas para a construção de uma hidroelétrica desnecessária que somente irá servir ao capital”

“Temos que nos organizar, unirmos forças! Aqui mesmo em nossa região, em São Vicente há uma aldeia Guarani (Paranapuã) onde essa comunidade está sendo dizimada pelo poder público […] E tantas outras em nosso litoral que estão sendo esmagadas, pois, o poder público, proíbe a construção de escolas indígenas, não permite o acesso de grupos solidários, e boa parte dos indígenas acabam tendo que buscar emprego nas cidades, nas feiras livres, ou na mendicância […] Na verdade, nossa região carece de uma organização popular que levante e faça o enfrentamento direto, porque problemas aqui não faltam. O que a copa do mundo irá trazer de beneficio para a população? Nada! O pré-sal? Nada!” e o que estamos fazendo? “A especulação imobiliária e a higienização social estão aí explodindo na nossa cara”

“A gente não pode se iludir mais com o voto, nem com nenhum tipo de governo, nós precisamos criar formas alternativas de produção e luta social […] Socializar os conhecimentos e fortalecer nossas quebradas, é na periferia que o bicho pega! Todos sabem algo: escrever, cantar, dançar… Propagar cultura para fortalecer com iniciativas, isso, na base popular é fundamental! Não adianta esperar por um messias, um líder, um salvador, façamos por nós com nossas próprias mãos!

Ao término dos apontamentos, o grupo que se encontrava em circulo discutindo muito mais questões que aqui registradas, naturalmente dispersou-se e alguns manifestantes ainda animados resolveram seguir em caminhada até a cidade vizinha de São Vicente, onde estava ocorrendo uma feira de artesanato (também na orla da praia) e lá levar as reivindicações e por fim encerrar o ato.

OBS: Podemos elencar de positivo no ato, a resistência deste grupo que num domingo de sol se propôs a discutir e a solidarizar-se com os Guaranis Kaiowá do Mato Grosso do Sul. Mas, também é preciso que essa energia produzida continue a crescer e a fortalecer as lutas sociais de forma solidária, livre e horizontal, para deste modo, transformar a realidade social, e isso, há de ser entendido como um compromisso popular que esteja além de bandeiras partidárias.

DENÚNCIA: Guarda municipal de Santos agride morador de rua

Post de origem: PassaPalavra

As forças de “segurança” que temos: profissionais que são pagos para tratar pobre com ameaça, truculência, tortura e agressão. Por Márcio G.

VÍDEO 1

VÍDEO 2

Os vídeos deixam claro o abuso da Guarda Municipal de Santos (cidade do litoral do estado de São Paulo), e por conhecer a vítima me sinto ainda mais seguro em relatar o que aconteceu. As informações relatadas a seguir foram obtidas dos próprios comentários do responsável pelo vídeo e de pessoas da vizinhança do bairro, onde meus pais moram.

O homem agredido, André, é morador de rua e amigo meu há pelo menos uns 15 anos. No dia 1º de novembro, guardas municipais foram ao local onde ele e outros moradores de rua costumam dormir, no bairro do Macuco, e retiraram os cobertores e travesseiros de lá, para jogar fora. André foi até eles perguntar o que estava acontecendo, por que eles estavam fazendo aquilo, possivelmente indignado com a situação, quando foi jogado ao chão pelos guardas e imobilizado.

A partir daí, as imagens dos vídeos são claras. Ele só fala “Eu não fiz nada! Eu não fiz nada!”, e as pessoas em volta, muitas que o conhecem e viram o que aconteceu desde o início (ali do lado há uma padaria, frequentada por estudantes de uma universidade próxima), gritavam para que os guardas parassem com aquela abordagem. Um dos guardas, como podemos ver, quase quebra o braço de André, que suplica para não ser levado, já que de fato não cometeu nenhum crime. Em um momento, outro vai atrás do homem que está gravando toda a ação e tenta intimidá-lo.

O drama prossegue com os guardas o pegando e o colocando no camburão [carro prisional]. Com muito custo levam o morador de rua, possivelmente até uma delegacia [esquadra] e, segundo relatos de vizinhos, André voltou duas horas depois, cheio de marcas de agressão.

Ainda quero conversar com ele para saber mais detalhes do que aconteceu, mas só os vídeos já mostram o caráter das forças de “segurança” que temos: profissionais que são pagos para tratar pobre com ameaça, truculência, tortura e agressão.

O que me deixa ainda menos esperançoso com o futuro é que essas ações violentas e autoritárias são vistas com bons olhos pela nossa “classe média”, até mesmo por trabalhadores, que preferem confiar na ação da “autoridade” a arriscar dizer que a vítima não era bandido. Acho que esse é um dos principais desafios para uma efetiva transformação da sociedade.

Valdelice Verón: “A gente sabe que vai ser genocídio e mais genocídio”

Tragédia que dura décadas, o genocídio indígena no Mato Grosso do Sul segue com a conivência de todas as instâncias de governo. O povo guarani kaiowá conta com apoio dos companheiros para continuar resistindo por suas terras, mesmo massacrados pela ganância e crueldade de fazendeiros

A liderança indígena guarani kaiowá Valdelice Verón, trouxe a São Paulo um forte relato sobre a situação do seu povo em Mato Grosso do Sul, em evento realizado semana passada, na PUC.

