Projeto Bike Santos: Quem vai sambar?

Foto-0143Projeto de Transporte Individual Sustentável

Desde o dia 29 de novembro de 2012 a cidade de Santos colocou em prática o projeto “Bike Santos”,(sistema de locação gratuito de bikes), foram instalados cinco estações e mais dez serão instaladas até fevereiro de 2013.

Segundo a Prefeitura de Santos ao todo serão 15 estações distribuídas em diversos pontos da cidade com um total de 300 bicicletas disponíveis à população.

Para efetuar a locação é preciso se cadastrar no site,  baixar e instalar o aplicativo para smartphones tipo iPhone ou Android, ou, por celular  (13) 4062 9211. Feito isso, é só digitar o n: da estação, n: da bike e confirmar. Fácil! Daí é utilizar por 30 min, ou pagar R$ 5,00 por cada 30 min acrescentados que serão debitados no cartão de crédito que obrigatoriamente é preciso ter.

Opa! Cartão de crédito? Ué, projeto sustentável que utiliza dinheiro público também é rentável? Claro, como não. Mas, para quem?

Foto-0145Pergunta: Se for assim, quem vai sambar neste projeto que começou bem falacioso? E torto. Utilizando-se de um discurso ciclo eco-ativista legitimo, porém, furado dentro deste projeto, afinal, ele vai contribuir muito mais com o bolso da iniciativa privada do que contribuir com a qualidade de vida dos cidadãos santistas, (isso no que diz respeito a tal sustentabilidade) pode-se dizer que é um projeto interessante para turistas, para estudantes e para quem precisar resolver algo rápido, corre ali, volta aqui, não é a toa que o projeto registrou cerca 19.635 utilizações no primeiro mês. Mas, dizer que: à população será muito beneficiada, e que o projeto irá contribuir para desafogar o trânsito na cidade, que reduzirá o impacto ambiental e despertará a consciência das pessoas para que elas andem mais de bike. Aí não dá!

Outra coisa, de forma prática, basta prestar atenção nestes pontos de distribuição das bikes, não há cobertura, ficam todas ao relento, ou seja, não é preciso ser especialista para saber que em menos de um ano essa frota de 300 bikes vai se deteriorar e irá precisar ser substituída, e este é o ponto. Quem vai pagar por isso? Vale a pena este investimento?

De quanto foi este investimento? Alguém sabe? A população foi consultada? Pois o quê parece é que o caro poderá sair mais caro ainda. E como este é um projeto de transporte público individual sustentável que tem como intuito a qualidade de vida na cidade, importante que seja discutido o transporte público como um todo, pois, é um problema seríssimo que durante anos os governos aprenderam a delegá-lo à iniciativa privada. Resultado: qualidade péssima e valores altíssimos. E ano após ano velhas balelas que não resolvem o problema, e quem samba?

Não desconsideramos a importância do ciclo eco-ativismo. Pois, é um debate importantíssimo! Desde que seja levado em consideração todos os aspectos sociais que influenciam e determinam a realidade. Pois, são estes aspectos que irão deflagar em todos os problemas que enfrentamos diariamente. Adotar o discurso de sustentabilidade sem considerar isso, é apenas fingir uma responsabilidade que não existe para mascarar o descompromisso com o público e o compromisso com o privado. E essa tem sido a praxe adotada por empresas e órgãos públicos.

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