As reivindicações de uma categoria que nunca foi às ruas. Por que será?

tn_620_600_PROTESTO_MEDICOS_BOCA_MALDITA_-_BC-18Nesta quarta-feira (03) ocorreram em diversas partes do país manifestações realizadas por médicos, inclusive, aqui na baixada santista houve uma pequena em Santos na praça da independência. Já em SP a Avenida Paulista chegou a ser fechada. Como pauta de protesto; “melhores condições estruturais para a saúde, tanto no que diz respeito à questão física de tecnologias e suporte, quanto econômica para os residentes”. Pois, segundo eles, resolver o problema da saúde é uma questão de investimento na área e não de trazer médicos de fora do país para trabalhar.

Vamos lá.

Essas reivindicações da categoria tem se espalhado pelo país inteiro desde que o governo anunciou que traria médicos cubanos para trabalhar nos rincões do país, ou seja, em locais onde há poucos médicos dispostos a trabalhar. Afinal, para termos uma ideia o salário de um médico que está iniciando a profissão é de R$ 10.000,00 e lá nos confins do Brasil em área como Amazonas, eles ganham moradia e salários ainda maiores. Contudo, faltam médicos nessas áreas, por que será? Segundo estudos, há uma concentração de médicos na região sudeste, enquanto, nas outras regiões carecem, o que revela que essas reivindicações que eles estão levantando em parte são legitimas. Entretanto, há interesse de classe nessa discussão muito maior que o interesse em mudanças estruturais.

1. O problema com o Sistema único de Saúde (SUS) é estrutural e persiste há anos, é sabido de todos que é um serviço cada dia mais sucateado e cada vez mais entregue e gerenciado pela iniciativa privada, fundações, Organizações de Saúde (OS) e este é o ponto que devemos enfrentar e não está sendo pautado.

2. Há de se desmascarar o oportunismo de uma categoria que nunca foi às ruas brigar por coisa nenhuma, vide a luta dos técnicos contra o sucateamento e as condições de trabalho, e nunca houve solidariedade de médicos nessa luta, e por que será? Ora, sempre se beneficiaram dos cofres públicos desde a formação até a empregabilidade.

Neste momento, o que está acontecendo é um grupo social que se vê ameaçado, e está indo a luta num posicionamento de classe, mas que absorvem as pautas da esquerda e se fazem de amigos preocupados com a população, com a saúde… Mentira! Eles estão pensando em seus interesses, essa é verdade!

O que é preocupante é que com essa discussão tomada de assalto há uma pretensa ideologia de neutralizar o real problema e criar mais condições que privilegiam os mesmos grupos sociais. Essa luta por melhorias que eles defendem é aquela que protege uma democracia que produz regras “supostamente democráticas”, mas, que mantém essa ordem social, qual eles carecem, defendem e pretendem blindar, preservar e fortalecer para manter o mesmo tipo de desenvolvimento econômico que não mexe na estrutura, apenas promove mudanças paliativas que mascaram a realidade.

Temos que nos organizar e dizer que saúde não é mercadoria nem pauta de quem grita na rua e depois vai comer no Mc Donalds.

Opa! Querem fortalecer? Bora colar na periferia, a Unidade Básica de Saúde (UBS) tá precisando de médicos para fazer a diferença.

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