Antes mesmo de começarem as falas, o público teve um momento de emoção no auditório da universidade: na mesa foram colados mais de 20 papéis com nomes de lideranças indígenas assassinadas nos últimos 30 anos, a grande maioria pessoas próximas de Valdelice, como seu pai Marco Verón. Em certo momento ela relatou como se deu a morte de algumas dessas pessoas, cujos assassinos até hoje seguem impunes.

Como Valdelice diz, o governo separou os povos indígenas do Mato Grosso do Sul para dividir os povos. Ela classifica as reservas indígenas de “chiqueiros”: “Para mim são áreas de abate, áreas de confinamento, de morte”, diz ela, que acrescenta que dentro da reserva não conseguem respirar, não conquistam autonomia nem mesmo de dar a educação indígena, tampouco há possibilidade de sobreviver dos recursos naturais.

Ela lembra a retomada da luta pelas terras indígenas tradicionais, feita com muita luta, reorganizando os povos. Porém, a luta traz consigo grandes tragédias. “É uma tristeza muito grande porque toda semana, todo dia morre jovem, criança, mulheres. Voltando a nosso tekoha a gente volta a tomar nossa terra. A gente encontra encontra indústria do etanol, cana, água podre, mesmo assim a gente retoma porque lá está nossa história, e nossa história não vai morrer, porque a gente tem uma memória muito forte que passa de pai pra filho, de filho pra neto.

Sobre as histórias que ela tem a contar, Valdelice diz que é a história dos líderes mortos, mas não para chorar, e sim levantar e seguir em frente.

Valdelice citou como se deu algumas das mortes nos conflitos de terra no estado, como nos anos 1970, como disse a ela seu pai, quando jagunços e outras pessoas queimaram sua tia, junto com os filhos, em uma casa grande construída pelos indígenas. Estas outras pessoas que o pai se referia vestiam blusão verde e sapatos grandes pretos (seriam militares?).

Valdelice mostra os nomes dos companheiros indígenas assassinados

Valdelice contou sobre a morte dos irmãos José Verón e Sérgio Verón, em que a versão oficial é de morte por acidente. Anos atrás, um trator passou pelas terras onde eles estavam enterrados, arrancando de lá seus corpos, e até hoje os indígenas não sabem onde estão os corpos deles e de outros familiares que estavam enterrados neste cemitério. “Mesmo assim voltamos para a terra”, diz.

A resistência e força de Valdelice foram ficando ainda mais explícitos no encontro: “Não adianta falar que compraram arma, que vão matar. A gente vai morrer, mas a gente vai retomar nossa terra. Amanhã, se eu não estiver mais, eu sei que minhas filhas vão continuar a luta”. Sobre a resistência, ela acrescentou: “Nós temos coragem para sobreviver. Aquele pedacinho de terra tem história, é sagrado, lá que a gente começa a se reorganizar, a se reestruturar, é lá que a gente começa a ter autonomia”.

Ela não demonstra medo em falar sobre as ameaças. “As pessoas se dizem civilizadas, como essas pessoas que mandaram recado pra nós, falando que já compraram armas no Paraguai pra matar nós. Esse tipo de civilização eu não quero. Quero diálogo, conversar”.
“Esses juízes deviam entender um pouco de nossa história, porque quando eles assinam uma liminar, assinam nossa sentença de morte, porque são crianças que vão morrer, mulherer, idosos, professores. Muita liderança é marcada pra morrer, a segurança privada em Dourados fez lista pra matar”.

Valdelice conta como todos podem ajudar: “Acredito que vocês que estão aqui são companheiros, são amigos – comecem de dentro de casa falando pros seus filhos que o povo indígena guarani kaiowá são seres humanos também”.

Ao final, depois de ser aplaudida de pé por todos os presentes, Valdelice ainda narrou mais mortes e violências praticadas contra os indígenas, a mando dos fazendeiros, incluindo um episódio ocorrido contra sua filha. “O que aconteceu com a minha filha não virou inquérito. Não tenho esperança na Justiça. Vamos recorrer à Funai, e lá temos filhos de fazendeiros que passaram no concurso, não temos onde pedir socorro”, diz ela, que afirma ainda: “A gente sabe que vai ser genocídio e mais genocídio”.

P.S.: Como citou Valdelice e Sassá Tupinambá, a última assembleia Guarani e Kaiowá Aty Guasu divulgou nota alertando sobre a situação de ameaça de extermínio em que vivem, e que não vão abrir mão da resistência. A nota se encerra dizendo o seguinte:

“Sim, temos somente nossos cantos e rezas sagradas mbaraka e takua para buscar e gerar a paz verdadeira à vida humana. Neste sentido, nós vamos e queremos ser morto coletivamente cantando e rezando pelos pistoleiros das fazendas. Esta é nossa posição definitiva diante da ameaça de morte coletiva/genocídio/etnocídio anunciada publicamente pelos fazendeiros da região de faixa de fronteira Brasil/Paraguai.”

(Nota completa pode ser acessada aqui)

Interessados em colaborarem com a causa guarani kaiowá podem acessar o blog do Comitê Internacional de Solidariedade ao Povo Guarani e Kaiowá: http://solidariedadeguaranikaiowa.wordpress.com/

Mais informações sobre as retomadas indígenas no http://uniaocampocidadeefloresta.wordpress.com/

Vídeo – Expedição Marco Verón – a luta dos guarani kaiowás no Mato Grosso do Sul