Denúncia: Polícia na periferia nunca será sinônimo de segurança!

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Foto: Rádio da Juventude

Neste último sábado dia (20) estava sendo realizada uma batida policial na Vila Margarida, cidade de São Vicente, SP – na esquina da rua Polidoro e Av. Nações Unidas, cuja ação policial se restringia a parar jovens de bicicleta que passavam. (o que já se tornou praxe)

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Foto: Rádio da Juventude

Esta esquina na Vila Margarida fica exatamente num cruzamento onde o fluxo de trânsito é bastante intenso, e no caso, o semáforo que foi instalado (há uns dois anos) para organizar o trânsito nunca foi acionado com a justificativa de assaltos, ( um vereador da cidade já foi assaltado) com isso, está lá o equipamento parado se deteriorando.

A Rádio da Juventude diversas vezes já denunciou essa questão no ar, porque o local é muito caótico no que diz respeito a acidentes de trânsito, pontuamos que; desde que o viaduto Mário Covas (que fica a uns 100 metros do local) foi construído, há cerca de 15 anos, ao longo deste tempo, a intensificação do trânsito resultou em várias pessoas atropeladas, inclusive, a mãe de um companheiro foi atropelada e veio a falecer, e este companheiro como não tinha familiares em São Vicente e morava apenas com a mãe, foi para o Rio de Janeiro junto a seus familiares, onde reside até hoje.

O que queremos deixar claro aqui, é que há um problema especifico neste local que é de mobilidade urbana, que está causando danos à população e poderia ser resolvido com a ativação do semáforo, não retiramos a questão dos assaltos que é outro problema, conectado a este, mas, devemos questionar o Poder Público, que como forma de resolução, adotou a medida apenas de colocar aos fins de semana uma viatura no local, cuja finalidade prática como demostra a foto, é de dar esculacho nos jovens – estes identificados como supostos criminosos – ou seja, a medida além de paliativa é criminosa! Mais uma vez reforça o olhar etnocêntrico distorcido e homogeneizador de controle e manutenção social, onde a periferia é sempre a crucificada e a estereotipada como bandida.

Abordagem truculenta da Polícia Militar em São Vicente

Feriado e violência policial em São Vicente

Está difícil de viver numa Baixada Santista policiada

Resolver  o problema da segurança pública é muito fácil com viaturas e aumento de efetivo policial, só que o buraco é mais em baixo, embaixo pra caralho! Pois, estamos vivenciando no país um intenso processo de militarização das cidades que está cada vez mais promovendo o extermínio de jovens pobres, periféricos e pretos. Ações como esta ocorrendo na luz do dia denotam em como devem ser as abordagens na calada da noite, por exemplo, a uma quadra deste local, no ano passado no dia 1 de novembro, foi assassinado um jovem de 18 anos, alvo de seis tiros efetuados por homens de moto, a polícia quando apareceu no local tratou a situação com um tremendo descaso, tipo: “ótimo um a menos” provocando a ira da população. (assista o vídeo logo abaixo) E nesta mesma semana, enquanto a rádio transmitia a programação discutindo o assassinato deste jovem que inclusive era conhecido de uma companheira da rádio, recebeu uma ligação com a informação de outro jovem assassinado na Vila Margarida, onde tudo apontava de acordo com a informação como uma ação policial de extermínio.

Voltando ainda mais no tempo, em 2011, na Vila Margarida um carro preto atirou em três jovens, a resposta da polícia foi que deveria ser alguma facção criminosa agindo na baixada, o que seria mais tarde desmascarado por descobrirem que as ações partiram do policial militar André Aparecido dos Santos que neste dia matou uma pessoas e feriu oito na baixada santista, o policial ainda não foi condenado, pois a julgamento já foi protelado pela terceira vez.

Infelizmente, os casos de morte na periferia não param e os culpados nunca são presos. Por isso, é preciso ter memória e aguçar o pensamento para não naturalizarmos ações como esta da foto, e que na maioria das vezes, acabam se transformando em sinônimo de segurança. Não é! É preciso ter claro, que a polícia não é, nunca foi e nunca será garantia de segurança na periferia.

A Polícia Militar é um dos braços do Estado e os verdadeiros bandidos vestem paletó e gravata e estão por trás de gabinetes.

A Vila Margarida é um bairro extremamente carente em equipamentos básicos como escolas, creches, postos de saúde, áreas de lazer, espaços de cultura, transporte de qualidade e por aí vai. A juventude do bairro está inserida numa perspectiva de vida do se virá como dá, pois, a verdade é que a cidade de São Vicente é um município dormitório, e no geral, a baixada santista pouco tem a oferecer de concreto no que diz respeito ao trabalho digno aos jovens, além de projetos sociais que gastam enormes recursos públicos que mais favorecem a iniciativa privada do que contribuem para transformar a realidade dessa juventude perirférica, com isso, é fato que toda essa realidade desencadeie fenômenos sociais atípicos como a violência, que também é uma forma de subversão e confronto em relação um estado de coisas que só oprime e encarcera.

Resolver essa questão é muita mais profunda e não está sendo discutida. Como já citamos em outros momentos aqui no blog em casos como este, que sempre se repetem, é que há um recorte de classe nestas operações policiais, um recorte que denota interesses em conter para manter tudo como está, ou seja, defesa de privilégios e exclusão social.

Repudiamos, por isso denunciamos!

Vídeo: População da Vila Margarida se revolta contra o descaso da polícia.

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