Alckmin em São Vicente: Confetes, pontes, blábláblá e R$ 1 milhão para encenação?

O governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, esteve nesta última terça-feira dia 15 de janeiro de 2012 em São Vicente para assinar os protocolos de abertura de licitação para efetivar obras na Rodovia dos Imigrantes. O objetivo dessas construções é resolver definitivamente o problema do trânsito que liga a Capital Paulista com a Baixada Santista, mais precisamente no litoral sul – entre as cidades de Peruíbe, Itanhaém, Mongaguá, Praia Grande e São Vicente (mas o transporte público continua caro e deficiente).

Lembrando que no ano passado, no dia 21 de dezembro, o governador também esteve na região (na cidade de Santos) para anunciar a compra de 22 Veículos Leves sobre Trilhos (VLT) para a Baixada Santista. (sem querer se aprofundar no tão sonhado VLT que já tem data marcada para iniciar – março de 2014 – após uma década de promessas) Enfim, a vinda de Alckmin na Baixada novamente é mais uma estratégia propagandística para as eleições de 2014, onde prefeitos jogam confetes para abocanhar um quinhãozinho aqui e outro ali, do que para trazer soluções de fato.

Infelizmente os horários desses eventos são sempre em momentos em que os trabalhadores estão trabalhando, por isso, pouco ou nada se vê em relação a alguma manifestação de repúdio (pelo fato também da Baixada ter pouca organização popular), principalmente por este ser um dos governos mais reacionários da história do Estado de São Paulo, que vem promovendo massivamente uma higienização social descarada e violenta contra a população pobre, vide: “Pinheirinho”, ” Cracolândia”, e a lista não para, se formos elencar tudo que vem ocorrendo. Para se ter uma ideia, um dos motivos vociferados por Alckmin em relação à construção dos viadutos, não tem nada a ver com o trânsito, mas, disse ele: controlar o índice de marginalidade nos trechos da Rodovia, e acrescentou, quando lhe fizeram uma pergunta sobre a onda de violência no Estado de SP, que uma de suas propostas é a redução da maioridade penal. Esta aí o cara que desceu à baixada e foi recebido com confetes.

Pois bem, 2014 é ano de eleição, e é costurando alianças que se projetam pontes e viadutos. E no que se diz respeito à cidade de São Vicente, cheia de problemas de ordem econômica e administrativa – e com um novo prefeito que prometeu o Paraíso, mas que começou cortando gastos atingindo a população covardemente – evidente, que ao contrário de uma manifestação, o novo prefeito (Bili) levou a sua cordialidade, para assim, garantir sobrevivência, solicitou por um hospital, expôs as dificuldades da cidade e blábláblá – negócios. (não há porque esperar algo de um governante profissional, oras.)

E como quem não chora não mama, quem não libera não ganha!

Roendo o ossinho e jogando o confetezinho, o Governador se alegrou e liberou R$ 97 milhões para os oito municípios que têm direito à verba do Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias (Dade) na região, exceto Cubatão. Só para São Vicente, liberou R$ 50 milhões para a construção de uma nova ponte sobre o Canal dos Barreiros e mais 3,5 quilômetros de pista.

Agora é só aguardar o edital e os trâmites da lei 8.666 de Licitações, que muita gente reclama de burocrática, mas que na verdade garante à iniciativa privada mamar no dinheiro público, exemplo disso, no que se trata de obras do Governo do Estado, trazendo um pouco para a realidade vicentina, temos o Viaduto Mário Covas, que corta a Rodovia dos Imigrantes, ligando os bairros Parque Bitarú e Vila Margarida, cuja obra é extremamente mal planejada e principalmente há de se colocar que a população que mora ao redor não foi consultada, muito menos indenizada com os problemas que o viaduto trouxe, pois derrubou o valor das casas que ficam ao redor, há algumas que simplesmente ficaram sitiadas pelo viaduto.

E aí, a culpa é de quem? Com certeza se formos aprofundar, chegaremos a uma conclusão: O dinheiro público, da forma como é usado, pouco faz para o bem comum das pessoas, ele só financia empresas que vão entrar nesse edital, superfaturar, explorar trabalhadores e construir problemas.

Continuando com o dinheiro público liberado…

Para apoiar o maior espetáculo do mundo em areia de praia ao ar livre (como se isso quisesse dizer alguma coisa), o governador decidiu liberar a bagatela de R$ 1 milhão para a 31ª edição da Encenação da Fundação da Vila de São Vicente. Segundo o novo prefeito vicentino, o espetáculo deste ano será uma apresentação teatral de volta à sua origem histórica (lembrando que no final do ano passado o novo prefeito disse que cortaria gastos e faria uma versão menor da apresentação). E agora, José? Com R$ 1 milhão nas mãos, como vai ser?

Para quem ainda não sabe, a entrada do espetáculo este ano é um ato solidário, ou seja, custará 800 gramas de achocolatado ou um leite em pó integral, que será repassado para o Fundo Social, que destinará às escolas e às creches de São Vicente. Eis o ponto: no final do ano passado, houve denúncia de falta de alimentos nas escolas e nas creches, que resultou em reportagens por meio da mídia corporativa e da mídia independente. Em resposta à denúncia, a supervisora da SEDUC disse que não havia problemas, apenas atrasos, porém, os pais denunciaram e disseram que houve e ainda há problemas sim, o que vem a se confirmar com esse pedido de solidariedade.

Mas e aí, que fazer? Esperar que Geraldos e Billis resolvam nossos problemas?

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